João Campos e Raquel Lyra protagonizam debate sobre conta de água, saúde, educação, segurança e ações do governo de Pernambuco.
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| Candidatos ao governo de Pernambuco, João Campos e Raquel Lyra. Fotos: TV Jornal |
O último debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco antes do primeiro turno das eleições de 2026 foi marcado nesta quinta-feira (1º) pelo confronto direto entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD). O encontro, promovido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), também contou com a participação de Ivan Moraes (PSOL).
Um dos principais pontos de tensão foi a discussão sobre a concessão dos serviços da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e os possíveis impactos sobre a tarifa de água.
João Campos afirmou que haverá aumento superior a 15% na conta de água após as eleições. Raquel Lyra contestou o percentual apresentado pelo adversário e afirmou que o cálculo não corresponde ao reajuste previsto.
A discussão ocorre em meio às regras estabelecidas para a concessão da Compesa. Segundo informações divulgadas sobre o contrato, estão previstos reajustes periódicos das tarifas. O governo estadual, porém, afirma que não haverá aumento automático provocado pela concessão e que os valores continuarão submetidos à regulação da Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe).
Embate sobre a gestão estadual
Durante o debate, João Campos também voltou a questionar resultados apresentados pela administração de Raquel Lyra nas áreas de educação, saúde e segurança.
Entre os pontos levantados pelo candidato estão a promessa de construção de 250 creches, a situação dos leitos da rede estadual de saúde, a estrutura das delegacias e a expansão das escolas técnicas.
No caso das creches, a discussão já vinha sendo explorada durante a campanha. A promessa de construir 250 unidades foi apresentada por Raquel Lyra durante a eleição de 2022, e o cumprimento da meta tornou-se um dos principais pontos de cobrança de seus adversários.
No debate desta quinta-feira, João também questionou a previsão apresentada pela governadora para novas entregas. Segundo o candidato, Raquel teria informado a entrega de 25 creches e a previsão de outras 100 unidades nos meses seguintes.
Na área da saúde, João Campos voltou a afirmar que a gestão estadual teria fechado cerca de 1,2 mil leitos. A declaração faz parte das críticas que o candidato vem dirigindo à administração estadual durante a campanha.
Questionamentos sobre familiares e vice-governadora
Outro momento de tensão ocorreu quando João Campos citou reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quinta-feira (1º). Segundo o jornal, uma das empresas vencedoras de uma licitação de R$ 1,2 bilhão para publicidade do Governo de Pernambuco realizou 48 pagamentos, totalizando R$ 1,7 milhão, a uma empresa pertencente a Waldemiro Ferreira Teixeira, conhecido como Dodi, primo da governadora. Os pagamentos teriam ocorrido entre 2022 e junho de 2025.
A reportagem também informa que Dodi é irmão da procuradora-geral do Estado, Bianca Teixeira. A assessoria da governadora foi procurada pelo Metrópoles, segundo a publicação, mas não havia apresentado resposta até a divulgação da matéria.
O episódio foi levado ao debate por João Campos como questionamento político à adversária. A existência dos pagamentos, contudo, não significa, por si só, comprovação de irregularidade.
João também cobrou explicações sobre as investigações relacionadas à vice-governadora Priscila Krause. O tema ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira, com informações sobre o avanço de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
João Campos defende gestão no Recife
Durante o confronto, João Campos apresentou resultados de sua administração à frente da Prefeitura do Recife e utilizou obras e ações realizadas na capital como referência para suas propostas para o Estado.
O candidato concentrou parte de seu discurso nas áreas de saúde, educação, segurança e infraestrutura e afirmou que pretende levar para Pernambuco medidas que, segundo sua campanha, foram implementadas durante sua gestão municipal.
Na discussão sobre abastecimento de água, João também afirmou que pessoas inscritas na tarifa social que não receberem água ou estiverem submetidas a racionamento não deverão pagar pelo serviço.
Raquel Lyra, por sua vez, defendeu as ações de seu governo e respondeu aos questionamentos do adversário apresentando obras e projetos em andamento e previstos para os próximos meses.
Último debate antes da votação
O encontro desta quinta-feira foi o último debate entre os candidatos ao Governo de Pernambuco antes da votação do primeiro turno, marcada para domingo (4). O cenário eleitoral chega à reta final com uma disputa acirrada.
Pesquisa RealTime Big Data divulgada em 28 de setembro mostrou João Campos com 45% das intenções de voto e Raquel Lyra com 43% no cenário estimulado. A margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 23 e 26 de setembro e foi registrado no TSE sob o número PE-06087/2026.
Outra pesquisa, do Datafolha, divulgada em 24 de setembro, apontou Raquel com 48% e João com 44%. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 22 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais.
O debate do SJCC encerra a série de confrontos entre os principais candidatos antes da votação e colocou novamente no centro da disputa as diferenças entre os projetos apresentados por João Campos e Raquel Lyra para o Governo de Pernambuco.

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