Pernambuco registrou a menor taxa histórica de mortes violentas intencionais em 2025, mas continua entre os cinco estados mais violentos do Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026.
![]() |
| Pernambuco reduz violência letal, mas continua entre os estados mais violentos do país. Foto: SDS/Divulgação |
Pernambuco alcançou em 2025 a menor taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) desde o início da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, iniciada em 2012. Apesar do avanço, o estado ainda ocupa a quinta posição entre as unidades da federação com os maiores índices de violência letal do Brasil.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), por meio do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, considerado uma das principais referências nacionais sobre criminalidade e políticas de segurança.
Segundo o levantamento, Pernambuco registrou uma taxa de 33 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025, contra 36,4 por 100 mil em 2024, representando uma redução de 9,3% em apenas um ano.
Mesmo com essa queda significativa, o estado permanece atrás apenas de Amapá (42,5), Bahia (36,8), Ceará (34,7) e Alagoas (33,1), formando o grupo dos cinco estados com os maiores índices de violência letal do país.
Menor índice desde 2012 representa avanço importante
O resultado representa um marco para Pernambuco. Desde que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública passou a consolidar os dados nacionais, em 2012, nunca o estado havia registrado uma taxa tão baixa de mortes violentas.
Além disso, Pernambuco ficou na 10ª posição entre os estados brasileiros que mais reduziram a violência letal em 2025, reforçando uma tendência de queda observada nos últimos anos.
As Mortes Violentas Intencionais (MVI) englobam:
- homicídios dolosos (com intenção de matar);
- latrocínios (roubo seguido de morte);
- feminicídios;
- lesões corporais seguidas de morte;
- mortes decorrentes de intervenção policial.
O indicador é considerado mais abrangente do que apenas os homicídios e permite avaliar de forma mais precisa o cenário da violência.
Brasil atinge meta nacional de redução dos homicídios antes do previsto
O Anuário também aponta uma notícia positiva em âmbito nacional.
Pela primeira vez, o Brasil alcançou antecipadamente a meta prevista pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para 2027.
O país registrou:
- 32.914 homicídios dolosos em 2025;
- taxa de 15,4 homicídios por 100 mil habitantes;
- redução de 10% em relação a 2024.
A meta nacional estabelecida era atingir até 2027 uma taxa máxima de 16 homicídios por 100 mil habitantes, objetivo alcançado dois anos antes do prazo.
Quando são consideradas todas as Mortes Violentas Intencionais, o Brasil contabilizou 40.775 ocorrências, com taxa nacional de 19,1 mortes por 100 mil habitantes, representando:
- queda de 8,2% em relação a 2024;
- redução acumulada de 31% desde 2012.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a redução é impulsionada principalmente pela diminuição dos homicídios dolosos.
Feminicídios e letalidade policial continuam preocupando
Apesar da redução geral da violência letal, o Anuário alerta que duas modalidades continuam crescendo no país:
- feminicídios;
- mortes decorrentes de intervenção policial.
Segundo o relatório, essa tendência demonstra que a redução da violência não beneficia todos os grupos da população da mesma forma.
O documento destaca ainda que episódios de grande letalidade policial, como a Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro, evidenciam a necessidade de aperfeiçoar mecanismos de controle do uso da força por parte do Estado.
O Fórum afirma que o avanço nacional na redução dos homicídios deve ser comemorado, mas ressalta que o crescimento das mortes provocadas por intervenções policiais representa um desafio importante para a política de segurança pública brasileira.
Cabo de Santo Agostinho permanece entre as cidades mais violentas do Brasil
O levantamento também analisou os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.
Em Pernambuco, o Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, aparece novamente entre as dez cidades mais violentas do país.
Em 2025, o município registrou:
- 65,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes;
- 8ª posição nacional.
Apesar da permanência no ranking, houve melhora em relação ao ano anterior.
Em 2024, o Cabo ocupava a 5ª colocação, com taxa de 73,3 mortes por 100 mil habitantes.
Outro dado que chama atenção é que todas as dez cidades mais violentas do Brasil estão localizadas na Região Nordeste.
A Bahia lidera o ranking estadual entre os municípios mais violentos, com cinco cidades na lista, seguida pelo Ceará, com três municípios. Pernambuco e Paraíba aparecem com uma cidade cada.
Pernambuco registra aumento nos feminicídios
Embora a violência letal tenha diminuído de forma geral, Pernambuco apresentou crescimento nos casos de feminicídio.
Os registros passaram de:
- 78 vítimas em 2024
- para 88 vítimas em 2025
O aumento foi de 12,5%.
Já as tentativas de feminicídio apresentaram pequena redução.
Os números passaram de:
- 156 casos em 2024
- para 151 em 2025.
Os dados mostram que a violência contra a mulher continua sendo um dos principais desafios da segurança pública estadual.
Tráfico de drogas cresce no estado
Outro indicador que apresentou alta foi o tráfico de drogas.
Em 2025, Pernambuco registrou:
- 9.773 ocorrências de tráfico, contra
- 9.090 em 2024,
representando crescimento de 7,3%.
Por outro lado, houve forte redução nos registros relacionados à posse e ao uso de drogas.
As notificações caíram de:
- 15.823 ocorrências em 2024
- para 11.678 em 2025,
queda de 26,4%.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essa redução pode estar relacionada aos efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o porte de maconha para uso pessoal.
Ao mesmo tempo, o relatório aponta que o aumento dos registros de tráfico está ligado tanto às mudanças na atuação das forças policiais quanto à crescente pressão exercida pelo mercado internacional da cocaína sobre o Brasil.
Desafio permanece para Pernambuco
Embora os indicadores revelem avanços importantes na redução da violência letal, Pernambuco ainda enfrenta desafios significativos.
A permanência entre os cinco estados mais violentos do país demonstra que a redução dos índices precisa ser sustentada ao longo dos próximos anos para que o estado deixe esse grupo.
Ao mesmo tempo, o crescimento dos feminicídios e das ocorrências de tráfico de drogas evidencia que as políticas públicas precisam avançar não apenas na repressão ao crime, mas também na prevenção, proteção às mulheres e fortalecimento das ações de inteligência e investigação.
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que Pernambuco vive um momento de melhora histórica nos indicadores de mortes violentas, mas ainda convive com elevados níveis de criminalidade quando comparado ao restante do país, mantendo a segurança pública como um dos principais desafios da gestão estadual.

0 Comentários