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Estadão aponta risco de influência de milícias em eventual governo Flávio Bolsonaro

Editorial do jornal relaciona candidatura do senador a episódios envolvendo pessoas condenadas por envolvimento com organizações criminosas no Rio de Janeiro

Flávio Bolsonaro e Queiroz
Flávio Bolsonaro e seu ex-assessor, Fabrício de Queiroz, quando Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

O jornal O Estado de S. Paulo publicou, em 23 de setembro, um editorial sobre a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República e os episódios que envolvem pessoas ligadas ao político e integrantes de organizações criminosas no Rio de Janeiro.

No texto, intitulado “Flávio e a sombra dos milicianos”, o jornal afirma que uma eventual vitória do senador poderia ampliar a presença de pessoas ligadas às milícias em espaços de poder. A avaliação aparece após novas informações sobre a negociação de emendas parlamentares do senador com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo relacionado aos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Assessora negociou emenda de quase R$ 200 mil

Segundo reportagens do Estadão e da Folha de S.Paulo, mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram que Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar de Flávio Bolsonaro, manteve contato com Robson Calixto em 2023 para tratar da liberação de recursos.

O senador destinou R$ 199.999,79 ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), para o projeto esportivo “Jogadores do Futuro”, no Rio de Janeiro.

Nas conversas, Calixto pediu que a assessora verificasse com o senador a possibilidade de obtenção de recursos para o projeto. A Polícia Federal posteriormente classificou Maria de Fátima como interlocutora direta de Calixto no gabinete parlamentar.

A PF investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos de emendas destinadas a entidades sem fins lucrativos. O caso também passou pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou indícios de irregularidades na execução do projeto financiado com os recursos.

Condenação de Robson Calixto

Robson Calixto foi condenado pelo STF em fevereiro de 2026 a nove anos de prisão por integrar organização criminosa relacionada aos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão.

Os irmãos foram condenados pela Corte como mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Calixto foi apontado como elo entre os executores do crime e os mandantes.

As mensagens que deram origem à nova apuração foram encontradas pela Polícia Federal em um celular apreendido durante uma investigação realizada em março de 2024.

PF aponta suspeitas sobre aplicação dos recursos

De acordo com as informações divulgadas pela imprensa a partir dos documentos da investigação, a Polícia Federal encontrou indícios de que parte dos recursos de emendas parlamentares destinados a entidades sem fins lucrativos poderia ter sido desviada por meio de pagamentos indevidos, empresas intermediárias e outros mecanismos.

No caso específico do projeto esportivo que recebeu os recursos destinados por Flávio Bolsonaro, o TCU apontou problemas na contratação da empresa responsável pela coordenação das atividades.

Segundo o tribunal, a empresa contratada não apresentava relação aparente com a coordenação de um projeto esportivo e tinha como responsável o próprio presidente do instituto que recebeu os recursos.

A existência de investigação, entretanto, não significa que Flávio Bolsonaro tenha sido condenado ou que esteja comprovada sua participação em eventual desvio dos recursos.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades

A assessoria do senador afirma que os repasses foram realizados dentro da legislação e seguiram critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério do Esporte.

Segundo a manifestação divulgada à imprensa, a entidade responsável pela execução apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu valores que não foram utilizados. A defesa também sustenta que a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

O que diz o editorial do Estadão

É nesse contexto que o Estadão publicou o editorial sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro.

O jornal relaciona os episódios envolvendo Calixto e outros personagens associados às milícias do Rio de Janeiro e questiona quais seriam as consequências de uma eventual chegada do senador à Presidência.

O argumento apresentado no editorial é de que a relação de integrantes do entorno político de Flávio com pessoas posteriormente condenadas por envolvimento com organizações criminosas deveria ser esclarecida antes da eleição.

A avaliação, porém, pertence ao próprio Estadão e não constitui uma conclusão judicial sobre a candidatura ou sobre eventual participação de Flávio Bolsonaro em organizações criminosas.

Debate envolve investigação ainda em andamento

O caso permanece sob investigação e reúne diferentes frentes, incluindo apurações da Polícia Federal e análises do Tribunal de Contas da União.

Até o momento, os elementos divulgados publicamente comprovam a existência das conversas entre a assessora e Robson Calixto e a destinação da emenda ao projeto esportivo. As suspeitas sobre possíveis irregularidades na aplicação dos recursos ainda são objeto de apuração.

O episódio acrescenta um novo capítulo ao debate sobre a relação entre política, emendas parlamentares e organizações criminosas no Rio de Janeiro, especialmente em um ano eleitoral.

O Fala News continuará acompanhando o caso à medida que novas informações forem oficialmente divulgadas pelas autoridades.

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