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O Peru vai às urnas neste Domingo em um segundo turno cercado de tensão e polarização. O país decide seu 10º presidente em 10 anos.

Eleições no Peru: Empate técnico entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez marca o segundo turno presidencial

2° turno presidencial no Peru, a esquerda contra forças conservadoras.
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez se enfrentam dia 07de Junho no segundo turno. Foto: BBC

Os cerca de 27 milhões de peruanos aptos a votar retornam às urnas neste domingo para decidir o futuro político do país andino. O segundo turno das eleições no Peru coloca em lados opostos a conservadora Keiko Fujimori, liderança da direita fujimorista, e o esquerdista Roberto Sánchez, ex-ministro e deputado federal. De acordo com as últimas pesquisas divulgadas por institutos locais, como o Ipsos, os dois concorrentes aparecem em situação de estrito empate técnico. O cenário reflete a profunda polarização de uma nação que busca um caminho para superar uma das maiores crises de representatividade e estabilidade institucional de sua história recente.

​O primeiro turno, que contou com um recorde de 35 candidaturas presidenciais, expôs a fragmentação do eleitorado. Nenhum dos dois finalistas conseguiu alcançar sequer 20% dos votos válidos na rodada inicial, marcada por atrasos logísticos e contestações de atas. Contudo, na reta final da campanha, o debate se afunilou entre a busca por ordem e segurança em uma plataforma de direita e o clamor por mudanças radicais e reformas institucionais liderado pela esquerda.

​As propostas de Keiko Fujimori: Ordem, segurança e livre mercado

​Disputando a presidência da República pela quarta vez consecutiva, Keiko Fujimori, líder do partido Força Popular e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, centralizou seu discurso na restauração da autoridade governamental. Diante do aumento de mais de 20% nos índices de extorsão e da escalada da criminalidade urbana urbana, a candidata promete uma resposta rápida por meio do fortalecimento das forças policiais e de decretos de emergência.

​No campo econômico, a candidata defende a manutenção do atual modelo de livre mercado do Peru, que, apesar das crises políticas na última década, manteve indicadores de inflação e câmbio sob relativo controle técnico. Suas principais metas incluem:

  • ​Atração de investimentos estrangeiros diretos na mineração e infraestrutura;
  • ​Controle rígido das fronteiras e a expulsão imediata de imigrantes em situação irregular;
  • ​Aproximação diplomática e comercial com os Estados Unidos e blocos ocidentais.

​Durante seu comício de encerramento, Fujimori enfatizou que sua plataforma representa a única barreira para evitar o que chamou de "caos e retrocesso econômico", associando o projeto adversário a modelos de esquerda autoritária na região.

​O projeto de Roberto Sánchez: Nova Constituição e foco social

​Por outro lado, Roberto Sánchez, psicólogo de formação e presidente do partido Juntos pelo Peru, consolidou sua ascensão política ao angariar o apoio do eleitorado rural e do interior do país. Sánchez se apresenta como o herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, que foi destituído e preso após uma tentativa de fechar o Parlamento. Durante a campanha, o candidato da esquerda moderou pontos de seu discurso econômico para acalmar os mercados locais, mas manteve bandeiras históricas de reforma estrutural.

​Entre as principais propostas de Roberto Sánchez, destacam-se:

  • ​Convocação de uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Carta Magna, substituindo a atual de 1993;
  • ​Concessão de indulto presidencial a Pedro Castillo, sob o argumento de perseguição de alas conservadoras do Parlamento;
  • ​Maior interferência do Estado na regulação de setores estratégicos e fortalecimento de programas de desenvolvimento social voltados para as províncias agrícolas.

​Sánchez utiliza em seus atos o chapéu de camponês dado por Castillo e argumenta que sua vitória simboliza o fim da corrupção e dos privilégios das elites corporativas baseadas na capital, Lima.

​Contexto de uma crise institucional crônica

​A grande preocupação de analistas internacionais não reside apenas no nome de quem vencerá o pleito, mas sim nas condições de governabilidade que o futuro mandatário encontrará. O Peru enfrenta um histórico de alta volatilidade no Poder Executivo. Para se ter uma ideia da dimensão desse desgaste, o país teve dez chefes de Estado diferentes no espaço de uma década, impulsionados por uma sucessão veloz de processos de impeachment, renúncias forçadas e cassações parlamentares.

​Desde o ano 2000, somente três presidentes conseguiram cumprir integralmente os seus mandatos de cinco anos. O atual presidente interino, José María Balcázar, assumiu o posto após o Congresso destituir o líder anterior, José Jerí, refletindo o cabo de guerra contínuo entre os poderes Executivo e Legislativo. Quem quer que venha a assumir o Palácio de Governo terá que negociar com um Parlamento altamente fragmentado e sem maiorias claras, o que pode renovar o ciclo de tensões institucionais.

​O que se espera após a abertura das urnas?

​As projeções indicam que a definição do vencedor das eleições no Peru dependerá diretamente do comportamento dos eleitores indecisos e da taxa de comparecimento nas seções eleitorais, onde o voto é obrigatório por lei. Observadores internacionais expressam receio de que uma vitória por margem muito estreita resulte em acusações recíprocas de irregularidades, arrastando a contagem de votos para os tribunais e atrasando a proclamação do resultado oficial.

​Em suma, o cenário pós-eleitoral exigirá pragmatismo e moderação. Caso Keiko Fujimori seja eleita, precisará atenuar o forte sentimento anti-fujimorista que mobiliza grandes parcelas da população. Se Roberto Sánchez sair vitorioso, terá o desafio imediato de sinalizar responsabilidade fiscal para afastar o risco de fuga de capitais, garantindo que o crescimento econômico do país não seja interrompido. O resultado deste domingo redefinirá a balança geopolítica da América do Sul e o rumo democrático do Peru.

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