Thiago Medina causa reação após comentar protesto em defesa de Jô Cavalcanti. Vereadora afirma que fará novas denúncias por racismo e LGBTfobia.
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| Thiago Medina é acusado de racismo por Jô Cavalcanti. Foto: Arnaldo Sete/Marco Zero |
O vereador Thiago Medina (PL), candidato a deputado federal pelo Recife, causou reação nesta terça-feira (1º) após comentar, durante sessão plenária da Câmara Municipal, o protesto realizado pela manhã em defesa da vereadora Jô Cavalcanti (PSOL). Segundo relato publicado pelo Marco Zero, Medina afirmou que teve “mais medo do odor” do que das falas feitas durante o ato, que reuniu cerca de 30 pessoas, principalmente integrantes de organizações e coletivos de mulheres negras.
Jô Cavalcanti afirmou que a declaração se referiu às mulheres negras presentes na manifestação e disse que pretende apresentar novas representações contra Medina no Ministério Público de Pernambuco e na Comissão de Ética da Câmara, por suposto racismo e LGBTfobia.
O que aconteceu na Câmara do Recife
O episódio ocorreu durante a sessão plenária da Câmara Municipal do Recife nesta terça-feira (1º). Pela manhã, um grupo de aproximadamente 30 pessoas realizou um protesto na entrada da Casa em apoio à vereadora Jô Cavalcanti.
De acordo com a cobertura do Marco Zero, a manifestação contou principalmente com organizações sociais e coletivos de mulheres negras. O ato teve como objetivo denunciar episódios que os participantes classificam como racistas e misóginos contra a parlamentar.
Durante a sessão, Thiago Medina comentou o protesto e afirmou que havia ficado mais incomodado com o odor no local do que com as falas dos manifestantes. A declaração provocou nova reação de Jô Cavalcanti.
O que Jô Cavalcanti afirma
A vereadora, que é a única parlamentar negra da atual legislatura, afirmou que Medina utilizou a tribuna para associar o odor às mulheres negras que participaram do ato.
Segundo Jô, o episódio será levado novamente às instâncias de controle. Ela informou que pretende protocolar representações no Ministério Público de Pernambuco e na Comissão de Ética da Câmara por supostas práticas de racismo e LGBTfobia.
Até o momento, conforme as informações disponíveis para esta reportagem, não foi divulgada decisão dessas instituições sobre as novas representações mencionadas pela vereadora.
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| Vereadora Jô Cavalcanti do PSOL. Foto: Divulgação |
Conflito entre os vereadores se arrasta há semanas
O novo episódio ocorre em meio a uma sequência de confrontos entre Jô Cavalcanti e Thiago Medina.
Em agosto, os dois parlamentares protagonizaram uma discussão durante o debate sobre o Projeto de Lei nº 147/2026, de autoria de Jô, que propunha instituir o Dia Municipal da Mestra Ritinha no calendário oficial do Recife.
A proposta previa que a data fosse celebrada em 25 de abril e buscava reconhecer a importância da Mestra Ritinha como entidade espiritual da Jurema Sagrada, além de valorizar a tradição religiosa e cultural.
Durante a discussão, Medina criticou a proposta. A Câmara registrou que o vereador ocupou a tribuna para se posicionar contra o projeto.
Projeto da Mestra Ritinha foi rejeitado
O Projeto de Lei nº 147/2026 acabou rejeitado pelo plenário da Câmara do Recife em 18 de agosto, por 12 votos a sete.
Segundo a própria Câmara, a iniciativa tinha como objetivo reconhecer, valorizar e dar visibilidade à importância da Mestra Ritinha e da Jurema Sagrada para a formação histórica, social e identitária do Recife.
O episódio também provocou acusações de intolerância religiosa e racismo. A discussão entre os parlamentares ganhou repercussão depois que Jô Cavalcanti fez críticas ao colega durante a sessão. A imprensa registrou o bate-boca entre os dois vereadores.
Entenda a disputa na Comissão de Ética
O conflito também chegou à Comissão de Ética da Câmara.
Em 20 de agosto, a Subcomissão de Ética e Decoro Parlamentar aprovou parecer relacionado a uma denúncia contra Jô Cavalcanti. O processo administrativo nº 3975 teve entre os denunciantes Thiago Medina e outros vereadores.
Segundo a Câmara, a denúncia se refere a declarações feitas por Jô durante uma sessão de 3 de novembro de 2025. O parecer apontou que determinadas expressões utilizadas pela vereadora teriam ultrapassado os limites da crítica política. O caso ainda seria analisado pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.
A defesa de Jô, conforme a pauta fornecida para esta reportagem, contesta a decisão por considerar que as falas foram analisadas fora de contexto.
Por que o novo episódio ganhou repercussão
A declaração sobre o odor ocorreu em um momento de tensão política entre os dois parlamentares e após uma manifestação pública de apoio a Jô Cavalcanti.
A controvérsia envolve diferentes temas que se cruzaram nas últimas semanas: representação política de mulheres negras, liberdade religiosa, debate sobre a Jurema Sagrada, acusações de racismo e os limites das manifestações feitas por vereadores durante sessões parlamentares.
A Câmara Municipal do Recife já registrou oficialmente parte desse histórico. O projeto da Mestra Ritinha, por exemplo, foi discutido em plenário e posteriormente rejeitado.
O que acontece agora
Jô Cavalcanti afirma que pretende apresentar novas representações contra Thiago Medina no Ministério Público de Pernambuco e na Comissão de Ética da Câmara.
A eventual abertura de procedimentos, assim como qualquer conclusão sobre as acusações, dependerá da análise dos órgãos competentes.
Até a publicação desta reportagem, não foi apresentada decisão oficial sobre as novas representações anunciadas por Jô. Também não foi localizada, nas fontes consultadas, manifestação formal de Thiago Medina especificamente sobre a acusação de que a referência ao odor teria sido dirigida às mulheres negras presentes no protesto.
A disputa entre os parlamentares ocorre dentro da Câmara Municipal do Recife e envolve tanto divergências políticas quanto acusações relacionadas a racismo, intolerância religiosa e conduta parlamentar.
Um dos pontos centrais do conflito foi o Projeto de Lei nº 147/2026. A proposta de Jô Cavalcanti buscava incluir no calendário oficial do Recife o Dia Municipal da Mestra Ritinha, em 25 de abril. O texto destacava a Jurema Sagrada como tradição religiosa e cultural.
A proposta foi rejeitada por 12 votos a sete em 18 de agosto. A Câmara também registrou que Medina havia se manifestado contra o projeto durante o debate.
Paralelamente, existe um processo ético envolvendo Jô Cavalcanti. Segundo a Câmara, a denúncia diz respeito a falas feitas pela vereadora em novembro de 2025 e foi apresentada por um grupo de vereadores, entre eles Thiago Medina. O parecer aprovado pela Subcomissão de Ética ainda deveria ser analisado pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.
O novo episódio amplia a disputa entre Thiago Medina e Jô Cavalcanti na Câmara do Recife. A declaração do vereador sobre o protesto realizado em defesa da parlamentar provocou nova acusação de racismo por parte de Jô.
A vereadora afirma que levará o caso novamente ao Ministério Público de Pernambuco e à Comissão de Ética. Agora, caberá aos órgãos competentes avaliar eventuais representações e decidir se haverá abertura de procedimentos.
Enquanto isso, o embate entre os dois vereadores permanece marcado por discussões sobre racismo, representação política, liberdade religiosa e limites da atuação parlamentar.


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