Consulta da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) avalia o uso da angiotomografia coronariana como exame inicial no SUS para pacientes com suspeita de doença arterial coronariana estável.
Angiotomografia coronariana entra em consulta no SUS
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| Angiotomografia coronariana pode mudar diagnóstico no SUSCréditos: Free Pik/Magnific |
A proposta avalia a utilização do exame como primeira linha para pacientes sintomáticos, com probabilidade pré-teste baixa ou intermediária e suspeita de doença arterial coronariana estável.
A consulta está disponível na plataforma Brasil Participativo. Para participar, o cidadão precisa fazer login com uma conta gov.br e responder ao formulário disponibilizado pela Conitec.
O que a consulta pública da Conitec avalia
A Consulta Pública nº 73/2026 discute a possível incorporação da angiotomografia coronariana como exame de primeira linha para um grupo específico de pacientes com sintomas e suspeita de doença arterial coronariana estável.
A análise não significa que o exame já tenha sido incorporado ao SUS. A consulta faz parte do processo de avaliação da tecnologia pela Conitec, que reúne evidências clínicas, econômicas e contribuições da sociedade antes da decisão final.
Segundo a página oficial da consulta, os interessados podem consultar o relatório técnico e o relatório destinado à sociedade antes de apresentar suas contribuições.
Como funciona a angiotomografia coronariana
A angiotomografia coronariana, também chamada de angiotomografia das artérias coronárias, utiliza tomografia computadorizada para produzir imagens das artérias que irrigam o coração.
O exame permite avaliar a presença de placas de aterosclerose e alterações nas artérias coronárias. Por ser uma técnica de imagem não invasiva, pode contribuir para a investigação de pacientes com sintomas compatíveis com doença arterial coronariana.
A proposta em análise considera justamente seu uso nas etapas iniciais da investigação de pacientes selecionados, em vez de recorrer diretamente a estratégias mais invasivas.
Por que o diagnóstico da doença coronariana é importante
A doença arterial coronariana ocorre quando há alterações nas artérias responsáveis pelo fornecimento de sangue ao músculo cardíaco. Entre os possíveis desfechos estão eventos cardiovasculares graves, como o infarto agudo do miocárdio.
As doenças cardiovasculares permanecem entre as principais causas de morte no Brasil. Dados publicados pelo Ministério da Saúde apontam que cerca de 14 milhões de brasileiros convivem com alguma doença cardiovascular e que aproximadamente 400 mil pessoas morrem anualmente em decorrência dessas enfermidades, equivalente a cerca de 30% das mortes no país.
O número apresentado no material que acompanha esta pauta é de aproximadamente 300 mil mortes por ano. Como as estimativas podem variar conforme o período, a metodologia e o conjunto de doenças considerado, o dado de 400 mil foi utilizado aqui por estar explicitamente publicado pelo Ministério da Saúde.
Estudo aponta possível redução de custos
Um estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia avaliou a custo-efetividade da angiotomografia coronariana como estratégia inicial para investigar pacientes com dor torácica estável e probabilidade intermediária de doença arterial coronariana.
A pesquisa comparou a angiotomografia coronariana com a angiografia coronariana invasiva e utilizou dados relacionados ao sistema privado de saúde brasileiro. O modelo considerou custos de exames, materiais médicos, hospitalizações por infarto e procedimentos de revascularização.
Na simulação para uma população de 100 mil vidas, os pesquisadores estimaram uma economia de R$ 1.021 por pessoa, chegando a aproximadamente R$ 102,07 milhões ao final de cinco anos.
É importante destacar que esses resultados se referem ao cenário da saúde suplementar analisado no estudo. Portanto, não devem ser apresentados como uma estimativa direta de economia para o SUS.
Projeção supera R$ 30 bilhões na saúde suplementar
O material apresentado pelos autores também aponta uma projeção econômica de grande escala quando os resultados são extrapolados para a população potencialmente elegível da saúde suplementar.
A estimativa de impacto acumulado superior a R$ 30 bilhões em cinco anos é uma projeção teórica associada ao cenário analisado. Ela não representa, por si só, uma previsão de economia do SUS caso a tecnologia seja incorporada.
