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Deputados aprovam PEC da Segurança Pública por ampla maioria

Câmara aprova PEC da Segurança Pública em segundo turno com 461 votos. Proposta amplia integração policial e destina recursos das bets para segurança.

Plenário da Câmara dos Deputados
PEC da Segurança Pública prevê uso de recursos das bets e do pré-sal para financiar políticas de segurança. Foto: Kayo Magalhães

A Câmara dos Deputados aprovou, em segundo turno, a PEC da Segurança Pública (PEC 18/25), proposta que pretende ampliar a integração entre os órgãos de segurança no país e fortalecer o financiamento de políticas públicas voltadas ao setor. O texto recebeu 461 votos favoráveis e 14 contrários e agora segue para análise do Senado Federal.

Na votação em primeiro turno, realizada anteriormente, a proposta já havia sido aprovada com 487 votos a favor, 15 contrários e uma abstenção.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), que promoveu mudanças significativas em relação à versão inicial enviada pelo governo federal ao Congresso.

Segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a aprovação da PEC representa um momento importante para o debate sobre segurança pública no país.

“Hoje é um dia histórico para a Câmara dos Deputados. O resultado é fruto de diálogo e equilíbrio entre diferentes forças políticas, convergindo na vontade de ter um país mais seguro para todos os brasileiros”, afirmou Motta.

O parlamentar também destacou o trabalho da comissão especial que analisou a proposta, ressaltando que houve ampla escuta da sociedade civil e de especialistas, o que teria contribuído para a construção do texto final.

Integração e financiamento da segurança pública

Um dos principais objetivos da PEC da Segurança Pública é reforçar a integração entre os diferentes órgãos responsáveis pela segurança pública no Brasil.

A proposta altera dispositivos da Constituição para fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), além de criar mecanismos que ampliam a cooperação entre União, estados e municípios.

Além da reorganização institucional, o texto também busca garantir mais recursos financeiros para políticas de segurança e para o sistema penitenciário.

Nesse sentido, a PEC estabelece novas regras de financiamento envolvendo receitas provenientes de apostas esportivas e recursos do Fundo Social do pré-sal.

Recursos das bets passam a financiar segurança pública

Entre as mudanças aprovadas está a destinação gradual de parte da arrecadação das loterias por quota fixa, conhecidas como bets, para o financiamento da segurança pública.

De acordo com o texto aprovado, 10% dos recursos arrecadados com essas apostas serão direcionados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) entre 2026 e 2028.

O percentual aumentará gradualmente até atingir 30% da arrecadação, patamar que será mantido posteriormente.

Antes da divisão dos recursos, entretanto, deverão ser descontados valores referentes a:

  • pagamento dos prêmios

  • Imposto de Renda sobre as premiações

  • lucro bruto das casas de apostas

Segundo o relator, a medida não aumenta a carga tributária sobre as operadoras, mas reduz a parcela destinada a outras áreas que atualmente recebem recursos desse sistema, como seguridade social e os ministérios do Esporte e do Turismo.

Durante a tramitação da proposta, Mendonça Filho chegou a sugerir um aumento de 6% na tributação das casas de apostas, mas posteriormente retirou essa previsão após negociações políticas.

Uso de recursos do pré-sal

Outro ponto incluído na PEC da Segurança Pública envolve o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal, criado para financiar políticas públicas em áreas como educação, saúde e meio ambiente.

Pelo texto aprovado, 10% do superávit financeiro anual do fundo poderá ser destinado ao FNSP e ao Funpen.

A transferência será gradual, ocorrendo entre 2027 e 2029, com aumento progressivo ao longo dos anos.

Na versão anterior da proposta, o percentual previsto era maior: 15% das receitas do fundo.

Maioridade penal ficou fora da proposta

Durante a tramitação da PEC da Segurança Pública, um dos temas que gerou maior debate foi a possibilidade de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes violentos.

