Alice Gabino critica articulação e defende autonomia da federação. Foto: Rafael Vieira
Ivan Moraes mantém sua candidatura ao governo de Pernambuco pela Federação PSOL/Rede e afirma que não pretende recuar diante das pressões pela retirada da chapa. A reação ganhou força após uma declaração publicada por Alice Gabino, candidata a vice-governadora, que acusou grupos políticos de tentar impedir que a federação dispute as eleições de 2026. A manifestação ocorre em um momento de forte disputa nos bastidores. Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que o PSB trabalha para retirar a candidatura de Ivan Moraes da corrida pelo governo estadual, com o objetivo de concentrar forças na candidatura de João Campos. A Federação PSOL/Rede, entretanto, já apresentou oficialmente Ivan Moraes, Alice Gabino e Paulo Rubem Santiago como sua chapa majoritária para Pernambuco. O anúncio foi realizado na Casa Marielle Franco, sede estadual do PSOL, no Recife. Alice Gabino chama pressão de disputa contra as “oligarquias”Em uma publicação nas redes sociais, Alice Gabino elevou o tom contra o movimento para retirar a candidatura. A candidata abriu a manifestação com um questionamento direto aos pernambucanos: “Vocês sabem o que quer dizer PODER OLIGÁRQUICO?” Na sequência, explicou o conceito como uma forma de controle político em que o poder fica concentrado nas mãos de um pequeno grupo, associado a interesses econômicos, familiares ou sociais. Foi a partir dessa definição que Alice fez a acusação central de sua manifestação: “E essas oligarquias estão interessadas na RETIRADA DA NOSSA DISPUTA AO GOVERNO DE PERNAMBUCO NESTAS ELEIÇÕES!!!” A candidata afirmou ainda que a pressão teria como objetivo fazer com que a Federação PSOL/Rede desistisse da candidatura de Ivan Moraes ao governo e dela própria à vice-governadoria. “Nem eu e nem Ivan Moraes iremos recuar”Alice Gabino não tratou a disputa como uma simples negociação eleitoral. Em sua publicação, apresentou a permanência da candidatura como uma questão política e de projeto para Pernambuco. “Nem eu e nem Ivan Moraes iremos recuar e nos intimidar com as pressões vergonhosas da Casa-Grande”, escreveu. Na mesma publicação, a candidata afirmou que a chapa pretende defender liberdade, democracia, justiça social, justiça climática e distribuição de renda. O discurso coloca a candidatura de Ivan Moraes em confronto direto com aquilo que Alice chama de estruturas tradicionais de poder no estado. “Pernambuco não tem donos”, afirma candidataAlice Gabino também fez críticas à concentração histórica de poder em Pernambuco. Segundo ela, o sistema político estadual teria permitido a concentração e o revezamento do poder entre grupos familiares durante anos. Na avaliação apresentada pela candidata, esse modelo estaria relacionado à manutenção das desigualdades sociais e à retirada de direitos. Ela também acusou os grupos que classificou como oligarquias de buscar preservar privilégios e interesses próprios. As afirmações fazem parte do posicionamento político de Alice Gabino e foram apresentadas por ela em sua conta nas redes sociais. Ao encerrar a publicação, a candidata lançou uma frase que resume o tom adotado pela chapa diante da pressão: “Deixem o povo decidir! Pernambuco não tem DONOS!” PSB pressiona pela retirada de Ivan MoraesA reação de Alice ocorre em paralelo a uma movimentação política do PSB em Pernambuco. Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo informou que o partido busca a desistência de Ivan Moraes para fortalecer a candidatura de João Campos ao governo estadual. Segundo a publicação, o objetivo seria unificar forças da oposição à governadora Raquel Lyra e ampliar o espaço eleitoral de Campos. A reportagem também relatou que existe pressão dentro do campo político para que o PSOL retire sua candidatura. O movimento coloca a candidatura de Ivan no centro de uma disputa que ultrapassa a própria chapa. A retirada ou permanência do PSOL pode alterar a estratégia dos principais grupos que