Marília Arraes (PDT) destacou propostas para o Polo de Confecções do Agreste, revisão do pacto federativo e defesa de Pernambuco em debate ao Senado realizado em Caruaru.
A candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) participou, na noite desta quinta-feira (10), do debate entre postulantes à Casa Alta promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diário de Pernambuco e a TV Nova Nordeste, no Centro de Convenções do Senac Caruaru, no Agreste pernambucano . Durante sua participação, a pedetista colocou o desenvolvimento do Polo de Confecções e a defesa dos interesses de Pernambuco no centro de sua agenda, defendendo investimentos em infraestrutura, revisão do pacto federativo e propostas para saúde, educação e combate à violência contra a mulher.
O que aconteceu
O debate entre os candidatos ao Senado por Pernambuco reuniu seis postulantes na noite desta quinta-feira (10), em Caruaru. Foram convidados Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD) .
Pernambuco elegerá dois senadores nas eleições de 4 de outubro, para mandatos de oito anos entre 2027 e 2035 .
Marília Arraes aproveitou o espaço para apresentar propostas voltadas diretamente ao Agreste, região que concentra um dos principais polos econômicos do estado.
Propostas para o Polo de Confecções
Ao falar diretamente para uma das principais regiões produtoras de Pernambuco, Marília defendeu investimentos em infraestrutura e abastecimento de água, a retomada da Transnordestina, justiça tributária e a desoneração de insumos utilizados pela indústria têxtil.
A candidata também destacou a importância de valorizar os arranjos produtivos locais, incorporando à cadeia econômica o trabalho das rendeiras, das bordadeiras de Passira e de quem mantém vivos saberes tradicionais como o frivolité e a renda renascença.
“Eu vou ser a senadora que vai trabalhar para que esse polo daqui, de Pernambuco, do Agreste, possa falar para o mundo. Vou estar do lado de quem produz, de quem empreende, de quem está investindo, gerando emprego e renda numa região tão importante para o nosso estado”, afirmou a candidata durante o debate.
Pacto federativo e reforma tributária
Marília relacionou o fortalecimento da economia pernambucana à necessidade de rever o pacto federativo e garantir que a transição da reforma tributária contribua para diminuir as desigualdades entre estados e regiões.
“Vou estar lá lutando para que Pernambuco não perca um centavo nessa guerra”, declarou a pedetista.
A revisão do pacto federativo e a defesa de que estados e municípios não sejam prejudicados pela transição tributária foram temas centrais na agenda apresentada pela candidata ao eleitorado do Agreste.
Saúde, educação e defesa das mulheres
Na saúde, Marília defendeu a ampliação da Farmácia Popular, maior acesso pelo SUS a medicamentos de alto custo e o fortalecimento da produção nacional de remédios e novas tecnologias. A candidata lembrou sua atuação na Câmara dos Deputados em defesa das famílias de crianças com Atrofia Muscular Espinhal (AME) e a autoria da legislação que possibilitou a distribuição gratuita de absorventes para mulheres brasileiras.
Na educação, defendeu a continuidade da interiorização do ensino superior, cursos conectados às vocações econômicas de cada região, um piso para a assistência estudantil e a criação do “Pé-de-Meia universitário”. Marília também assumiu o compromisso de trabalhar para garantir espaços adequados para os filhos de mães estudantes em universidades e institutos federais.
No enfrentamento à violência contra as mulheres, propôs dobrar os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública destinados ao combate à violência de gênero e ao feminicídio e garantir recursos para que as Delegacias da Mulher funcionem 24 horas.
“Nenhuma mulher vai procurar o Estado e encontrar essas portas fechadas”, afirmou.
Embates durante o debate
A participação de Marília no debate também foi marcada por confrontos diretos com outros candidatos. No primeiro bloco, a pedetista foi questionada por Paulo Rubem Santiago sobre sua proposta de distribuição de medicamentos para obesidade pelo SUS. Em resposta, Marília defendeu a quebra de patente do Monjaro e a transferência de tecnologia para produção nacional .
No segundo bloco, Túlio Gadêlha (PSD) relembrou disputas políticas anteriores de Marília com lideranças do PSB e do PT. A candidata respondeu classificando a fala como “extremamente machista”, argumentando que mulheres firmes em suas convicções são frequentemente rotuladas de “brigonas” .
A bancada jurídica do debate concedeu a Túlio Gadêlha um minuto de resposta após a acusação de machismo e misoginia .
O que diz a candidata sobre seu papel no Senado
Ao longo do debate, Marília ressaltou que pretende exercer um mandato de posição firme na defesa dos trabalhadores, das mulheres, da justiça social e das instituições democráticas.
“Eu vou brigar muito por Pernambuco, vou brigar pelo povo brasileiro. Vou estar lá defendendo o trabalhador, defendendo as mulheres, a justiça social e a justiça tributária”, afirmou.
A candidata também destacou a importância de Pernambuco contar com uma representação no Senado capaz de dialogar diretamente com o governo federal.
“É muito necessário que a gente tenha um Senado que apoie a governabilidade do presidente Lula. Quero estar lá sem deixar Pernambuco retroceder um milímetro, sem perder um centavo de investimento”, concluiu.
O cenário eleitoral em Pernambuco
Pernambuco vive uma das disputas eleitorais mais concorridas dos últimos anos. Além da corrida pelo governo do estado, que envolve Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB), a eleição para o Senado desperta atenção por oferecer duas vagas .
Pesquisa Quaest divulgada em 8 de setembro mostra Marília Arraes numericamente à frente na disputa ao Senado, com 17% das intenções de voto, seguida por Humberto Costa (14%) e Mendonça Filho (11%). Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os três primeiros colocados estão tecnicamente empatados .
A importância do Polo de Confecções do Agreste
O Polo de Confecções do Agreste pernambucano abrange cerca de 92 municípios e possui mais de 2 mil empresas formalizadas, produzindo aproximadamente 50 milhões de peças por ano .
O setor enfrenta preocupações com os impactos da reforma tributária e com a chamada “MP das Blusinhas”, que zerou a alíquota do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. Representantes do setor alertam que a medida pode reduzir a competitividade da produção local e provocar desemprego na região .
O debate sobre o pacto federativo e a reforma tributária
A reforma tributária em implementação no Brasil tem gerado discussões sobre seus impactos no pacto federativo. Especialistas apontam que a extinção do ICMS e do ISS, principais fontes de arrecadação de estados e municípios, pode comprometer a autonomia financeira dos entes federativos .
O Comitê Gestor do IBS, criado para coordenar o novo sistema, tem gerado preocupações sobre a centralização de poder na União. Tributaristas defendem a necessidade de garantir que estados e municípios mantenham capacidade de arrecadação e investimento .
A participação de Marília Arraes no debate ao Senado em Caruaru consolidou sua agenda voltada ao desenvolvimento do Agreste e à defesa dos interesses de Pernambuco. A candidata apresentou propostas para o Polo de Confecções, defendeu a revisão do pacto federativo e detalhou planos para saúde, educação e combate à violência contra a mulher.
As propostas apresentadas por Marília Arraes dialogam diretamente com as demandas de uma das regiões economicamente mais importantes do estado, que enfrenta desafios relacionados à competitividade, infraestrutura e acesso a serviços públicos.
Com a disputa ao Senado tecnicamente empatada entre os principais candidatos, os próximos debates e agendas de campanha serão decisivos para a definição das duas vagas que Pernambuco elegerá em outubro.

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