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Alcolumbre sinaliza impeachment cruzado de Moraes e Mendonça

Alcolumbre sinaliza possível impeachment cruzado de Moraes e Mendonça em meio à crise no STF e à pressão no Senado por um processo contra Moraes.

Davi Alcolumbre
Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP) conduz sessão. Foto:  Carlos Moura/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado a senadores que, diante de uma eventual pressão considerada incontornável pela abertura de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia permitir também o avanço de um pedido contra André Mendonça. A estratégia, chamada nos bastidores de “impeachment cruzado”, ocorre em meio à escalada da crise entre ministros do Supremo e busca, segundo relatos publicados nesta sexta-feira (4), criar um equilíbrio político dentro do Senado.

O que é o impeachment cruzado sinalizado por Alcolumbre

A possibilidade de um impeachment cruzado não significa que processos contra os dois ministros tenham sido oficialmente abertos ou que Alcolumbre tenha determinado sua tramitação.

Segundo relatos divulgados nesta sexta-feira (4), a sinalização teria sido feita a senadores como uma possível resposta caso a pressão para avançar contra Moraes se tornasse insustentável. A avaliação nos bastidores seria de que a abertura simultânea de frentes contra ministros de diferentes posições poderia reduzir a pressão concentrada sobre o Senado.

A movimentação ocorre em um momento de forte tensão entre o Congresso e o STF, agravada pelo conflito público entre Moraes e Mendonça.

Crise entre Moraes e Mendonça aumenta tensão no STF

A crise ganhou força na terça-feira (1º), quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal produzido por determinação de seu gabinete.

O documento trouxe mensagens e contatos envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A divulgação do material ampliou a repercussão política e institucional do caso.

Em reação, Moraes encaminhou a Fachin um pedido para investigar Mendonça. O ministro apontou possíveis irregularidades na condução de investigações e mencionou possíveis indícios de crimes de responsabilidade, além de questionar a atuação do colega.

Moraes também citou informações relacionadas ao próprio nome e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aumentando a dimensão política do episódio.

Moraes pede investigação de Mendonça

O pedido de Moraes foi apresentado na noite de quinta-feira (3), dentro do contexto do inquérito das fake news.

Na avaliação apresentada pelo ministro, Mendonça teria atuado de maneira irregular na condução de investigações e realizado tratativas relacionadas a uma possível delação. Moraes também sustentou que determinadas medidas teriam sido tomadas por razões “pessoais e políticas”.

O ministro apontou ainda que o relatório da PF indicaria decisões tomadas por Mendonça com possível comprometimento da imparcialidade. As acusações, contudo, fazem parte das alegações apresentadas por Moraes e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade de Mendonça.

Fachin retira caso do inquérito das fake news

A situação mudou na sexta-feira (4), quando o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que o pedido de investigação contra Mendonça fosse retirado do âmbito do inquérito das fake news.

Fachin estabeleceu prazo de cinco dias para manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e de Mendonça. A Presidência do STF passou a concentrar a condução dos procedimentos relacionados aos dois ministros.

A decisão reduziu a força da interpretação, nos bastidores do Senado, de que a iniciativa de Moraes poderia representar uma espécie de autorização política para que Alcolumbre permitisse o avanço de medidas contra integrantes do Supremo.

Qual é o papel do Senado em pedidos de impeachment

A Constituição Federal estabelece que compete privativamente ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. A previsão está no artigo 52, inciso II.

A Lei nº 1.079/1950, conhecida como Lei do Impeachment, também prevê crimes de responsabilidade específicos para ministros do Supremo. Entre eles estão proferir julgamento quando houver suspeição legal, exercer atividade político-partidária, ser patentemente desidioso no cumprimento das funções e agir de maneira incompatível com a honra, dignidade e decoro do cargo.

O próprio Senado explica que qualquer cidadão pode apresentar denúncia contra ministro do STF por crime de responsabilidade. A representação passa por etapas internas antes de eventual deliberação dos senadores.

Isso significa que a existência de um pedido não equivale automaticamente à abertura de um processo de impeachment.

O que acontece agora

Com a intervenção de Fachin, a crise passa a ter uma condução institucional concentrada na Presidência do STF. A PGR e Mendonça foram chamados a se manifestar sobre o caso no prazo estabelecido.

No Senado, a sinalização atribuída a Alcolumbre permanece como uma possibilidade política, e não como uma decisão formal de abertura de dois processos.

Também não há, nas informações verificadas para esta reportagem, confirmação de que Alcolumbre tenha efetivamente autorizado o início de um processo de impeachment contra Moraes ou Mendonça.

O episódio combina duas crises que passaram a se cruzar: a disputa interna entre ministros do STF e a pressão política existente no Senado em torno de pedidos de impeachment.

A Constituição atribui ao Senado a competência para julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. A Lei nº 1.079/1950 estabelece as hipóteses específicas e o procedimento aplicável.

O Senado registra que pedidos contra ministros do STF são apresentados como representações e passam por tramitação própria. Há, inclusive, petições contra ministros do Supremo registradas no sistema legislativo em 2026, como representações contra Alexandre de Moraes.

A crise atual, porém, ganhou dimensão adicional porque envolve diretamente dois ministros da Corte. A decisão de Fachin de retirar o pedido contra Mendonça do inquérito das fake news colocou a Presidência do Supremo no centro da tentativa de administrar o conflito institucional.

A possibilidade de um impeachment cruzado coloca Davi Alcolumbre no centro de uma disputa que envolve o Senado e o Supremo. A estratégia teria sido sinalizada como resposta a uma eventual pressão incontornável pela abertura de um processo contra Alexandre de Moraes.

Ao mesmo tempo, o conflito entre Moraes e André Mendonça elevou a tensão dentro do próprio STF. Com Fachin assumindo a condução dos procedimentos e determinando novas manifestações, o próximo passo dependerá da análise institucional do caso e da evolução das articulações no Senado.

Por enquanto, não há confirmação de abertura de processos de impeachment contra os dois ministros. O cenário permanece em disputa política e institucional.

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