Crédito no Nordeste chega a R$ 1,05 trilhão em junho e cresce 11,5% em 12 meses, acima da média nacional de 9,7%, aponta estudo do Etene.
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| Crédito no Nordeste mantém liderança nacional em 2026. Foto: Divulgação |
O crédito no Nordeste alcançou R$ 1,05 trilhão em junho de 2026, com crescimento de 11,5% nos 12 meses encerrados no período, segundo estudo do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste (BNB). O ritmo ficou acima da expansão de 9,7% registrada no mercado brasileiro, mantendo a região na liderança nacional em crescimento da carteira de crédito.
No acumulado do primeiro semestre, a expansão regional foi de 4,2%, contra 3,0% no país. O resultado ocorre em um cenário de avanço da atividade econômica nordestina, embora o ambiente de juros elevados possa reduzir gradualmente o ritmo de expansão nos próximos meses.
Crédito no Nordeste cresce acima da média nacional
O crédito no Nordeste manteve, no primeiro semestre de 2026, um ritmo de expansão superior ao observado no conjunto do país. De acordo com o levantamento do Etene, a carteira regional avançou 11,5% em 12 meses até junho, enquanto a média nacional ficou em 9,7%.
No acumulado entre janeiro e junho, o crescimento foi de 4,2% no Nordeste, diante de 3,0% no Brasil. Com isso, a região permaneceu na primeira posição entre as cinco grandes regiões brasileiras em expansão do crédito.
O desempenho reforça uma trajetória que, segundo o estudo, vem sendo observada desde 2021, quando o Nordeste passou a apresentar crescimento superior à média brasileira no mercado de crédito.
Nordeste lidera ranking entre as regiões
O Nordeste apresentou crescimento de 11,5% nos 12 meses encerrados em junho. Na sequência aparecem Norte, com 10,6%; Sudeste, com 9,5%; Sul, com 9,2%; e Centro-Oeste, com 6,7%.
A diferença mostra que a expansão não ocorreu de forma uniforme entre as regiões brasileiras. O Nordeste apresentou o maior avanço proporcional no período analisado.
Para o gerente do Etene e autor do estudo, Allisson David de Oliveira Martins, o comportamento do crédito ajuda a explicar parte do desempenho econômico regional mais favorável observado nos últimos anos.
Segundo a análise apresentada pelo pesquisador, o acesso a recursos financeiros pode ampliar a capacidade de empresas e famílias de investir, produzir e consumir, além de contribuir para a geração de empregos.
Ceará lidera crescimento entre os estados
Entre os estados nordestinos, o Ceará apresentou a maior expansão do saldo das operações de crédito nos 12 meses encerrados em junho de 2026, com crescimento de 15,8%.
Na sequência aparecem Paraíba, com 13,7%, e Sergipe, com 12,7%. Dos 11 estados que integram a área de atuação do Banco do Nordeste, oito registraram crescimento superior à média nacional de 9,7%.
O resultado indica que a expansão regional foi distribuída por diferentes economias estaduais, embora com ritmos distintos.
Bahia, Ceará e Pernambuco concentram quase 60% da carteira
Em valores absolutos, três estados concentram a maior parte da carteira de crédito do Nordeste: Bahia, Ceará e Pernambuco.
A Bahia lidera com saldo de R$ 287,8 bilhões. O Ceará aparece em segundo lugar, com R$ 169,6 bilhões, enquanto Pernambuco ocupa a terceira posição, com R$ 167,3 bilhões.
Somados, os três estados respondem por 59,4% da carteira de crédito da região.
A concentração também evidencia o peso das maiores economias estaduais nordestinas no mercado regional de financiamento.
Crédito cresce entre pessoas físicas e empresas
A expansão do crédito ocorreu tanto entre pessoas físicas quanto entre pessoas jurídicas. Nos dois segmentos, o crescimento regional foi de 11,5% nos 12 meses encerrados em junho.
Entre as empresas, alguns estados apresentaram taxas ainda mais elevadas. Sergipe registrou expansão de 23,6%, seguido pelo Ceará, com 20,9%, e pela Paraíba, com 18,0%.
O desempenho das operações para empresas é relevante porque o crédito empresarial pode financiar capital de giro, investimentos e expansão da capacidade produtiva.
Ao mesmo tempo, a expansão entre pessoas físicas indica aumento do volume de recursos disponíveis para consumo e outras finalidades financeiras.
