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Pernambuco amplia ensino hospitalar para estudantes

Pernambuco abre primeira classe hospitalar de ensino médio no Hospital Oswaldo Cruz para estudantes em tratamento oncológico.

Classe Hospitalar
Ensino médio chega a classe hospitalar em Pernambuco. Foto: Josimar Oliveira/SEE

Pernambuco abriu, nesta segunda-feira (17), a primeira classe hospitalar de ensino médio da Rede Estadual de Ensino. A iniciativa funciona no Centro de OncoHematologia Pediátrica (Ceonhpe) do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no Recife, e atende estudantes em tratamento oncológico. A ação é realizada pela Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE) em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) e o Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer de Pernambuco (GAC)

Pernambuco abre primeira classe hospitalar de ensino médio

A nova classe hospitalar foi criada para permitir que adolescentes internados ou em acompanhamento hospitalar mantenham a rotina escolar durante o tratamento. A primeira turma reúne estudantes atendidos pelo GAC e pelo Ceonhpe, com uma sala exclusiva para as atividades pedagógicas.

A proposta busca evitar que o afastamento temporário da escola provoque uma interrupção prolongada na trajetória educacional. Além das atividades acadêmicas, a iniciativa pretende preservar vínculos sociais e contribuir para que os estudantes continuem desenvolvendo seus projetos de vida.

Segundo as informações divulgadas pelo Governo de Pernambuco, o atendimento é adaptado às condições clínicas, emocionais, sociais e educacionais de cada estudante.

Como funciona a classe hospitalar

A classe hospitalar conta com profissionais da Rede Estadual de Ensino e do Atendimento Educacional Especializado (AEE). As atividades são planejadas de forma flexível, levando em consideração a condição de saúde dos alunos e a rotina do tratamento.

Os estudantes que não podem sair do leito também podem receber acompanhamento pedagógico. Dessa forma, o atendimento não fica restrito à sala criada dentro do ambiente hospitalar.

A proposta utiliza atividades consideradas lúdicas, interativas e criativas, com o objetivo de estimular a aprendizagem e favorecer o desenvolvimento integral dos adolescentes.

Estudante retoma os estudos durante tratamento

Uma das estudantes atendidas é Jamille Vitória, de 16 anos. Diagnosticada com linfoma em estágio inicial em junho, ela está em acompanhamento pela equipe multidisciplinar do HUOC.

Natural de Tacaratu, no Sertão de Pernambuco, Jamille é aluna da Escola de Referência em Ensino Médio João Batista de Vasconcelos. Durante a internação, precisou interromper temporariamente os estudos.

Com a implantação da classe hospitalar, a adolescente voltou às atividades escolares nesta segunda-feira. Ela também se prepara para concluir a última sessão de quimioterapia, conforme relato divulgado pelo GAC e pelo Governo de Pernambuco.

“Por conta da internação, eu parei os estudos, e foi algo que mexeu muito comigo”, afirmou Jamille. Segundo ela, a possibilidade de estudar durante o tratamento ajuda a manter os planos para o futuro.

Projeto busca preservar vínculo com a escola

Para a Secretaria de Educação, a iniciativa pretende fazer com que o tratamento de saúde não represente também uma ruptura com a vida escolar.

A gerente geral de Política Educacional do Ensino Médio da SEE, Ana Laudemira Reis, afirmou que a proposta foi pensada para integrar diferentes áreas do conhecimento e trabalhar aspectos como protagonismo juvenil e projeto de vida.

Na prática, isso significa adaptar o processo de ensino às necessidades do estudante. A prioridade é permitir que o adolescente continue aprendendo sem desconsiderar as limitações impostas pelo tratamento.

Parceria reúne educação, universidade e assistência

A abertura da turma resulta de uma parceria entre a Secretaria de Educação de Pernambuco, a Universidade de Pernambuco e o GAC.

A presidente do GAC, médica oncopediatra Vera Morais, afirmou que a implantação do ensino médio representa a concretização de uma iniciativa que a instituição buscava ampliar. O GAC já mantinha atendimento educacional para crianças menores e passou a contar também com a oferta destinada aos estudantes do ensino médio.

O Hospital Universitário Oswaldo Cruz integra o Complexo Hospitalar da UPE e está localizado no bairro de Santo Amaro, no Recife. Documentos oficiais da administração estadual identificam o HUOC como unidade vinculada à Universidade de Pernambuco.

9. Contextualização

O que é uma classe hospitalar?

A classe hospitalar é uma modalidade de atendimento educacional destinada a estudantes que não conseguem frequentar regularmente a escola por causa de um tratamento de saúde prolongado.

No Brasil, esse direito foi reforçado pela Lei nº 13.716/2018, que acrescentou à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) a garantia de atendimento educacional durante o período de internação para estudantes da educação básica submetidos a tratamento de saúde em regime hospitalar ou domiciliar por tempo prolongado.

A legislação estabelece, portanto, uma proteção ao direito à educação mesmo quando o estudante precisa se afastar temporariamente da escola por razões de saúde.

Iniciativa amplia atendimento já existente

A implantação anunciada agora não significa que o atendimento educacional em ambiente hospitalar seja uma experiência inédita em Pernambuco.

Em 2015, a Prefeitura do Recife já divulgava uma iniciativa de classe hospitalar voltada a jovens com câncer, também em parceria com o Hospital Universitário Oswaldo Cruz e o GAC-PE. Na época, o município informou que o projeto havia se transformado em uma política contínua de escolarização para estudantes internados.

A novidade anunciada pelo Estado em 2026 é a abertura da primeira classe hospitalar de ensino médio da Rede Estadual de Ensino, segundo as informações divulgadas pela Secretaria de Educação.

Por que a continuidade dos estudos é importante?

O afastamento prolongado da escola pode interferir não apenas na aprendizagem, mas também na convivência com colegas, na rotina e nos projetos pessoais do adolescente.

Em situações de tratamento oncológico, as atividades escolares precisam ser compatíveis com consultas, internações, procedimentos e períodos de recuperação. Por isso, o modelo hospitalar permite uma organização pedagógica mais flexível.

A legislação federal reconhece justamente a necessidade de garantir atendimento educacional aos estudantes da educação básica que permanecem internados ou em tratamento prolongado.

A abertura da primeira classe hospitalar de ensino médio da Rede Estadual de Pernambuco amplia a possibilidade de continuidade dos estudos para adolescentes em tratamento oncológico no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife.

A iniciativa reúne Secretaria de Educação, UPE e GAC e adapta o ensino às condições de cada estudante. O projeto também busca preservar vínculos escolares e sociais durante um período de afastamento da rotina convencional.

Agora, a classe hospitalar passa a atender a primeira turma de estudantes do ensino médio no Ceonhpe. A continuidade da iniciativa e sua eventual ampliação dependerão da organização da rede e da demanda identificada pelos órgãos envolvidos.

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