Senadora eleita afirma que aproximação com a governadora reeleita foi discutida em reunião com o presidente e defende articulação política em torno de projetos para Pernambuco
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá buscar o apoio da governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), no segundo turno da eleição presidencial. A informação foi revelada nesta terça-feira (6) pela senadora eleita Marília Arraes (PDT), após reunião de Lula com aliados, realizada na segunda-feira (5), em Brasília.
Em entrevista à Rádio Jornal, Marília afirmou que a possibilidade de aproximação com Raquel foi discutida durante o encontro e que a campanha pretende ampliar o diálogo com lideranças que não tenham uma posição consolidada de apoio ao bolsonarismo.
“Foi falado na reunião que vai se buscar o apoio dela, vai se buscar essa ajuda para que o presidente Lula tenha uma ampliação da sua margem de votação em Pernambuco”, afirmou a senadora eleita.
A estratégia ocorre após o primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com Lula e Flávio Bolsonaro (PL) classificados para a segunda etapa da disputa. Segundo os dados citados pelo Diario de Pernambuco, Lula recebeu 21,49 milhões de votos no Nordeste no primeiro turno.
Raquel foi reeleita em Pernambuco no primeiro turno
A movimentação da campanha de Lula ocorre em um cenário político particular em Pernambuco.
Raquel Lyra foi reeleita governadora no primeiro turno, com 53,27% dos votos válidos, enquanto João Campos (PSB), candidato apoiado por Lula na disputa estadual, terminou com 44,82%.
Apesar da derrota de João Campos, os dois candidatos ao Senado que integravam sua chapa foram eleitos: Marília Arraes e Humberto Costa (PT).
Já os nomes apoiados por Raquel para o Senado, Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP), não conquistaram as duas vagas em disputa.
A composição do cenário aumenta a relevância das articulações para o segundo turno presidencial, especialmente diante da posição adotada por Raquel durante a eleição nacional.
Marília defende diálogo com Raquel
Marília afirmou que pretende deixar as divergências da eleição estadual em segundo plano e manter uma relação institucional com a governadora em defesa dos interesses de Pernambuco.
Segundo a senadora eleita, ela telefonou para Raquel após o resultado da eleição para parabenizá-la pela reeleição e se colocar à disposição para atuar em Brasília em pautas de interesse do Estado.
“Quem não pode pagar a conta de nenhuma desavença política é o povo de Pernambuco”, afirmou Marília.
A pedetista também defendeu que a bancada pernambucana no Senado participe do diálogo com Raquel e tente convencê-la a apoiar Lula no segundo turno.
Até o momento, porém, a governadora não anunciou apoio formal a nenhum dos dois candidatos que disputam a Presidência.
Infraestrutura entra nas conversas
A busca pela aproximação também foi relacionada por Marília à continuidade de projetos estruturantes em Pernambuco.
Na avaliação da senadora eleita, uma eventual reeleição de Lula poderia contribuir para a execução de obras consideradas estratégicas para o Estado, entre elas o trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina e o Canal do Sertão.
A ideia apresentada por Marília é ampliar a articulação entre representantes do Estado e o governo federal para garantir recursos e avançar em projetos de infraestrutura.
Marília propõe grupo permanente da bancada de Pernambuco
Além da discussão sobre o segundo turno, Marília defendeu a criação de um grupo permanente reunindo senadores, deputados federais e o Governo de Pernambuco.
A proposta seria estabelecer uma articulação contínua para discutir emendas de bancada, recursos federais e projetos estruturantes para o Estado.
Segundo ela, a intenção é evitar que a bancada pernambucana só se reúna em momentos de crise ou diante de disputas políticas específicas.
Marília afirmou que pretende começar a articulação ainda nesta semana, procurando deputados federais, senadores e a própria Raquel Lyra.
Campanha de Lula pretende ampliar diálogo no segundo turno
A aproximação com Raquel faz parte de uma estratégia mais ampla da campanha de Lula para a segunda etapa da eleição.
De acordo com Marília, a reunião realizada em Brasília também discutiu mudanças na comunicação da campanha, a busca por eleitores que ainda não estejam alinhados com nenhum dos dois campos políticos e estratégias para alcançar públicos fora das chamadas “bolhas” das redes sociais.
A senadora eleita também citou a necessidade de ampliar o diálogo com os jovens.
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.
O que está em jogo em Pernambuco
Para além da disputa presidencial, a tentativa de aproximação entre o grupo de Lula e Raquel Lyra coloca em evidência a relação entre os governos estadual e federal durante o próximo mandato da governadora.
Raquel terá mais quatro anos à frente do Palácio do Campo das Princesas, enquanto a bancada pernambucana eleita para o Congresso terá papel importante na negociação de recursos, emendas e projetos de interesse do Estado.
A eventual aproximação entre a governadora e a campanha presidencial de Lula, entretanto, dependerá das decisões políticas que serão tomadas ao longo das próximas semanas.

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