O que explica o avanço do crédito no Nordeste?
O estudo do Etene relaciona o avanço do crédito a um cenário mais amplo de dinamismo econômico regional. A expansão da atividade, a evolução do mercado de trabalho e o aumento da renda das famílias aparecem como fatores associados ao desempenho.
Dados do Banco Central também acompanham a atividade econômica regional por meio do Índice de Atividade Econômica Regional do Nordeste, o IBCR-NE, indicador mensal produzido pelo Departamento Econômico da instituição.
Em estudo divulgado pelo Banco do Nordeste em setembro, o Etene apontou que a atividade econômica do Nordeste cresceu 2,4% nos 12 meses encerrados em junho, enquanto o Brasil avançou 1,5% no mesmo período, segundo o indicador utilizado na análise.
A combinação entre atividade econômica e expansão do crédito, portanto, ajuda a explicar o ambiente de maior dinamismo observado na região.
Juros elevados podem limitar o ritmo de expansão
Apesar dos resultados positivos, a expansão do crédito ocorre em um ambiente de juros ainda elevados. Esse fator pode encarecer novos financiamentos e reduzir a velocidade de contratação de recursos por empresas e consumidores.
O próprio estudo do Etene aponta a possibilidade de uma desaceleração gradual do ritmo de crescimento do crédito nos próximos meses.
Isso não significa, necessariamente, interrupção da expansão. A avaliação apresentada no levantamento é de que o Nordeste tende a continuar crescendo acima da média brasileira no mercado de crédito, embora em ritmo potencialmente menor.
Banco do Nordeste amplia contratação de crédito
O desempenho da carteira regional ocorre paralelamente à atuação do Banco do Nordeste como instituição de desenvolvimento.
No primeiro semestre de 2026, o BNB contratou R$ 32,9 bilhões em crédito, distribuídos em 2,5 milhões de operações. A instituição encerrou o período com carteira administrada de R$ 183,4 bilhões, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No segundo trimestre, o banco informou ter contratado mais de R$ 21,3 bilhões em crédito, recorde para o período. O resultado foi impulsionado, entre outros fatores, pelas operações de microfinanças urbanas e rurais.
O Crediamigo movimentou R$ 3,5 bilhões no trimestre, enquanto o Agroamigo alcançou R$ 3,1 bilhões em financiamentos, segundo o banco.
Qual o impacto para a economia nordestina?
A expansão do crédito pode ter efeitos sobre diferentes segmentos da economia. Para empresas, o acesso a financiamento pode apoiar investimentos, capital de giro e ampliação das atividades.
Para as famílias, a disponibilidade de crédito pode aumentar a capacidade de consumo e financiar diferentes necessidades, embora o custo das operações seja um fator importante na decisão de contratação.
No caso do Nordeste, o crescimento acima da média nacional reforça a importância da região no desempenho econômico brasileiro e amplia o papel do mercado de crédito na dinâmica regional.
O avanço do crédito no Nordeste faz parte de uma trajetória observada pelo Etene desde 2021. A instituição aponta que a região vem apresentando desempenho superior à média brasileira no mercado de crédito.
O levantamento mais recente mostra que essa diferença permaneceu em 2026. Em junho, o saldo regional chegou a R$ 1,05 trilhão, com crescimento de 11,5% em 12 meses.
O cenário também coincide com uma atividade econômica regional mais forte. Em estudo divulgado pelo BNB no início de setembro, o Etene apontou crescimento de 2,4% da atividade econômica nordestina nos 12 meses até junho, contra 1,5% no Brasil.
No sistema financeiro, entretanto, o custo do dinheiro continua sendo um elemento relevante. Juros elevados podem restringir a demanda por novos empréstimos e financiamentos, o que ajuda a explicar a expectativa de desaceleração gradual apontada pelo estudo.
O crédito no Nordeste chegou a R$ 1,05 trilhão em junho de 2026 e cresceu 11,5% em 12 meses, superando a expansão de 9,7% registrada no Brasil. No primeiro semestre, a alta regional também ficou acima da média nacional.
Ceará, Paraíba e Sergipe lideraram o crescimento entre os estados, enquanto Bahia, Ceará e Pernambuco concentraram 59,4% da carteira regional.
Os dados indicam que o crédito continua sendo um dos elementos de sustentação do dinamismo econômico nordestino. Para os próximos meses, porém, o comportamento dos juros e das condições de financiamento será determinante para definir o ritmo dessa expansão.
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