Ads

Rua da Imperatriz entra em plano de requalificação

Revitalização da Rua da Imperatriz é tema de estudo da Sudene e UFPE para recuperar o Centro do Recife com soluções urbanas, econômicas e culturais.

Rua da Imperatriz
Superintendente da Sudene afirma que as soluções desenvolvidas no projeto poderão servir de referência para iniciativas semelhantes em outras cidades da área de atuação da Autarquia. Foto: Elvis Aleluia/ Sudene

A revitalização da Rua da Imperatriz, localizada no Centro do Recife, passou a ser objeto de um estudo técnico conduzido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco. A iniciativa foi oficialmente lançada nesta segunda-feira (16), durante evento realizado no Hotel Central, no bairro da Boa Vista.

O projeto tem como objetivo identificar o potencial urbanístico, econômico e cultural da área, além de propor soluções para enfrentar o processo de degradação urbana que atinge parte significativa do Centro da capital pernambucana. A ação reúne pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil.

Diagnóstico para revitalização da Rua da Imperatriz

De acordo com o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, a proposta vai além de um estudo local. Segundo ele, as soluções desenvolvidas para a revitalização da Rua da Imperatriz poderão servir como referência para outras cidades da área de atuação da autarquia federal.

Além disso, o gestor destacou que existem instrumentos financeiros disponíveis para estimular novos investimentos. “A Sudene conta com linhas de financiamento que podem apoiar empreendedores interessados em investir nesses espaços”, afirmou durante o evento.

A parceria entre as instituições foi formalizada por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED), firmado no fim de 2025. O acordo estabelece as bases para a execução técnica e científica do estudo ao longo de 12 meses.

Participação política e apoio institucional

Durante o lançamento, o senador Humberto Costa ressaltou a importância da iniciativa para a recuperação do Centro do Recife. Ele também indicou a possibilidade de destinar recursos por meio de emendas parlamentares para apoiar ações futuras decorrentes do estudo.

A presença de representantes do poder público municipal também reforçou o caráter institucional do projeto. Participaram do encontro a chefe do Gabinete do Centro Histórico da Prefeitura do Recife, Ana Paula Vilaça; a vereadora Cida Pedrosa; e Antônio Almeida, ligado à associação de empresários da Rua da Imperatriz.

Execução técnica e áreas de estudo

A execução do projeto ficará sob responsabilidade da UFPE, por meio de grupos especializados vinculados ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo e ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano.

Entre os núcleos envolvidos estão o Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural (LUP) e o Grupo de Estudos sobre o Mercado Imobiliário e Fundiário (GEMFI). As arquitetas e coordenadoras do estudo, Iana Laudermir Bernardino e Juliana Barreto, apresentaram as diretrizes iniciais da pesquisa.

Segundo as coordenadoras, o estudo terá três eixos principais: análise da infraestrutura existente, avaliação da preservação e adaptação dos imóveis históricos e investigação da dinâmica do mercado imobiliário local.

Construção coletiva e participação social

Um dos diferenciais do projeto é a adoção de uma abordagem participativa. De acordo com Iana Laudermir, a proposta envolve especialistas de diferentes áreas, como mobilidade urbana, patrimônio cultural, políticas públicas e desenvolvimento imobiliário.

“A ideia é construir um diagnóstico multitemático e participativo, reunindo diferentes olhares sobre o papel que a Rua da Imperatriz pode desempenhar na revitalização do Centro do Recife”, explicou a arquiteta.

A construção do diagnóstico será estruturada em três frentes principais. A primeira envolve o diálogo direto com comerciantes, moradores e frequentadores da região. Em seguida, será realizado um levantamento urbanístico detalhado, com apoio de consultorias especializadas. Por fim, haverá uma análise integrada da rua e de seu entorno.

Integração com outras iniciativas urbanas

O estudo também considera projetos já em andamento na cidade. Um dos exemplos é o Projeto Recentro, iniciativa da Prefeitura do Recife voltada à requalificação de áreas históricas.

Entre os espaços contemplados pelo programa está a Avenida Guararapes, que tem recebido intervenções urbanísticas nos últimos anos. A análise dessas experiências deve contribuir para a formulação de propostas mais alinhadas às políticas públicas existentes.

Primeira oficina e próximos passos

Durante o evento de lançamento, foi realizada a oficina temática “Por uma Imperatriz viva e dinâmica”, considerada a primeira atividade participativa do projeto. A iniciativa reuniu diferentes atores sociais para discutir a situação atual da rua e levantar contribuições iniciais.

Segundo Juliana Barreto, a oficina tem papel estratégico na construção do diagnóstico. “O objetivo é compreender a realidade local a partir da experiência de quem utiliza o espaço no dia a dia”, afirmou.

Ao longo dos próximos 12 meses, estão previstas novas oficinas temáticas e etapas de análise técnica. O cronograma inclui coleta de dados, elaboração de diagnósticos e construção de propostas para orientar a revitalização da área.

Desafios e perspectivas para o Centro do Recife

A revitalização da Rua da Imperatriz se insere em um contexto mais amplo de desafios enfrentados pelos centros urbanos brasileiros, como esvaziamento econômico, degradação de imóveis históricos e mudanças nos padrões de ocupação urbana.

Especialistas apontam que iniciativas integradas, que combinem planejamento urbano, incentivo econômico e participação social, tendem a apresentar melhores resultados a longo prazo. Nesse sentido, o estudo pode contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

A parceria entre Sudene e UFPE marca o início de um estudo voltado à revitalização da Rua da Imperatriz, no Centro do Recife. Com duração prevista de 12 meses, o projeto busca diagnosticar problemas e propor soluções com base em dados técnicos e participação social.

A iniciativa envolve diferentes atores institucionais e considera experiências já em andamento, como o Projeto Recentro. Ao final, a expectativa é que os resultados sirvam não apenas para a recuperação da área estudada, mas também como referência para outras cidades da região Nordeste.

Postar um comentário

0 Comentários