Raquel Lyra retoma obra da Cozinha Quilombola em Bom Conselho após 10 anos, com investimento de R$ 660 mil e foco em segurança alimentar.
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| Governo autoriza obra de cozinha quilombola no Agreste após 10 anos. Foto: Miva Filho |
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, autorizou nesta terça-feira (24) a retomada das obras da Cozinha Quilombola da Comunidade do Angico, localizada no município de Bom Conselho, no Agreste Meridional. A construção, que estava paralisada há aproximadamente dez anos, deverá receber investimentos de R$ 660 mil.
A iniciativa marca a reativação de um projeto voltado à segurança alimentar e ao fortalecimento de comunidades tradicionais, especialmente quilombolas, que historicamente enfrentam desafios relacionados ao acesso a políticas públicas estruturantes.
Obra paralisada há uma década
A Cozinha Quilombola do Angico é fruto de um convênio entre o Governo do Estado e o Governo Federal. Do total previsto, R$ 340 mil serão aportados pelo Estado, enquanto R$ 320 mil são oriundos de recursos federais.
De acordo com o governo estadual, a obra ficou interrompida por cerca de dez anos, sem previsão de conclusão. Com a assinatura da ordem de serviço, a expectativa é que o equipamento seja entregue em até 120 dias.
Durante o anúncio, a governadora destacou a importância simbólica e prática da retomada. Segundo ela, o espaço terá capacidade para fornecer alimentação de qualidade a pelo menos 200 pessoas por dia, além de contar com suporte financeiro contínuo para funcionamento.
Projeto integrado de segurança alimentar
Além da estrutura física da cozinha, o projeto prevê a implementação de ações complementares. Entre elas, estão a criação de uma horta comunitária, o fornecimento de refeições para uma escola municipal da região e a oferta de cursos de formação profissional.
O equipamento também deverá funcionar como um centro de qualificação, com padaria e cozinha industrial, ampliando as possibilidades de geração de renda para os moradores da comunidade.
Segundo o secretário estadual de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas, Carlos Braga, a retomada representa um avanço na política de segurança alimentar do estado. Ele afirmou que a reativação do equipamento permitirá ampliar o acesso da população a serviços essenciais.
Impacto na comunidade quilombola
A Comunidade Quilombola do Angico foi certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 2005. Desde então, o território tem se consolidado como espaço de resistência cultural e luta por direitos.
De acordo com lideranças locais, a retomada da obra é vista como um marco para a população quilombola da região. A líder comunitária Márcia Rodrigues destacou que o equipamento representa mais do que infraestrutura, sendo também um símbolo de dignidade e reconhecimento.
Estimativas apontam que mais de 6.700 quilombolas poderão ser impactados direta ou indiretamente pela iniciativa, considerando a abrangência da comunidade e áreas adjacentes.
Posicionamento de autoridades
O prefeito de Bom Conselho, Dr. Édezio, afirmou que a conclusão da obra reforça o compromisso com políticas públicas voltadas à segurança alimentar. Segundo ele, o município já conta com duas cozinhas comunitárias, e a nova estrutura deverá ampliar o atendimento à população.
A deputada estadual Débora Almeida ressaltou que a retomada da obra reflete um momento de execução de projetos no estado. Já o deputado estadual Doriel Barros destacou a importância de descentralizar esse tipo de equipamento, historicamente concentrado em áreas urbanas.
Para ele, levar uma cozinha quilombola para a zona rural representa uma mudança na forma de implementação de políticas públicas, ampliando o alcance das ações governamentais.
Presença de lideranças regionais
A cerimônia contou com a participação de diversas autoridades estaduais e municipais. Estiveram presentes a secretária Joanna Figueirêdo, o presidente do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Miguel Duque, além de prefeitos de municípios da região, como Jucati, Paranatama, Iati e Lagoa do Ouro.
A presença de lideranças reforça o caráter regional da iniciativa, que poderá beneficiar não apenas a comunidade do Angico, mas também localidades próximas.
Desafios e expectativas
Especialistas em políticas públicas apontam que a retomada de obras paralisadas é um dos principais desafios da gestão pública no Brasil. Projetos interrompidos tendem a gerar desperdício de recursos e atrasar a implementação de serviços essenciais.
Nesse contexto, a reativação da Cozinha Quilombola do Angico pode ser vista como um esforço para recuperar investimentos já realizados e garantir a efetividade de políticas voltadas à redução da insegurança alimentar.
Por outro lado, há expectativa em relação ao cumprimento do prazo estabelecido e à manutenção do equipamento após sua entrega, fatores considerados essenciais para o sucesso da iniciativa.
A retomada da Cozinha Quilombola em Bom Conselho representa um passo relevante na ampliação de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e ao fortalecimento de comunidades quilombolas em Pernambuco.
Com investimento conjunto entre Estado e União, o projeto busca não apenas oferecer alimentação, mas também promover qualificação profissional e inclusão social. Ao mesmo tempo, o caso evidencia a importância da continuidade administrativa e da conclusão de obras públicas para garantir benefícios concretos à população.
Se cumprido o cronograma previsto, o equipamento deverá entrar em funcionamento ainda nos próximos meses, tornando-se referência na região do Agreste Meridional.
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