Pressão de apoiadores de Rogério Marinho contra Tereza Cristina irrita senadores do PP e pode influenciar articulações para a sucessão de Davi Alcolumbre.
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| Senadores Rogerio Marinho, Tereza Cristina e Ciro Nogueira. Foto: Jefferson Rudy -13.jul.24/Agência Senado |
A disputa pela presidência do Senado Federal começou a produzir atritos entre partidos que integram o campo da oposição ao governo Lula. Senadores do Progressistas (PP) demonstraram insatisfação com os ataques direcionados à senadora Tereza Cristina (PP-MS), pressionada por apoiadores de Rogério Marinho (PL-RN) a abandonar sua pré-candidatura ao comando da Casa.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, as críticas ocorreram nas redes sociais e também por meio de banners espalhados pelas ruas, com mensagens cobrando que a parlamentar deixasse de atrapalhar a articulação da oposição.
A ofensiva provocou desconforto dentro do PP, especialmente porque Tereza Cristina e Rogério Marinho já haviam estabelecido um entendimento para evitar uma disputa direta entre os dois.
A estratégia previa que a oposição chegasse a janeiro de 2027 com apenas um candidato, escolhido a partir da avaliação sobre quem teria melhores condições de enfrentar Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado.
Acordo não impediu disputa por protagonismo
Apesar do entendimento, os dois parlamentares ainda não definiram quem deverá representar a oposição na eleição.
Rogério Marinho conta com o tamanho da bancada do PL, que terá 29 senadores na próxima legislatura, além de três parlamentares do Novo. Esse cenário é utilizado por aliados do senador para defender que ele seja o escolhido.
Tereza Cristina, por sua vez, busca construir uma candidatura apoiada pela bancada feminina e por parlamentares de centro, além de interlocutores ligados ao agronegócio.
A senadora mantém sua disposição de disputar o comando da Casa. Em declarações anteriores, afirmou que pretende se tornar a primeira mulher a presidir o Senado.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), declarou que considera legítima a candidatura de Tereza e afirmou que a definição deverá ocorrer mais próximo da eleição.
PP pode mudar de posição na disputa
A insatisfação também pode ter consequências nas negociações políticas.
De acordo com dois parlamentares do PP ouvidos pela Folha, os ataques não devem provocar imediatamente uma mudança na posição dos votos da legenda em relação a Davi Alcolumbre.
Entretanto, caso a pressão contra Tereza Cristina continue, o partido poderá abrir negociações com o atual presidente do Senado.
A próxima bancada do PP terá seis votos. Segundo o levantamento apresentado pela Folha, dois são considerados alinhados a Alcolumbre, dois à candidatura da oposição e outros dois permanecem indefinidos.
A divisão transforma a legenda em uma peça importante nas articulações para a eleição da Mesa Diretora.
Outro elemento de tensão é a decisão da federação formada por PP e União Brasil de declarar apoio à recondução de Alcolumbre. A manifestação, segundo a reportagem, desagradou senadores dos dois partidos, que não teriam sido consultados previamente.
Eleição pode definir o equilíbrio de forças no Congresso
A presidência do Senado representa uma posição estratégica no sistema político brasileiro. Além de conduzir as sessões e organizar a pauta de votações, o presidente da Casa exerce influência sobre a tramitação de propostas legislativas e decisões relacionadas às prerrogativas constitucionais do Senado.
Também cabe à instituição processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal em casos de crimes de responsabilidade.
Por isso, a eleição de fevereiro de 2027 tem importância para o governo Lula, para a oposição e para os partidos do Centrão.
Enquanto o PL tenta consolidar Rogério Marinho como principal nome oposicionista, Tereza Cristina procura preservar espaço nas negociações. A pressão para que ela desista, entretanto, abriu um desgaste justamente entre aliados que afirmam trabalhar pela construção de uma candidatura única.
A disputa ainda está em aberto, e o acordo entre os dois parlamentares não eliminou a concorrência por apoio político dentro da própria oposição.

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