PSOL/Rede retira Jô Cavalcanti do Senado e redefine estratégia eleitoral em Pernambuco para evitar dispersão de votos e fortalecer campo progressista.
![]() |
| PSOL/Rede retira Jô Cavalcanti da disputa ao Senado. Foto: Divulgação / Câmara do Recife |
A federação formada por PSOL e Rede Sustentabilidade decidiu retirar a pré-candidatura da vereadora do Recife Jô Cavalcanti ao Senado Federal nas eleições de outubro. A decisão foi anunciada na noite da última segunda-feira (4), durante reunião realizada na sede do diretório estadual do PSOL, na capital pernambucana.
Com a mudança, Jô Cavalcanti passará a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), retomando um espaço que já ocupou entre 2019 e 2022, quando foi eleita pelo coletivo Juntas.
Estratégia eleitoral e risco de dispersão de votos
Segundo a direção estadual do PSOL, a decisão está relacionada à avaliação do cenário eleitoral para o Senado em Pernambuco. O partido argumenta que a presença de múltiplas candidaturas no campo progressista poderia fragmentar o eleitorado e dificultar a conquista das duas vagas em disputa.
De acordo com o posicionamento apresentado na reunião, a soma das pré-candidaturas de nomes como Túlio Gadêlha, Marília Arraes e Humberto Costa, além de Jô Cavalcanti, poderia favorecer candidaturas ligadas à direita ou ao chamado Centrão.
“A dispersão de votos poderia inviabilizar uma segunda cadeira para o campo progressista, gerando risco de isolamento político”, avaliou a direção partidária durante o encontro.
Ainda segundo o PSOL, o objetivo é preservar a estratégia da esquerda pernambucana de eleger dois representantes alinhados ao campo progressista para o Senado Federal.
Decisão em consenso, segundo a federação
O presidente estadual da federação, Jerônimo Galvão, afirmou que a decisão foi tomada em consenso com a vereadora. A declaração indica que o reposicionamento não ocorreu de forma unilateral, mas sim dentro de um processo interno de diálogo.
Procurada pela reportagem, a assessoria de Jô Cavalcanti enviou uma nota oficial destacando que o debate interno tem sido conduzido de forma coletiva e estratégica.
“O debate dentro da federação tem girado em torno de dois pontos centrais: a importância de construir uma chapa competitiva para a manutenção da vaga da nossa federação na Alepe e a necessidade de fortalecer candidaturas do nosso campo político”, informou a nota.
Foco na Alepe e fortalecimento partidário
De acordo com a manifestação da assessoria, a prioridade da federação neste momento também envolve a manutenção da representação na Assembleia Legislativa. O reposicionamento de Jô Cavalcanti seria parte desse esforço.
A nota ainda destaca que o processo de decisão considera o cenário político mais amplo e o alinhamento com projetos nacionais.
“Há um esforço legítimo de construção política, sempre orientado pelo compromisso com a federação e com o fortalecimento do nosso campo”, completa o texto.
Desempenho nas pesquisas eleitorais
Levantamentos recentes de intenção de voto ajudam a contextualizar a decisão. Na última pesquisa do Datafolha para o Senado em Pernambuco, Jô Cavalcanti apareceu com 6% das intenções de voto.
Já em levantamento divulgado pela Quaest na semana anterior, a parlamentar alcançou 4% no melhor cenário testado.
Os números indicam que, embora presente na disputa, a candidatura ainda não figurava entre as primeiras posições, o que pode ter influenciado a avaliação estratégica da federação.
Trajetória política de Jô Cavalcanti
Atualmente vereadora do Recife, Jô Cavalcanti tem trajetória ligada a movimentos sociais e à política coletiva. Ela ganhou projeção ao integrar o mandato coletivo Juntas, que conquistou uma cadeira na Alepe nas eleições de 2018.
Durante seu período como deputada estadual, atuou em pautas relacionadas a direitos humanos, políticas públicas e participação social. Sua atuação na Câmara Municipal do Recife segue essa linha, com foco em temas sociais e urbanos.
Cenário político e múltiplas candidaturas
O cenário para o Senado em Pernambuco ainda está em formação, mas já conta com nomes relevantes do campo progressista e de outras forças políticas. A decisão da federação PSOL/Rede reflete uma tentativa de organização interna diante desse quadro competitivo.
Especialistas em ciência política apontam que, em disputas majoritárias com múltiplas candidaturas ideologicamente próximas, há maior risco de fragmentação do voto, o que pode beneficiar adversários com bases eleitorais mais consolidadas.
Por outro lado, setores da política defendem que a pluralidade de candidaturas também amplia o debate democrático e permite maior representação de diferentes segmentos da sociedade.
Repercussões e próximos passos
Até o momento, não houve posicionamentos públicos detalhados de outros pré-candidatos citados sobre a decisão da federação. O movimento, no entanto, pode influenciar futuras articulações políticas no estado.
A definição oficial das candidaturas dependerá do calendário eleitoral e das convenções partidárias, previstas para os meses que antecedem o pleito.
A retirada da pré-candidatura de Jô Cavalcanti ao Senado pela federação PSOL/Rede representa uma mudança estratégica no cenário político de Pernambuco. A decisão busca evitar a dispersão de votos no campo progressista e fortalecer a presença da federação na Assembleia Legislativa.
Tomada em consenso, segundo dirigentes, a medida reflete avaliações internas baseadas em pesquisas eleitorais e no contexto político estadual. O impacto da decisão dependerá das próximas movimentações partidárias e da consolidação das candidaturas até as eleições.

0 Comentários