Projeto da ponte em Escada enfrenta incertezas após dificuldades para obter empréstimo. Obras prometidas pela prefeitura geram debate político.
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| Ponte e mercado público entram em debate após dificuldades financeiras do município. Foto: Divulgação |
A construção da ponte em Escada, projetada para ligar os bairros do Viradouro e Atalaia, tornou-se tema de debate político após declarações feitas na Câmara Municipal indicando dificuldades financeiras para viabilizar a obra.
A ponte foi anunciada pela prefeita Mary Gouveia durante a campanha de reeleição em 2024 como uma das principais intervenções estruturais previstas para o município. A proposta previa um investimento estimado em cerca de R$ 20 milhões e tinha como objetivo melhorar a mobilidade urbana e reduzir o fluxo de veículos no centro da cidade.
Para viabilizar o projeto e outras obras estruturantes, a prefeitura encaminhou à Câmara Municipal um pedido de autorização para contratar um empréstimo de aproximadamente R$ 60 milhões. A proposta foi aprovada pelos vereadores, embora parlamentares da oposição tenham cobrado mais esclarecimentos sobre a execução e a viabilidade financeira dos projetos.
No entanto, durante uma sessão ordinária recente, o presidente da Câmara, vereador Zé Amaro do Alvorada (PRD), afirmou que o município não conseguiu obter o financiamento pretendido. Segundo ele, a prefeitura também não teria capacidade financeira própria suficiente para iniciar e concluir uma obra desse porte.
Até o momento, a Prefeitura de Escada não divulgou oficialmente um novo cronograma ou alternativas de financiamento para a ponte.
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| Zé Amaro da Alvorada (PRD) atual presidente da Câmara Municipal. Foto: TV Câmara |
Projeto da ponte em Escada e a mobilidade urbana
A ponte em Escada foi apresentada como uma obra estratégica para a cidade, localizada na Mata Sul de Pernambuco e com população estimada em cerca de 62 mil habitantes.
A ligação entre os bairros do Viradouro e Atalaia poderia criar uma rota alternativa ao tráfego que hoje passa pelo centro urbano, especialmente em horários de pico. A proposta também incluía a melhoria do acesso a áreas residenciais e comerciais.
Projetos de pontes já apareceram em processos licitatórios municipais. O Portal da Transparência do município registra editais relacionados à construção de ponte de concreto sobre o Rio Ipojuca, indicando iniciativas de infraestrutura em andamento.
Mesmo assim, ainda não há confirmação de que essas iniciativas correspondam diretamente ao projeto anunciado durante a campanha eleitoral.
Especialistas em gestão pública afirmam que obras estruturantes dependem normalmente de financiamento externo, especialmente em municípios de médio porte com receitas limitadas.
Debate político sobre promessas de campanha
A possibilidade de a obra não sair no curto prazo abriu espaço para críticas políticas e discussões sobre promessas eleitorais.
Setores da oposição levantaram a hipótese de que a promessa da ponte poderia configurar descumprimento de compromissos de campanha caso não seja executada. Alguns opositores chegaram a mencionar a expressão "estelionato eleitoral", embora especialistas em direito eleitoral apontem que o termo não se aplica automaticamente a promessas não realizadas.
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| Obras prometidas em Escada enfrentam dificuldades. Foto: Sanchilis Oliveira / Portal Fala News |
De acordo com juristas, a caracterização de estelionato eleitoral exige comprovação de intenção deliberada de enganar o eleitorado, o que costuma ser difícil de demonstrar juridicamente.
Aliados da prefeita afirmam que o planejamento de obras depende da obtenção de recursos externos e que dificuldades de financiamento podem alterar cronogramas sem que isso represente irregularidade administrativa.
A prefeita Mary Gouveia, filiada ao PL, foi reeleita e afirma ter compromisso com a gestão responsável dos recursos públicos e com a execução de melhorias para a população.
Obra do mercado público segue em ritmo lento
Outro projeto que vem gerando debate é a construção do novo mercado público municipal, estimada em cerca de R$ 10 milhões.
O antigo mercado já foi demolido, mas a nova estrutura ainda não foi concluída. Enquanto isso, comerciantes estão funcionando de forma provisória na Praça da Bandeira, no centro da cidade.
Comerciantes relatam dificuldades relacionadas à estrutura provisória, como espaço reduzido e limitações para armazenamento de mercadorias. Eles também afirmam que aguardam definições sobre o andamento da obra.
Até o momento, a prefeitura não divulgou previsão oficial para a conclusão do novo mercado público.
Situação financeira do município
A discussão sobre a viabilidade das obras ocorre em um contexto mais amplo de preocupações com a situação financeira do município.
Em 2025, o Ministério Público de Pernambuco abriu investigação para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao pagamento de empréstimos consignados descontados de servidores municipais.
Embora a investigação não esteja diretamente relacionada às obras estruturais, o caso ampliou o debate público sobre a capacidade financeira da administração municipal.
Especialistas destacam que municípios frequentemente recorrem a financiamentos para executar obras de grande porte. Entretanto, a aprovação de crédito depende de garantias financeiras e da análise das instituições bancárias.
Sem esses recursos, projetos estruturantes tendem a ser adiados ou redimensionados.
Prefeitura ainda não apresentou novo plano
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a obtenção de novas fontes de financiamento para a ponte em Escada ou sobre eventual reformulação do projeto.
Também não foi divulgado um novo cronograma para a execução da obra.
A administração municipal segue executando outras intervenções de menor porte e serviços públicos, conforme divulgado em comunicados institucionais.
Resumo da situação das obras
A ponte em Escada e o novo mercado público se tornaram temas centrais do debate político local após a divulgação de dificuldades financeiras para execução dos projetos.
Enquanto a prefeitura afirma buscar soluções para viabilizar as obras, vereadores e moradores cobram mais informações sobre prazos e recursos.
Sem definição sobre o financiamento, as obras permanecem sem previsão concreta de conclusão, mantendo o tema em destaque no cenário político e administrativo do município.



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