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Operação que investiga desvios de R$ 27 milhões em emendas faz apreensões em Ipojuca

Operação Alvitre chega à terceira fase com 13 mandados e bloqueios contra suspeitos de desviar R$ 27 milhões em emendas em Ipojuca.

Operação
Policiais cumprem mandados na terceira fase da Operação Alvitre, que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos em Ipojuca. — Foto: Reprodução/Polícia Civil de Pernambuco

A Operação Alvitre chegou à terceira fase nesta quinta-feira (3), com ações da Polícia Civil de Pernambuco em Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Paulista, na Região Metropolitana do Recife. A operação investiga um suposto esquema de desvio de cerca de R$ 27 milhões por meio de emendas parlamentares da Câmara de Ipojuca. Nesta etapa, foram expedidos 13 mandados de busca e apreensão, além de ordens para bloqueio de ativos, sequestro de bens e suspensão do exercício de função pública.

O que aconteceu na Operação Alvitre

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou nesta quinta-feira a terceira fase da Operação Alvitre, investigação que apura possíveis irregularidades na destinação e movimentação de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares em Ipojuca.

As diligências são realizadas em Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Paulista. Ao todo, a Justiça autorizou 13 mandados de busca e apreensão. Também foram determinadas medidas patrimoniais e cautelares contra investigados.

Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, a apuração envolve suspeitas de corrupção passiva, peculato, falsidade documental e lavagem de dinheiro. A investigação busca esclarecer a participação individual de parlamentares, assessores e outros envolvidos.

Associação Mudart está no centro da nova fase

Nesta terceira etapa, os investigadores concentram a apuração na Associação Cultural, Social e Recreativa Mudart, entidade sem fins lucrativos sediada em Ipojuca.

De acordo com a Polícia Civil, a associação teria sido utilizada como instrumento para recebimento e circulação de recursos públicos. A investigação aponta suspeitas de atuação coordenada entre parlamentares, assessores, advogados, empresários, contador e particulares.

Entre as condutas investigadas estão a liberação direcionada de verbas, cobrança e recebimento de vantagens indevidas, transferências para terceiros, possível triangulação financeira e saques em espécie.

A identidade de todos os alvos dos mandados da terceira fase não foi divulgada integralmente pelas autoridades nas informações inicialmente disponibilizadas.

Investigação aponta desvio milionário em emendas

A investigação que deu origem à Operação Alvitre apura a utilização de emendas parlamentares impositivas para direcionar recursos públicos a entidades que, segundo a polícia, apresentariam problemas relacionados à capacidade de execução dos serviços contratados.

O valor investigado chega a aproximadamente R$ 27 milhões. O montante corresponde aos recursos que, segundo a apuração policial, teriam sido desviados ou movimentados de forma irregular no esquema.

Em fases anteriores, a investigação também identificou entidades que receberam valores milionários. Entre elas está o Instituto Filhos de Ipojuca, ligado ao então presidente da Câmara, Flávio do Cartório, que, segundo a investigação divulgada em 2025, recebeu mais de R$ 12 milhões entre 2022 e 2025.

Flávio do Cartório e Professor Eduardo foram presos

A segunda fase da Operação Alvitre resultou, em novembro de 2025, na prisão do então presidente da Câmara de Ipojuca, Flávio do Cartório, e do então vice-presidente da Casa, Professor Eduardo, ambos do PSD.

Os dois foram detidos em um supermercado localizado em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Na ocasião, a polícia apreendeu dinheiro em espécie e outros materiais considerados relevantes para a investigação.

A investigação também encontrou anotações que, segundo a Polícia Civil, poderiam indicar um possível esquema de repartição de valores envolvendo servidores da Câmara. Os registros mencionados na época somavam R$ 345 mil.

Flávio do Cartório posteriormente passou a cumprir prisão domiciliar, conforme decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Professor Eduardo também deixou a prisão.

Professora foi assassinada durante investigação

Um dos episódios que marcou a investigação ocorreu em outubro de 2025, quando a professora universitária Simone Marques da Silva, de 46 anos, foi assassinada a tiros em Ipojuca.

Horas antes do crime, Simone havia comparecido à Delegacia de Porto de Galinhas para prestar depoimento relacionado à investigação sobre o desvio de emendas. Ela estava acompanhada de um advogado, mas não chegou a ser ouvida porque outro procedimento estava em andamento. O depoimento foi remarcado.

A professora foi morta posteriormente em sua residência. A Polícia Civil abriu investigação para apurar o homicídio e identificar os responsáveis. Até o momento, não se deve afirmar que a morte tenha sido causada pela investigação sem uma conclusão oficial que estabeleça essa relação.

O que são as emendas parlamentares impositivas

As emendas impositivas são instrumentos pelos quais parlamentares destinam recursos do orçamento público para determinadas ações e projetos.

No âmbito municipal, os vereadores podem indicar recursos para áreas e iniciativas previstas na legislação orçamentária. A execução, porém, precisa observar requisitos legais, regras de contratação, prestação de contas e finalidade pública.

No caso investigado em Ipojuca, a Polícia Civil apura se os recursos foram direcionados de maneira irregular e posteriormente movimentados por meio de entidades e pessoas relacionadas ao suposto esquema.

O que acontece agora

A terceira fase amplia a investigação sobre a estrutura financeira e operacional que teria permitido a circulação dos recursos. Os materiais recolhidos nas buscas deverão ser analisados pelas autoridades responsáveis pelo inquérito.

As medidas judiciais também incluem bloqueio de ativos financeiros, sequestro de bens e suspensão do exercício de função pública. Informações divulgadas nesta quinta-feira apontam que o bloqueio pode chegar a aproximadamente R$ 1,227 milhão.

A investigação conta com participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Pernambuco, além de unidades policiais especializadas. Os investigados ainda são considerados suspeitos, e eventual responsabilização dependerá da conclusão das investigações e das decisões judiciais.

A Operação Alvitre teve sua primeira fase deflagrada em outubro de 2025. Na ocasião, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão para investigar o direcionamento de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

Na segunda fase, realizada em novembro de 2025, a investigação avançou sobre agentes políticos e outros suspeitos. O MPPE informou que a operação apurava possíveis crimes de corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e falsidade documental.

A apuração também alcançou entidades que teriam recebido recursos públicos sem, segundo os investigadores, apresentar estrutura compatível com determinados serviços. A investigação segue em andamento e ainda deverá esclarecer a responsabilidade individual de cada pessoa envolvida.

A Operação Alvitre chegou à terceira fase com 13 mandados de busca e apreensão em três municípios da Região Metropolitana do Recife. A Polícia Civil investiga um suposto esquema envolvendo emendas parlamentares e movimentação irregular de recursos públicos, com valores estimados em R$ 27 milhões.

A nova etapa concentra-se na Associação Mudart e amplia o foco sobre parlamentares, assessores e outros suspeitos. Agora, os investigadores devem analisar os materiais apreendidos e rastrear o destino dos recursos, enquanto as medidas judiciais determinadas pela Justiça continuam em vigor.

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