Cetran-PE recomenda regulamentação dos patinetes elétricos em Pernambuco após retomada do serviço compartilhado no Recife.
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| Cetran-PE recomenda regulamentação para patinetes elétricos compartilhados nos municípios. Foto: Reprodução / PE Notícias |
O Conselho Estadual de Trânsito de Pernambuco, Cetran-PE, aprovou a Nota Técnica nº 002/2026 recomendando que os municípios pernambucanos regulamentem o uso de patinetes elétricos compartilhados e demais equipamentos autopropelidos. A medida ocorre após a retomada da operação experimental do serviço no Recife, em março deste ano, e amplia o debate sobre segurança viária, mobilidade urbana e convivência entre veículos leves e pedestres.
O documento orienta que as prefeituras estabeleçam normas específicas para circulação, estacionamento, fiscalização e velocidade desses equipamentos, diferenciando-os de bicicletas elétricas e ciclomotores.
A nota também destaca a necessidade de adaptação das regras às características locais de cada município, levando em consideração infraestrutura cicloviária, fluxo de pedestres e organização do trânsito urbano.
Municípios devem criar regras específicas
Segundo o Cetran-PE, os municípios possuem competência legal para disciplinar a circulação dos patinetes elétricos. A recomendação é baseada no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e na Resolução nº 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito, Contran.
Entre as medidas sugeridas estão:
Classificação das áreas de circulação
A nota técnica orienta que as cidades definam:
- vias autorizadas;
- áreas proibidas;
- zonas condicionadas;
- ciclovias e ciclofaixas permitidas;
- áreas exclusivas para pedestres.
Além disso, o documento recomenda regras específicas para circulação em trechos com tráfego misto, onde carros, bicicletas e patinetes compartilham espaço.
Limites de velocidade e segurança
Outro ponto destacado é a criação de limites locais de velocidade, incluindo:
- zonas lentas;
- áreas de proteção ao pedestre;
- restrições operacionais em regiões de maior circulação.
O Cetran-PE também sugere parâmetros objetivos de fiscalização e acompanhamento da operação dos serviços compartilhados.
Recife retomou operação experimental
A discussão ganhou força após a retomada da operação experimental de patinetes elétricos compartilhados no Recife.
O projeto foi apresentado pela Prefeitura do Recife como alternativa de micromobilidade urbana para deslocamentos curtos. O sistema funciona por aplicativo e possui pontos autorizados de estacionamento.
Entre as regras já adotadas estão:
- uso permitido apenas para maiores de 18 anos;
- devolução obrigatória em áreas autorizadas;
- monitoramento operacional;
- período experimental de 12 meses.
Segundo o Cetran-PE, a retomada do serviço reacendeu discussões relacionadas à segurança no trânsito, infraestrutura urbana e convivência com pedestres.
Segurança viária entra no centro do debate
A nota técnica afirma que o crescimento do uso de patinetes elétricos vem acompanhado de preocupações relacionadas a acidentes e condução imprudente.
De acordo com o documento, estudos internacionais apontam que o risco de sinistros envolvendo patinetes elétricos pode ser até 3,8 vezes maior do que o registrado com bicicletas.
O texto também menciona que grande parte das hospitalizações envolve traumatismos cranianos, frequentemente agravados pela ausência de capacete.
Além disso, o Cetran-PE afirma que restrições de velocidade e limitações ao uso noturno podem contribuir para reduzir atendimentos hospitalares relacionados aos equipamentos.
SES-PE pediu monitoramento específico
Outro ponto citado pela nota técnica envolve a atuação da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco.
Segundo o documento, a secretaria enviou ofício a 18 hospitais pernambucanos que atendem ocorrências de acidentes de transportes terrestres solicitando o registro separado de incidentes envolvendo patinetes elétricos compartilhados.
A medida busca ampliar o monitoramento estatístico e compreender o impacto do serviço na rede de saúde pública.
Especialistas em mobilidade urbana apontam que a coleta de dados pode ajudar na elaboração de políticas públicas mais eficientes e na definição de estratégias de prevenção.
Debate envolve infraestrutura e fiscalização
A regulamentação dos patinetes elétricos também levanta discussões sobre infraestrutura urbana.
Entidades ligadas à mobilidade urbana defendem ampliação de ciclovias, sinalização adequada e campanhas educativas para garantir convivência segura entre motoristas, ciclistas, pedestres e usuários de equipamentos autopropelidos.
Por outro lado, moradores e comerciantes relatam preocupação com estacionamento irregular, circulação em calçadas e riscos para pedestres, principalmente idosos e pessoas com deficiência.
A nota técnica recomenda ainda:
- criação de canais de atendimento;
- comunicação de ocorrências;
- retirada de equipamentos em desacordo com as regras;
- campanhas institucionais de conscientização.
Prefeitura do Recife diz que recomendações serão avaliadas
Em nota, a CTTU informou que o projeto está inserido em ambiente regulatório experimental dentro do programa EITA! Labs.
Segundo a prefeitura, o objetivo da fase atual é reunir dados e informações que possam subsidiar futuras regras e eventuais normativas definitivas para o serviço.
“A Prefeitura do Recife informa que o projeto de patinetes elétricos compartilhados está inserido em um ambiente regulatório experimental, no âmbito do programa EITA! Labs”, afirmou a gestão municipal.
A administração também declarou que as recomendações do Cetran-PE serão consideradas durante o processo de avaliação.
Micromobilidade cresce nas capitais brasileiras
O avanço dos patinetes elétricos acompanha uma tendência observada em diversas capitais brasileiras e cidades internacionais.
Defensores da micromobilidade afirmam que os equipamentos podem reduzir congestionamentos, incentivar deslocamentos curtos e contribuir para alternativas sustentáveis de transporte.
No entanto, especialistas alertam que a expansão do serviço exige planejamento urbano, fiscalização e educação no trânsito para evitar acidentes e conflitos em áreas urbanas densas.
O debate em Pernambuco ocorre em meio à busca por soluções de mobilidade mais eficientes e sustentáveis, enquanto autoridades avaliam os impactos da operação na segurança viária e no cotidiano da população.
A recomendação do Cetran-PE amplia o debate sobre o futuro da micromobilidade em Pernambuco. Enquanto o Recife testa o modelo compartilhado de patinetes elétricos, órgãos públicos discutem medidas para equilibrar inovação, segurança e convivência urbana.
A expectativa é que os dados coletados durante o período experimental ajudem a definir regras permanentes para circulação, fiscalização e uso desses equipamentos nos municípios pernambucanos.

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