Autismo no Brasil atinge 2,3 milhões de pessoas, segundo o IBGE. Terapia neurocognitiva se destaca como estratégia eficaz no tratamento do TEA.
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| Dados do IBGE mostram 2,3 milhões de diagnósticos de TEA no Brasil e reforçam importância de terapias personalizadas. Foto: Freepik |
O autismo no Brasil segue em evidência diante do aumento de diagnósticos e da ampliação do debate sobre inclusão e tratamento. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,3 milhões de brasileiros possuem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que representa aproximadamente 1,2% da população.
Ainda de acordo com o levantamento, os homens são maioria entre os diagnosticados, com cerca de 1,4 milhão de casos, enquanto as mulheres somam aproximadamente 1 milhão. Especialistas alertam, no entanto, que esse número pode não refletir totalmente a realidade, especialmente entre o público feminino, historicamente subdiagnosticado.
Complexidade do espectro exige abordagens personalizadas
O TEA é caracterizado por alterações no neurodesenvolvimento que afetam a comunicação, a interação social e o comportamento. Contudo, a principal característica do transtorno é sua heterogeneidade.
De acordo com Andrea Rodriguez Valero, neuropsicóloga da NeuronUP, compreender essa diversidade é fundamental para a escolha das intervenções adequadas.
“Por ser um espectro, o autismo não é linear. Suas características se manifestam de formas muito distintas em cada pessoa, o que exige uma abordagem individualizada”, afirma a especialista.
Ela também destaca que meninas e mulheres frequentemente apresentam sinais menos evidentes, o que contribui para diagnósticos tardios ou equivocados.
Terapia neurocognitiva ganha destaque no tratamento do TEA
Diante desse cenário, a terapia neurocognitiva tem se consolidado como uma alternativa relevante no tratamento do autismo. A abordagem permite intervenções personalizadas, focadas nas necessidades específicas de cada paciente.
Esse tipo de terapia atua diretamente na estimulação de funções executivas, cognição social e processamento da informação — aspectos essenciais para a autonomia e adaptação no cotidiano.
Segundo Andrea, essas funções podem ser desenvolvidas por meio de treinamento sistemático.
“A estimulação cognitiva fortalece habilidades como planejamento, memória de trabalho, flexibilidade mental e controle inibitório, que são fundamentais para o dia a dia”, explica.
Impactos na vida cotidiana e na inclusão social
Além dos ganhos cognitivos, os benefícios da terapia neurocognitiva se refletem na rotina dos pacientes e de suas famílias. Entre os principais resultados observados estão:
- Melhora na comunicação
- Maior autonomia funcional
- Desenvolvimento da autorregulação emocional
- Fortalecimento da aprendizagem
Esses avanços também contribuem para reduzir a sobrecarga de cuidadores e favorecer a inclusão social e educacional.
Especialistas apontam que a evolução nessas áreas impacta diretamente a autoestima e o bem-estar das pessoas com TEA, ampliando suas possibilidades de participação na sociedade.
Tecnologia amplia possibilidades terapêuticas
Na prática clínica, a terapia neurocognitiva pode ser aplicada com o auxílio de ferramentas digitais. Plataformas especializadas utilizam jogos e atividades estruturadas para estimular diferentes áreas do cérebro.
A NeuronUP, por exemplo, oferece soluções utilizadas por mais de 7 mil profissionais em mais de 75 países, atendendo cerca de 200 mil usuários.
Segundo a empresa, o uso de tecnologia permite monitorar o progresso dos pacientes em tempo real e ajustar as intervenções conforme a evolução individual.
Desafios para o sistema de saúde
Apesar dos avanços, o crescimento no número de diagnósticos de autismo impõe desafios significativos ao sistema de saúde brasileiro. Entre eles, estão:
- Ampliação do acesso a diagnósticos precoces
- Formação de profissionais especializados
- Disponibilidade de terapias multidisciplinares
- Inclusão em escolas e ambientes de trabalho
Para médicos e gestores, a incorporação de novas abordagens terapêuticas é vista como estratégica para melhorar a qualidade do atendimento.
Andrea reforça que o tratamento do TEA deve ser integrado e multidisciplinar.
“A estimulação cognitiva precisa estar associada a estratégias de comunicação, regulação emocional e inclusão social, sempre respeitando o perfil de cada indivíduo”, afirma.
A importância da abordagem humanizada
Outro ponto destacado por especialistas é a postura dos profissionais no atendimento a pessoas autistas. A adaptação da comunicação, o respeito ao tempo de resposta e a empatia são considerados fatores essenciais para o sucesso terapêutico.
“A atitude do terapeuta deve ser compreensiva e aberta ao estilo de interação do paciente”, destaca Andrea.
Essa perspectiva reforça a necessidade de um modelo de cuidado centrado na pessoa, que valorize suas singularidades e promova o desenvolvimento de forma ética e respeitosa.
Crescimento da demanda exige respostas estruturadas
Com o aumento da conscientização sobre o autismo, cresce também a procura por serviços especializados em neurodesenvolvimento. Esse cenário exige investimentos em políticas públicas, formação profissional e inovação tecnológica.
Ao mesmo tempo, organizações da sociedade civil e especialistas defendem a ampliação de campanhas de informação para reduzir o estigma e promover a inclusão.
O autismo no Brasil atinge cerca de 2,3 milhões de pessoas, segundo o IBGE, evidenciando a necessidade de ampliar o acesso a diagnóstico e tratamento. Nesse contexto, a terapia neurocognitiva surge como uma estratégia eficaz, ao oferecer intervenções personalizadas e focadas no desenvolvimento de habilidades essenciais.
Embora avanços tenham sido registrados, especialistas apontam que ainda há desafios importantes, especialmente na inclusão social e na estruturação do sistema de saúde. Assim, a combinação entre inovação, políticas públicas e abordagem humanizada é apontada como caminho para melhorar a qualidade de vida das pessoas com TEA e de suas famílias.

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