Comissão da Câmara aprova PEC do fim da escala 6x1 e redução gradual da jornada semanal para 40 horas no Brasil.
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| Comissão aprova o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados |
A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27), por 34 votos a 4, a PEC do fim da escala 6x1, proposta que reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho no Brasil das atuais 44 horas para 40 horas semanais.
O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Leo Prates, do Republicanos da Bahia, e unifica pontos de duas propostas que tratavam da redução da jornada de trabalho no país.
Agora, a proposta seguirá para análise do plenário da Câmara dos Deputados. Se aprovada em dois turnos, ainda precisará passar pelo Senado Federal.
Como ficará a nova jornada de trabalho
Pelo texto aprovado, a redução da jornada ocorrerá em duas etapas.
Sessenta dias após a promulgação da emenda constitucional, a carga semanal máxima passará de 44 para 42 horas semanais. Nesse modelo, os trabalhadores terão direito a dois dias de repouso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
Depois de 12 meses, a jornada máxima cairá definitivamente para 40 horas semanais.
A proposta mantém o limite diário de oito horas de trabalho e prevê a preservação de acordos e convenções coletivas, inclusive para regimes diferenciados, como a escala 12x36 e atividades consideradas essenciais.
Entre os setores citados estão saúde, segurança pública, transporte e limpeza urbana.
Texto reúne propostas de diferentes parlamentares
O parecer aprovado reúne elementos de duas PECs em tramitação na Câmara:
- a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais, que previa jornada de 36 horas após dez anos de transição;
- e a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton, do Psol de São Paulo, que defendia a adoção da jornada 4x3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
Durante a votação, Leo Prates afirmou que a proposta representa uma transformação social relevante para os trabalhadores brasileiros.
Segundo o relator, a redução da jornada pode ampliar o tempo de convivência familiar e melhorar a qualidade de vida da população.
Regras especiais para pequenos negócios e setores específicos
O texto aprovado também estabelece que uma futura lei complementar poderá criar regras específicas para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.
A medida prevê que essas regras deverão preservar empregos durante o processo de adaptação à nova jornada.
Além disso, profissionais de alta remuneração e qualificação poderão ficar dispensados do controle obrigatório de jornada.
Nos contratos públicos e terceirizados, a redução da jornada só passará a valer após aditivos contratuais, com prazo de até 12 meses para adaptação.
Debate na comissão dividiu parlamentares
A discussão da PEC mobilizou parlamentares de diferentes partidos ao longo da sessão.
O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante, afirmou que o partido pretende defender no plenário uma mudança ainda mais ampla, com adoção imediata da escala 4x3.
O parlamentar criticou o prazo de transição previsto no texto aprovado.
Já o deputado Lindbergh Farias, do PT, rebateu críticas da oposição e citou emendas apresentadas por parlamentares do PL propondo transições mais longas e jornadas superiores às atuais.
A deputada Julia Zanatta, do PL, afirmou que a redução da jornada pode elevar custos para empresas e impactar preços ao consumidor.
Por outro lado, a deputada Sâmia Bomfim, do Psol, classificou a aprovação como uma vitória dos trabalhadores e movimentos sociais.
Autora de uma das propostas analisadas, Erika Hilton afirmou que a medida representa um avanço em direção à dignidade, ao descanso e à melhoria das condições de vida dos trabalhadores.
Novo apresentou voto alternativo
Em voto em separado, o líder do Novo, deputado Gilson Marques, propôs substituir os limites fixos de jornada por um modelo de livre negociação entre empregadores e trabalhadores.
Segundo o parlamentar, a redução obrigatória da carga horária pode elevar custos operacionais e impactar preços de produtos e serviços.
Gilson Marques defendeu maior flexibilidade nas relações trabalhistas e afirmou que trabalhadores deveriam ter autonomia para negociar diretamente suas jornadas.
Próximos passos da PEC
A PEC do fim da escala 6x1 ainda precisará ser votada em dois turnos pelo plenário da Câmara dos Deputados, onde necessita do apoio mínimo de 308 parlamentares.
Depois disso, o texto seguirá para análise do Senado Federal.
A proposta se tornou uma das pautas trabalhistas de maior repercussão no Congresso Nacional e vem mobilizando sindicatos, empresários, trabalhadores e movimentos sociais em todo o país.

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