Vídeo de Flávio Bolsonaro não esclarece emissão de notas fiscais para empresa ligada ao Banco Master.
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| Flávio Bolsonaro explica contrato de R$ 500 mil, mas deixa dúvidas sobre notas fiscais e relação com empresas ligadas ao Banco Master. Foto: Reprodução/ YouTube |
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), divulgou na quarta-feira (22) um vídeo nas redes sociais para esclarecer sua relação profissional com empresas ligadas ao conglomerado do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. Apesar das explicações, permaneceram questionamentos sobre um pagamento de R$ 500 mil recebido por seu escritório de advocacia e sobre a emissão e posterior cancelamento de notas fiscais destinadas a outra empresa do grupo.
Segundo Flávio Bolsonaro, seu escritório prestou serviços advocatícios para a empresa Contábil Correa, pertencente ao empresário Rogério Lourenço Novo, em uma contratação que classificou como "legal, lícita e privada".
O senador também afirmou que recusou prestar serviços à Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., empresa vinculada ao conglomerado do Banco Master, destacando que nunca recebeu qualquer pagamento da companhia.
Entretanto, as explicações deixaram algumas perguntas sem resposta.
Serviço prestado não foi detalhado
A nota fiscal emitida pelo escritório de Flávio Bolsonaro descreve apenas a prestação de "assessoria jurídica", no valor de R$ 500 mil.
No vídeo divulgado, o senador não especificou qual foi exatamente o serviço realizado para a Contábil Correa, tampouco informou se houve contrato formal ou acordo verbal.
Também não foram identificados processos judiciais ou procurações públicas que indiquem atuação do escritório em nome da empresa.
Relação entre Flávio Bolsonaro e Rogério Novo permanece sem explicação
Outro ponto que permaneceu sem esclarecimento foi como ocorreu o contato entre Flávio Bolsonaro e Rogério Lourenço Novo, proprietário da Contábil Correa.
A empresa, fundada em 2005, possui sede registrada em São Caetano do Sul (SP).
O senador não informou quem fez a aproximação entre as partes nem se houve algum intermediador na negociação.
Notas fiscais para Copenhagen foram emitidas e canceladas
Um dos principais questionamentos envolve duas notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro para a empresa Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., cada uma no valor de R$ 500 mil.
As notas foram emitidas em 7 de abril de 2025.
Uma delas foi cancelada no mesmo dia e a outra dois dias depois.
No vídeo, o parlamentar limitou-se a afirmar que recusou prestar serviços para a empresa, sem explicar por que as notas chegaram a ser emitidas antes da desistência da contratação.
Quais serviços estavam sendo negociados?
Flávio Bolsonaro também não detalhou quais serviços jurídicos estavam sendo discutidos com a Copenhagen nem quem representava oficialmente a empresa durante as negociações.
Em nota enviada ao portal Metrópoles, o senador declarou que foi consultado sobre a possibilidade de atender uma cliente da Contábil Correa.
Segundo ele:
"Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen, razão pela qual as notas fiscais foram canceladas."
Empresas compartilham endereço
A Contábil Correa e a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A. estão registradas no mesmo endereço comercial, localizado em um prédio no centro de São Caetano do Sul (SP).
Desde setembro de 2025, Rogério Lourenço Novo também figura como diretor da Copenhagen.
A empresa pertence ao Fundo Estônia, administrado pela Trustee DTVM, apontada como uma das gestoras responsáveis pela custódia de ativos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Até julho do ano passado, a Copenhagen tinha entre seus diretores Artur Martins de Figueiredo, que também exercia funções na Trustee.
Questionamentos continuam
Embora Flávio Bolsonaro tenha afirmado que todas as contratações ocorreram dentro da legalidade e que jamais recebeu recursos da Copenhagen, permanecem sem esclarecimento detalhes como:
- A natureza exata da assessoria jurídica de R$ 500 mil;
- A origem do contato entre o senador e Rogério Lourenço Novo;
- O motivo da emissão das notas fiscais antes da desistência da contratação;
- Quais serviços estavam sendo negociados com a Copenhagen;
- Quem representava oficialmente a empresa durante essas tratativas.
Até o momento, o senador sustenta que não há qualquer irregularidade nas operações realizadas por seu escritório de advocacia.

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