Terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia na segunda-feira (10), provocou mortes e destruiu imóveis; buscas por desaparecidos continuam.

Terremoto na Colômbia: buscas continuam por sobreviventes
Terremoto na Colômbia: buscas continuam por sobreviventes Foto: Jaime Saldarriaga AFP

O terremoto na Colômbia de magnitude 7,4 atingiu o oeste do país às 7h34 de segunda-feira (10), pelo horário local, com epicentro na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó. O abalo provocou destruição em cidades como Pereira, Cali, Manizales e Armenia e deixou pelo menos 224 mortos, segundo o balanço mais recente divulgado por autoridades locais e reportado pela imprensa internacional.

As equipes de emergência permanecem mobilizadas nesta terça-feira (11) para localizar pessoas que continuam desaparecidas ou presas sob os escombros. A dimensão da tragédia ainda está sendo calculada, e os números podem aumentar à medida que os trabalhos de busca avançam.

O que aconteceu no terremoto na Colômbia

O terremoto ocorreu às 7h34 de segunda-feira e teve magnitude 7,4. O epicentro foi localizado na região de San José del Palmar, no Chocó, enquanto a profundidade foi estimada em aproximadamente 100 a 110 quilômetros.

A profundidade do tremor ajudou a explicar uma característica do evento: apesar da grande magnitude, os efeitos foram distribuídos por uma área extensa. O abalo foi sentido em diversas regiões do país.

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, o terremoto já havia sido seguido por dezenas de réplicas. O Serviço Geológico Colombiano registrou 47 réplicas até o fim da tarde de segunda-feira, com magnitudes de até 4,8.

Terremoto na Colômbia provoca destruição

Pereira e Cali estão entre as áreas mais afetadas. Edifícios, casas, escolas e unidades de saúde sofreram danos ou desabaram, enquanto equipes de resgate trabalham para localizar vítimas.

Dados publicados nesta terça-feira apontam pelo menos 61 edifícios colapsados e 1.575 imóveis afetados. O levantamento ainda é preliminar e pode ser atualizado conforme as autoridades conseguem acessar regiões atingidas.

Além dos danos às construções, o terremoto provocou interrupções em serviços essenciais e afetou a infraestrutura de transporte. A Reuters informou que seis aeroportos foram fechados e que houve problemas no fornecimento de eletricidade, água e comunicação em áreas atingidas.

Buscas continuam por desaparecidos

O trabalho das equipes de emergência entrou em uma fase crítica nesta terça-feira. Bombeiros, socorristas, voluntários e equipes especializadas procuram sobreviventes entre os escombros.

A estimativa mais recente aponta que mais de 3 mil pessoas podem estar desaparecidas. A situação, porém, ainda é dinâmica, porque interrupções nas comunicações dificultam a confirmação dos números em algumas regiões.

Em diferentes pontos, máquinas pesadas são utilizadas para retirar concreto e estruturas metálicas. Em locais onde o uso de equipamentos pode colocar sobreviventes em risco, os socorristas também fazem buscas manualmente.

Quais cidades foram mais afetadas

Os principais impactos foram registrados no oeste e no centro-oeste da Colômbia.

Entre as cidades e regiões atingidas estão:

  • Pereira, no departamento de Risaralda;
  • Cali, capital do Valle del Cauca;
  • Manizales, em Caldas;
  • Armenia, no Quindío;
  • Quibdó, capital do Chocó;
  • Buenaventura, no Valle del Cauca.

As informações disponíveis indicam que Pereira e Cali concentram parte significativa dos danos e das operações de resgate.

Por que o terremoto foi tão forte?

A Colômbia está em uma região de elevada atividade sísmica. O Serviço Geológico Colombiano explica que o país está sob influência da interação entre as placas tectônicas de Nazca, Sul-Americana e Caribe.

Na região do Pacífico, a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana. Esse processo, conhecido como subducção, está relacionado à formação dos Andes e à ocorrência de terremotos na região.

O Serviço Geológico Colombiano mantém uma rede de monitoramento permanente para acompanhar a atividade sísmica e fornecer informações às autoridades responsáveis pela prevenção e resposta a desastres.

Réplicas podem continuar

A ocorrência de réplicas é esperada após um terremoto de grande magnitude. Por isso, as autoridades mantêm o alerta e recomendam que moradores de áreas atingidas sigam as orientações oficiais.

Especialistas ouvidos pelo El País afirmaram que novas réplicas podem ocorrer nos próximos meses. A intensidade e o momento desses eventos, entretanto, não podem ser determinados com precisão antecipadamente.

A população também é orientada a evitar edifícios que tenham apresentado danos estruturais. O risco aumenta quando pessoas retornam a imóveis que podem ter sido comprometidos pelo primeiro tremor ou pelas réplicas.

Governo declara emergência e amplia resposta

O governo colombiano mobilizou equipes de emergência e estruturas de atendimento para atuar nas regiões afetadas. O presidente Abelardo de la Espriella declarou emergência nacional e acompanhou as operações de resposta.

A prioridade, segundo as autoridades, é localizar sobreviventes, prestar atendimento médico, retirar pessoas de áreas de risco e garantir a chegada de ajuda às comunidades atingidas.

A dimensão da operação também levou entidades esportivas a alterar a programação. A Conmebol adiou partidas de competições continentais, enquanto a liga nacional colombiana suspendeu os jogos previstos para a semana.

Contexto: por que a Colômbia registra terremotos?

O terremoto ocorre em um país historicamente sujeito a eventos sísmicos. Segundo o Serviço Geológico Colombiano, a configuração tectônica da região faz da Colômbia um território sísmico ativo.

A atividade está relacionada principalmente à interação entre diferentes placas tectônicas. No Pacífico colombiano, a subducção da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana é um dos principais processos associados à atividade sísmica.

O órgão colombiano destaca que muitos dos tremores registrados no país são pequenos e não chegam a ser percebidos pela população. O monitoramento permanente permite identificar esses eventos e acompanhar aqueles capazes de provocar impactos.

O que acontece agora

A prioridade permanece sendo o resgate de pessoas que podem estar sob os escombros. Paralelamente, autoridades avaliam os danos em imóveis, hospitais, escolas, estradas e sistemas de abastecimento.

O número de mortos e desaparecidos ainda pode mudar. Por isso, os balanços devem ser tratados como provisórios até que as equipes concluam a verificação das áreas afetadas.

O terremoto na Colômbia deixa o país diante de uma das maiores operações de emergência dos últimos anos. Enquanto as equipes procuram sobreviventes, autoridades começam a dimensionar os prejuízos e a organizar a reconstrução das áreas destruídas.