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Santa Catarina vira o paraíso de quem mata animal e fica impune

A justiça de SC lava as mãos no sangue do cão orelha: a vitória da impunidade e das grandes fortunas

Orelha em sua casinha. Foto: Reprodução / Gazeta do Povo

A decisão do Ministério Público de Santa Catarina de pedir o arquivamento do caso do cão Orelha não é apenas um balde de água fria na face da proteção animal brasileira; é um escárnio jurídico que cheira ao mofo das conveniências sociais. Ao alegar que o animal morreu devido a uma "condição grave e preexistente" e que havia "inconsistências temporais" nas câmeras que colocavam os agressores a uma distância conveniente, o judiciário catarinense envia um recado ensurdecedor: em terras de grandes fortunas, a crueldade tem preço e a justiça tem dono.

​O teatro do arquivamento e a blindagem da elite


​É conveniente e higiênico demais. Transformar uma agressão brutal na Praia Brava, relatada por testemunhas e inicialmente investigada como crime, em uma "coincidência biológica" desafia a inteligência de qualquer cidadão. Orelha, um cão comunitário, não teve a sorte de morrer de causas naturais no exato momento em que era alvo de sadismo. Ele morreu porque a balança da justiça, em Santa Catarina, parece pender sempre para o lado de quem pode pagar advogados de renome e sustentar narrativas de "bons meninos" de famílias influentes.

​A promotoria utilizou 170 páginas para tentar convencer a sociedade de que o que vimos não aconteceu, ignorando que o animal foi submetido a eutanásia após o sofrimento atroz.
 

​Segurança seletiva: o "estado modelo" de jorginho mello


​O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), ostenta com orgulho em sua biografia no Instagram que o estado é o "mais seguro do Brasil". Diante do sangue de Orelha e de tantos outros casos que se multiplicam no estado, a pergunta é inevitável: seguro para quem? Certamente não para os animais.

​A propaganda oficial do governo Jorginho Mello parece ignorar que a segurança não existe onde a barbárie contra seres indefesos é ignorada pela caneta da promotoria. A "segurança" catarinense revela-se um conceito seletivo, que protege o agressor de elite enquanto deixa a fauna urbana à mercê da psicopatia juvenil.

​Coação e silenciamento: o caso do porteiro

​Para que a narrativa do arquivamento prosperasse, foi preciso ignorar detalhes sórdidos que cercaram a investigação. É preciso resgatar que o porteiro do prédio que detinha as imagens originais do crime não enfrentou apenas a burocracia, mas sofreu ameaças diretas para que o material não viesse a público ou fosse adulterado.

​Quando o sistema se mobiliza para intimidar testemunhas e silenciar quem detém a prova do crime, fica claro que não estamos falando de busca pela verdade, mas de uma operação de limpeza de imagem para os herdeiros da elite catarinense. O estado que se diz o mais seguro é, na verdade, o que mais intimida quem ousa denunciar os poderosos.

​A indignação dos protetores e o legado da impunidade


​A revolta que consome ONGs, protetores e protetoras não é apenas luto, é humilhação. Ver o Ministério Público articular um veredito que ignora a agonia de um ser vivo é a institucionalização da impunidade. O recado foi dado pelo sistema: Santa Catarina está de portas abertas para quem quiser maltratar e torturar, desde que tenha o sobrenome certo ou o CEP adequado.

​O judiciário catarinense não apenas lavou as mãos; ele se curvou diante do poder econômico. Para os defensores da causa animal, resta a vergonha de um estado que se diz modelo, mas que se consagra como o pior exemplo de proteção à vida no país. Justiça para Orelha não virá dos tribunais de Santa Catarina, pois lá a empatia foi arquivada junto com o processo, sob as bênçãos de um governo que só enxerga segurança nos números que lhe convêm.

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