Lia de Itamaracá recebe Diploma Bertha Lutz no Senado, reconhecimento à sua trajetória na cultura popular e na defesa das mulheres no Brasil.
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| Lia de Itamaracá recebe Diploma Bertha Lutz. Foto: Mariana Leal |
Na manhã desta terça-feira (31), o Senado Federal realizou a entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, honraria concedida a personalidades que se destacam na defesa dos direitos das mulheres e na promoção da igualdade de gênero. Entre as homenageadas está Lia de Itamaracá, indicada pela senadora Teresa Leitão.
Nesta edição, 15 mulheres foram agraciadas, incluindo a atriz Laura Cardoso, em reconhecimento a trajetórias que contribuem para o fortalecimento da participação feminina na sociedade brasileira.
Reconhecimento à cultura popular e à igualdade de gênero
A entrega do Diploma Bertha Lutz ocorre anualmente e leva o nome de Bertha Lutz, uma das principais lideranças feministas do país. O prêmio busca valorizar mulheres que atuam em diferentes áreas, promovendo mudanças sociais e ampliando direitos.
No caso de Lia de Itamaracá, a indicação ressalta não apenas sua contribuição artística, mas também seu papel como referência em debates sobre gênero, identidade e cultura. Segundo Teresa Leitão, a artista tem participado ativamente de eventos, projetos educativos e iniciativas culturais que incentivam o respeito à diversidade e à igualdade de direitos.
Além disso, a senadora destacou que a trajetória da cirandeira inspira novas gerações de mulheres artistas e lideranças comunitárias. Para ela, o reconhecimento ultrapassa o campo cultural e evidencia um legado com impacto social significativo.
Trajetória marcada pela ciranda e resistência cultural
Cantora, compositora e mestra da cultura popular pernambucana, Lia de Itamaracá é considerada um dos maiores nomes da ciranda no Brasil. Reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco, sua atuação ajudou a consolidar a ciranda como expressão coletiva e símbolo de identidade cultural.
Antes mesmo de lançar o álbum “A Rainha da Ciranda”, na década de 1970, Lia já desenvolvia sua arte nas praias da Ilha de Itamaracá, onde começou a desenhar os primeiros passos de sua carreira. Desde então, sua obra tem sido associada à valorização da cultura nordestina e à preservação de tradições populares.
Por outro lado, especialistas em cultura apontam que o reconhecimento institucional, como o Diploma Bertha Lutz, também contribui para dar visibilidade a manifestações culturais historicamente marginalizadas. Nesse sentido, a premiação pode ampliar o alcance da ciranda e fortalecer políticas públicas voltadas à cultura popular.
Impacto social e simbólico da homenagem
A presença de Lia de Itamaracá no Senado reforça a importância da representatividade feminina, especialmente de mulheres negras e nordestinas, nos espaços de poder e decisão. Sua trajetória é frequentemente associada à promoção da autoestima, da autonomia e do protagonismo feminino.
Ao mesmo tempo, a premiação também abre espaço para reflexões sobre os desafios ainda enfrentados pelas mulheres no Brasil, como desigualdade de oportunidades e reconhecimento profissional. Organizações da sociedade civil defendem que iniciativas como o Diploma Bertha Lutz devem ser acompanhadas de políticas concretas para garantir avanços estruturais.
A concessão do Diploma Bertha Lutz a Lia de Itamaracá destaca a relevância da cultura popular como instrumento de transformação social. Ao reconhecer sua trajetória, o Senado evidencia a conexão entre arte, identidade e luta por igualdade de gênero.
Assim, a homenagem não apenas celebra a carreira de uma artista, mas também reforça o papel das mulheres na construção de uma sociedade mais inclusiva e diversa.

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