A medida chegou a ser discutida, mas acabou retirada do texto final pelo relator após negociações conduzidas pelo presidente da Câmara.

A proposta previa que a mudança só entraria em vigor após referendo popular, mas a ideia encontrou resistência entre parlamentares e especialistas.

Assim, o texto aprovado manteve a legislação atual sobre o tema.

Polícias municipais e mudanças institucionais

A PEC também autoriza a criação de polícias municipais de natureza civil, organizadas em carreira e destinadas ao policiamento ostensivo e comunitário.

Inicialmente, a proposta restringia a criação dessas corporações a municípios com mais de 100 mil habitantes. Entretanto, essa limitação foi retirada durante a tramitação.

Para criar uma polícia municipal, os municípios deverão cumprir critérios como:

  • comprovação de capacidade financeira para manter a corporação

  • formação de agentes conforme padrões nacionais

  • acreditação periódica pelo conselho estadual de segurança pública

A proposta também estabelece que guardas municipais e polícias municipais estarão sujeitas ao controle externo do Ministério Público.

Segundo o texto aprovado, a mudança busca dar previsão constitucional a essas corporações, hoje não reconhecidas formalmente como parte do sistema de segurança pública.

Ampliação de atribuições da Polícia Federal e da PRF

A PEC da Segurança Pública também redefine algumas atribuições de forças policiais federais.

No caso da Polícia Federal, o texto reforça sua competência para investigar crimes praticados por organizações criminosas e milícias com repercussão interestadual ou internacional.

A proposta inclui ainda a possibilidade de investigação de crimes ambientais, mantendo as competências das polícias estaduais.

Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) continuará com o mesmo nome, apesar da proposta inicial do governo de transformá-la em polícia viária.

Entre as novas atribuições estão:

  • policiamento ostensivo em ferrovias e hidrovias federais

  • proteção de bens e serviços da União

  • cooperação com forças estaduais em situações de calamidade

Sistema de políticas penais

Outro ponto da proposta é a criação do Sistema de Políticas Penais, responsável por coordenar ações relacionadas à custódia e à reintegração social de pessoas privadas de liberdade.

A proposta também detalha as atribuições da polícia penal, responsável pela segurança e gestão dos estabelecimentos penitenciários.

Entre as funções previstas estão:

  • custódia de presos

  • manutenção da ordem e disciplina nas unidades

  • segurança das instalações penais

Controle de recursos e regras orçamentárias

O texto aprovado permite que recursos destinados ao FNSP e ao Funpen sejam bloqueados ou contingenciados em caso de queda de arrecadação, conforme regras fiscais da União.

Por outro lado, a proposta proíbe que esses recursos sejam transferidos para reservas de contingência ou devolvidos ao Tesouro ao final do exercício fiscal. 

Além disso, a PEC prevê que 50% dos recursos desses fundos sejam obrigatoriamente repassados a estados e ao Distrito Federal, sem necessidade de convênios. 

Próximos passos da PEC da Segurança Pública

Com a aprovação em dois turnos na Câmara, a PEC da Segurança Pública segue agora para análise do Senado Federal.

Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pelos senadores também em dois turnos de votação.

Caso seja confirmada pelo Senado sem alterações, a emenda constitucional será promulgada pelo Congresso Nacional.

A aprovação da PEC da Segurança Pública representa uma das principais iniciativas legislativas recentes voltadas à reorganização institucional e ao financiamento da segurança pública no Brasil.

A proposta busca ampliar a integração entre forças policiais, fortalecer o sistema penitenciário e garantir novas fontes de recursos para o setor.

Ao mesmo tempo, a tramitação evidenciou divergências entre parlamentares sobre temas sensíveis, como financiamento público, papel das forças policiais e alterações no sistema penal.

Com a proposta agora em análise no Senado, o debate sobre o modelo de segurança pública brasileiro deverá continuar nas próximas etapas do processo legislativo.

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