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Lula aciona TSE por possível financiamento dos EUA a Flávio Bolsonaro

Ação protocolada pela coligação do presidente pede investigação sobre possível apoio estrangeiro e cita organização política norte-americana; Flávio, Eduardo Bolsonaro e Alfredo Gaspar são citados no processo

Flávio e Rubio
Secretário de Estado dos EUA Marco Rubio ao lado de Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução/ Facebook 

A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a investigação de um possível financiamento estrangeiro relacionado à campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A ação foi protocolada na quarta-feira (23) e aponta suspeitas envolvendo uma organização política dos Estados Unidos e possíveis articulações com autoridades norte-americanas que, segundo os autores da representação, poderiam ter produzido benefícios eleitorais para a candidatura de Flávio Bolsonaro.

O processo também envolve o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar e o deputado federal Eduardo Bolsonaro. A coligação pede a apuração de possíveis irregularidades e, caso as acusações sejam comprovadas, solicita a cassação dos registros ou dos diplomas da chapa, além da declaração de inelegibilidade de Flávio e Eduardo Bolsonaro por oito anos.

A ação tramita no TSE sob o número 0602222-72.2026.6.00.0000 e foi distribuída ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral substituto da Justiça Eleitoral. (Congresso em Foco⁠)

Organização norte-americana é citada na ação

Um dos principais pontos apresentados pela coligação é a atuação da Rockbridge Network, organização política norte-americana descrita na petição como cofundada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance.

Segundo a representação, os autores querem esclarecer se a organização teria fornecido recursos, serviços ou algum tipo de estrutura que tenha beneficiado a campanha de Flávio Bolsonaro.

A petição também cita Pedro Sang, apontado como articulador da organização no Brasil e que teria participado de atividades relacionadas ao comitê eleitoral de Flávio Bolsonaro em São Paulo.

De acordo com os elementos apresentados na ação, Sang teria colaborado com a montagem do comitê, a busca de fornecedores e questões relacionadas à infraestrutura.

A própria petição reproduz uma declaração atribuída a Sang na qual ele afirma desconhecer qualquer financiamento da Rockbridge à campanha. Para os advogados da coligação, porém, ainda seria necessário esclarecer quem teria custeado os serviços eventualmente prestados.

Financiamento estrangeiro é proibido pela legislação eleitoral

A legislação eleitoral brasileira estabelece restrições às fontes de recursos utilizadas em campanhas. Entre as fontes vedadas estão recursos de origem estrangeira, além de recursos provenientes de pessoas jurídicas e de permissionários de serviço público.

O TSE informa que a proibição alcança recursos financeiros e outras formas de benefício econômico. Caso recursos de fonte vedada sejam identificados, existem procedimentos específicos para devolução ou recolhimento dos valores ao Tesouro Nacional, sem prejuízo da análise da irregularidade pela Justiça Eleitoral. (Justiça Eleitoral⁠)

Nas eleições de 2026, partidos e candidatos também estão obrigados a informar à Justiça Eleitoral os recursos recebidos para financiamento de campanha. Os dados devem ser encaminhados em até 72 horas após o recebimento e ficam disponíveis para consulta pública. (Justiça Eleitoral⁠)

Ação também cita articulações com autoridades dos Estados Unidos

Além da questão financeira, a representação apresentada ao TSE menciona supostas articulações de Flávio e Eduardo Bolsonaro com autoridades norte-americanas.

Segundo a coligação de Lula, essas tratativas teriam ocorrido fora dos canais diplomáticos oficiais brasileiros e poderiam estar relacionadas a medidas de pressão econômica e diplomática contra o Brasil.

A petição também relaciona as articulações à divulgação de críticas ao sistema de votação brasileiro e ao Poder Judiciário.

Os autores sustentam que os efeitos dessas iniciativas poderiam ter impacto político favorável à candidatura de Flávio Bolsonaro. Essa, no entanto, é uma interpretação apresentada pela própria coligação e que ainda deverá ser analisada pela Justiça Eleitoral. (Congresso em Foco⁠)

Pedido de informações sobre viagens e estruturas públicas

A representação também solicita a apuração de eventual utilização de passagens aéreas, verbas parlamentares, servidores públicos ou estruturas de gabinete em viagens e encontros relacionados às articulações mencionadas na ação.

Para isso, a coligação pede informações ao Ministério das Relações Exteriores, à Câmara dos Deputados, ao Senado Federal e à Polícia Federal.

Ao Partido Liberal (PL), os advogados solicitam documentos relacionados a contratos, pagamentos e despesas com deslocamentos de Flávio e Eduardo Bolsonaro.

A ação ainda pede a realização de diligências para verificar a eventual existência de recursos provenientes do exterior.

Possível quebra de sigilos depende de novos indícios

A coligação também incluiu no pedido a possibilidade de quebra dos sigilos fiscal e bancário de pessoas e empresas citadas na representação.

A medida, porém, foi condicionada ao surgimento de indícios individualizados durante as diligências solicitadas ao TSE.

Entre as testemunhas indicadas estão o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o presidenciável Renan Santos e o empresário Tallis Gomes.

Renan Santos é citado porque teria afirmado possuir documentos e contatos relacionados a um suposto apoio financeiro estrangeiro. A ação pede que eventual documentação seja apresentada à Justiça Eleitoral e que as declarações sejam esclarecidas. (Congresso em Foco⁠)

O que será analisado pelo TSE

A apresentação da ação não significa que o financiamento estrangeiro tenha sido comprovado.

O documento protocolado pela coligação reúne alegações, pedidos de investigação e elementos que, segundo os autores, justificariam a abertura de diligências. Até o momento, não há decisão judicial reconhecendo a existência de financiamento estrangeiro irregular relacionado à campanha de Flávio Bolsonaro.

Também não consta, na matéria que deu origem a esta reportagem, manifestação de defesa dos representados sobre as acusações apresentadas na ação.

O caso deverá seguir os procedimentos da Justiça Eleitoral, que poderá analisar os pedidos e determinar as diligências consideradas necessárias para esclarecer os fatos.


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