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Gilson Machado e Anderson trocam críticas públicas

Gilson Machado troca o PL pelo Podemos após divergências com Anderson Ferreira e disputa interna no campo bolsonarista em Pernambuco.

Anderson Ferreira e Gilson Machado
Ex-prefeito Anderson Ferreira e o ex-ministro Gilson Machado. Foto: Leandro de Santana

A filiação do ex-ministro do Turismo Gilson Machado ao Podemos intensificou a disputa política no campo bolsonarista em Pernambuco e provocou novas declarações públicas entre lideranças do grupo. Com potencial eleitoral estimado por aliados em mais de 200 mil votos para deputado federal, Gilson teve seu nome disputado por diferentes legendas antes de oficializar a entrada no partido, que integra a base de apoio da governadora Raquel Lyra.

A saída do PL ocorreu após divergências com o presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira. O episódio ganhou repercussão após Anderson classificar Gilson como “desertor” e “traidor” durante entrevista ao Blog Waldiney Passos, em Petrolina.

Gilson respondeu às críticas de forma moderada e afirmou que não pretende aprofundar o conflito político.

“Não vou polarizar com ele e nem preciso provar nada a Anderson sobre apoio a Bolsonaro. A melhor resposta que eu poderia dar são os comentários das pessoas que estão se pronunciando sobre a minha postura”, declarou.

Disputa interna no bolsonarismo

A mudança partidária ocorre em meio à reorganização das forças bolsonaristas em Pernambuco para as eleições de 2026. Gilson Machado costuma se apresentar como um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado e participou de diversas agendas políticas ao lado do ex-chefe do Executivo.

As divergências com Anderson Ferreira, no entanto, são antigas e se intensificaram ao longo de 2025, quando ambos passaram a se apresentar como possíveis candidatos ao Senado Federal.

Aliados de Gilson afirmam que a saída do PL foi motivada pela falta de confiança em relação ao apoio partidário para uma candidatura majoritária. Já integrantes do PL defendem que a legenda manteve diálogo aberto e criticam a decisão de deixar o partido.

Segundo Anderson Ferreira, a desistência de Gilson da disputa pelo Senado e a filiação ao Podemos representam um afastamento do projeto político ligado ao bolsonarismo.

Na mesma entrevista, Anderson afirmou que o Podemos participa da base do governo federal e que a decisão poderia impactar o posicionamento político do grupo.

Ele também declarou que a mudança partidária pode favorecer candidaturas que não estão alinhadas ao campo conservador.

Resposta da família Machado

Embora o ex-ministro tenha evitado aprofundar o debate público, o vereador do Recife Gilson Filho, filho do ex-ministro, comentou a controvérsia nas redes sociais.

Segundo ele, a candidatura ao Senado teria sido inicialmente incentivada pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda de acordo com o vereador, a decisão de deixar o PL teria ocorrido após divergências internas sobre o direcionamento político da legenda em Pernambuco.

Ele afirmou que a mudança partidária ocorreu após diálogo político e teria como objetivo fortalecer o apoio ao senador Flávio Bolsonaro no estado.

Gilson Filho também criticou a condução do partido em Pernambuco, afirmando que as declarações feitas contra o ex-ministro refletem o clima interno da legenda.

Histórico de divergências

Os desentendimentos entre Gilson Machado e Anderson Ferreira antecedem a saída do PL. Nos últimos anos, ambos disputaram protagonismo político dentro do bolsonarismo pernambucano.

Durante visitas do ex-presidente Jair Bolsonaro ao estado, aliados relataram distanciamento entre os dois dirigentes, que raramente apareceram juntos em agendas públicas.

A disputa ganhou maior intensidade quando ambos passaram a ser citados como possíveis candidatos ao Senado. A eventual permanência de Gilson no PL poderia ampliar o potencial eleitoral da legenda, que busca fortalecer sua bancada federal nas eleições de 2026.

Lideranças do partido avaliam que o grupo político ligado à família Ferreira possui estrutura suficiente para eleger ao menos um deputado federal. A presença de Gilson Machado, por outro lado, poderia ampliar o alcance eleitoral da legenda.

Estratégia eleitoral para 2026

A filiação ao Podemos também tem impacto na composição política estadual. O partido integra a base de apoio da governadora Raquel Lyra e busca ampliar sua presença na Câmara dos Deputados.

Nos bastidores, dirigentes partidários avaliam que Gilson Machado pode se tornar um dos principais puxadores de votos da legenda em Pernambuco.

Especialistas em política eleitoral destacam que a mudança partidária ocorre em um momento de reorganização das alianças políticas no estado.

A movimentação também evidencia a fragmentação do campo conservador pernambucano, que ainda busca definir suas principais lideranças para o pleito de 2026.

Enquanto o PL aposta na candidatura própria ao Senado, o Podemos tende a priorizar a formação de uma chapa competitiva para a Câmara Federal.

Equilíbrio de versões

Até o momento, não há confirmação oficial sobre candidaturas ao Senado ou à Câmara dos Deputados por parte das lideranças envolvidas.

Procurado por veículos de imprensa, Gilson Machado afirmou que pretende concentrar esforços na construção de sua pré-candidatura proporcional.

Já Anderson Ferreira tem participado de agendas partidárias e filiações políticas, reforçando a estrutura do PL para o próximo ciclo eleitoral.

Analistas políticos avaliam que o desentendimento entre os dois líderes reflete disputas comuns em processos de reorganização partidária.

A filiação de Gilson Machado ao Podemos representa um novo capítulo na reorganização política do campo bolsonarista em Pernambuco. A mudança partidária ocorreu após divergências com a direção estadual do PL e gerou troca de declarações públicas com Anderson Ferreira.

Enquanto aliados de Gilson defendem que a decisão fortalece sua estratégia eleitoral, integrantes do PL criticam a saída e questionam seus efeitos políticos.

O episódio evidencia a disputa por liderança dentro do grupo conservador no estado e antecipa o cenário competitivo que deve marcar as eleições de 2026 em Pernambuco.

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