Boletim Focus do Banco Central reduz projeção da inflação para 5,30% em 2026. Mercado mantém expectativa para Selic, PIB e dólar.
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| Mercado reduz previsão da inflação pela primeira vez em quatro meses. Foto: Marcello Casal Jr /Agência Brasil |
A projeção da inflação brasileira para 2026 voltou a recuar pela primeira vez em 16 semanas. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC), a expectativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,33% para 5,30%.
Apesar da redução, a previsão continua acima da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O levantamento também manteve praticamente inalteradas as expectativas para juros, crescimento da economia e câmbio nos próximos anos.
O que mostra o Boletim Focus
O Boletim Focus reúne semanalmente as projeções de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central sobre os principais indicadores econômicos do país. Os dados servem como referência para acompanhar a percepção do mercado, embora não representem projeções oficiais do governo.
A redução da estimativa do IPCA interrompe uma sequência de 16 semanas consecutivas de estabilidade ou alta nas previsões para a inflação. Ainda assim, o percentual esperado permanece acima do teto da meta estabelecida pelo CMN, indicando que o mercado continua projetando um cenário de inflação elevada para este ano.
Projeções da inflação
As estimativas divulgadas pelo mercado financeiro ficaram distribuídas da seguinte forma:
- 2026: 5,30% (ante 5,33% na semana anterior);
- 2027: 4,18% (ante 4,17%);
- 2028: 3,70%;
- 2029: 3,50%.
Embora a projeção para este ano tenha sido revisada para baixo, a expectativa para 2027 apresentou uma leve alta. Já as previsões para 2028 e 2029 permaneceram estáveis.
Selic permanece em patamar elevado
O mercado manteve a expectativa de que a taxa básica de juros (Selic) termine 2026 em 14% ao ano.
Atualmente, a Selic está em 14,25%, percentual definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião encerrada em 17 de junho. Com a manutenção da projeção, os analistas continuam prevendo ao menos uma redução da taxa ainda neste ano.
A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 4 e 5 de agosto, quando o Banco Central deverá reavaliar o cenário econômico e os indicadores de inflação.
As expectativas para os anos seguintes permaneceram praticamente inalteradas:
Projeções da Selic
- 2026: 14%
- 2027: 12%
- 2028: 10,5%
- 2029: 10%
A política monetária é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais elevados tendem a reduzir o consumo e o crédito, contribuindo para conter a alta dos preços.
Crescimento da economia segue próximo de 2%
As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, permaneceram praticamente estáveis.
Para 2026, o mercado manteve a expectativa de crescimento de 1,99%.
Já para 2027, houve uma pequena revisão, passando de 1,68% para 1,69%.
As estimativas para 2028 e 2029 continuaram em 2% para ambos os anos.
Os números indicam que os analistas continuam projetando um crescimento moderado da economia brasileira nos próximos anos.
Mercado mantém previsão para o dólar
As expectativas para o câmbio também permaneceram praticamente inalteradas.
Segundo o Boletim Focus, a previsão para a cotação do dólar é de:
- 2026: R$ 5,20;
- 2027: R$ 5,58;
- 2028: R$ 5,35;
- 2029: R$ 5,40.
As projeções refletem a percepção do mercado sobre fatores internos e externos que podem influenciar a moeda norte-americana, como política monetária, cenário internacional e desempenho da economia brasileira.
Cenário continua exigindo atenção
Embora a revisão da inflação represente uma melhora em relação à semana anterior, o índice projetado continua acima do intervalo de tolerância da meta oficial, o que mantém o desafio para a política monetária do Banco Central.
Ao mesmo tempo, a manutenção das projeções para juros, crescimento econômico e câmbio indica que o mercado ainda espera um cenário de estabilidade nas principais variáveis macroeconômicas, sem mudanças significativas no curto prazo.
O Boletim Focus continuará sendo acompanhado nas próximas semanas para verificar se a redução das expectativas para a inflação representa uma tendência mais consistente ou apenas um ajuste pontual nas projeções do mercado financeiro.

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