O estudo também avaliou possíveis efeitos sobre infarto agudo do miocárdio, hospitalizações e procedimentos de revascularização.
O que a Conitec considera antes da decisão
A Conitec utiliza um processo de avaliação de tecnologias em saúde que considera diferentes tipos de evidências. Entre elas estão resultados clínicos, aspectos econômicos e informações relacionadas à utilização da tecnologia.
A participação social também integra esse processo. De acordo com a própria Conitec, as consultas públicas permitem que cidadãos apresentem opiniões, experiências e informações técnico-científicas sobre os temas em avaliação.
Na consulta sobre a angiotomografia coronariana, o formulário permite que participantes indiquem se são pacientes, cuidadores, profissionais de saúde, gestores, organizações da sociedade civil ou outros interessados.
Também é possível informar se houve experiência anterior com a tecnologia ou com outros exames destinados à mesma condição de saúde.
Quem pode participar da consulta
A consulta pública está aberta à sociedade. Entre os possíveis participantes estão:
pacientes;
familiares e cuidadores;
profissionais de saúde;
gestores do SUS;
organizações da sociedade civil;
empresas;
entidades e associações;
pesquisadores;
cidadãos interessados no tema.
O formulário também permite contribuições relacionadas às evidências clínicas e aos estudos econômicos. Documentos técnicos podem ser anexados conforme as regras estabelecidas na plataforma.
Como participar da Consulta Pública nº 73/2026
A contribuição pode ser feita pela plataforma Brasil Participativo.
Para participar, o interessado deve:
Acessar a página oficial da Consulta Pública nº 73/2026.
Fazer login com uma conta gov.br.
Ler o relatório técnico ou o relatório para a sociedade.
Responder ao questionário.
Informar sua opinião sobre a possível incorporação da tecnologia.
Apresentar comentários, experiências ou contribuições técnicas.
Anexar documentos, quando pertinente.
Enviar a contribuição até 24 de agosto de 2026.
A página oficial informa que o usuário precisa estar logado para contribuir. A plataforma também alerta que a sessão pode ser encerrada após 30 minutos, sendo necessário novo login para finalizar a participação.
Consulta oficial: Brasil Participativo – Consulta Pública nº 73/2026
O que acontece depois da consulta
As contribuições recebidas passam a integrar o processo de avaliação da tecnologia. A Conitec analisa as informações e segue as etapas previstas para a tomada de decisão sobre a incorporação.
Portanto, a abertura da consulta não significa uma decisão definitiva sobre a presença da angiotomografia coronariana no SUS.
O resultado dependerá da avaliação das evidências e das deliberações posteriores da Comissão.
Contexto sobre doenças cardiovasculares no Brasil
As doenças cardiovasculares representam um importante desafio para o sistema de saúde brasileiro. O Ministério da Saúde destaca a necessidade de prevenção, diagnóstico e tratamento adequados para reduzir complicações e mortes relacionadas a essas enfermidades.
Nesse contexto, a discussão sobre métodos de diagnóstico tem impacto não apenas sobre a identificação de pacientes com doença coronariana, mas também sobre a escolha das estratégias de acompanhamento e tratamento.
A eventual incorporação da angiotomografia coronariana ao SUS ainda depende da conclusão do processo de avaliação. Até lá, a consulta pública oferece à sociedade a possibilidade de apresentar evidências, experiências e argumentos sobre a tecnologia.
O que acontece agora
A angiotomografia coronariana permanece em avaliação pela Conitec. A etapa de participação social ficará aberta até 24 de agosto de 2026.
O estudo brasileiro citado na pauta aponta potencial de redução de custos e de eventos clínicos no cenário da saúde suplementar. Entretanto, seus resultados econômicos não devem ser confundidos com uma previsão de impacto financeiro para o SUS.
A próxima etapa será a análise das contribuições e o prosseguimento da avaliação da tecnologia pela Conitec. Até a decisão final, o exame não pode ser tratado como uma nova tecnologia já incorporada ao SUS.
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