disputam o Palácio do Campo das Princesas. PSOL-PE resiste e mantém Ivan MoraesA resistência do PSOL pernambucano também não começou agora. O partido já havia reafirmado a pré-candidatura de Ivan Moraes ao governo de Pernambuco antes da composição definitiva com a Rede. Em julho, a Federação PSOL/Rede oficializou a chapa com Ivan Moraes para o governo, Alice Gabino para vice e Paulo Rubem Santiago para o Senado. Na apresentação da chapa, Ivan afirmou que Pernambuco não deveria ficar restrito à polarização entre João Campos e Raquel Lyra e defendeu uma alternativa política para o eleitorado. Uma candidatura que quer romper a polarizaçãoA própria apresentação oficial da chapa foi marcada por um discurso de enfrentamento à polarização entre os dois principais grupos da disputa estadual. Ivan Moraes afirmou que a Federação pretende oferecer uma alternativa e questionou a ideia de que apenas duas candidaturas estariam colocadas para o eleitorado pernambucano. A estratégia política é ocupar um espaço próprio na eleição, apresentando propostas vinculadas à esquerda, às políticas sociais, à defesa dos serviços públicos e à agenda ambiental. Alice Gabino reforçou esse posicionamento ao afirmar que a chapa possui um programa de governo capaz, segundo ela, de transformar a realidade social do estado. Alice acusa “entreguismo” e mira os adversáriosNa publicação, Alice Gabino também atacou o que chamou de política de “entreguismo”. Segundo ela, a chapa representa uma alternativa ao avanço de políticas que, em sua avaliação, favorecem a transferência de bens e serviços públicos para interesses privados. A candidata ainda afirmou que a chapa “não patrocina a desgraça humana com BETs” e “não recebe visita indesejada da Polícia Federal”, em uma sequência de críticas direcionadas aos adversários políticos. Essas afirmações foram feitas por Alice Gabino em sua manifestação e integram o discurso eleitoral da candidata. A disputa chegou ao ponto de mobilizar o partidoA reação política ganhou um novo capítulo neste sábado (15). O PSOL de Pernambuco convocou uma coletiva de imprensa para as 18h, na Casa Marielle Franco, sede estadual do partido, no Recife. O encontro deverá reunir candidatos e apoiadores da candidatura de Ivan Moraes. A expectativa é de que o partido trate da permanência da candidatura e das movimentações políticas que pressionam pela retirada da chapa. A escolha da Casa Marielle Franco também tem peso simbólico. Foi no mesmo local que a Federação PSOL/Rede apresentou oficialmente, em julho, a chapa formada por Ivan Moraes, Alice Gabino e Paulo Rubem Santiago. O que está em disputaMais do que a permanência de um nome na eleição, o embate coloca em discussão o espaço que candidaturas menores terão na disputa pelo governo de Pernambuco. Para o PSOL/Rede, a candidatura de Ivan representa a possibilidade de apresentar uma alternativa à polarização entre João Campos e Raquel Lyra. Para o PSB, segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, a retirada de Ivan poderia contribuir para concentrar forças em torno de João Campos. É nesse choque de estratégias que a candidatura de Ivan Moraes ganhou novo peso político. “Estamos com o bloco na rua”Alice Gabino encerrou sua manifestação com uma convocação direta aos apoiadores. “Estamos com o bloco na rua e contamos com a força, coragem e esperança de nossa gente.” A candidata também reafirmou que não pretende abandonar a disputa e colocou a decisão nas mãos do eleitorado. “Deixem o povo decidir! Pernambuco não tem DONOS!” A frase passou a sintetizar o posicionamento da chapa diante das pressões relatadas nos bastidores. O que acontece agoraA candidatura de Ivan Moraes segue sendo defendida pelo PSOL de Pernambuco e pela Federação PSOL/Rede. A coletiva marcada para este sábado, às 18h, na Casa Marielle Franco, deverá ser o próximo momento público de manifestação do partido sobre o impasse. Enquanto isso, a pressão política relatada pela Folha de S.Paulo coloca o PSOL diante de uma decisão de grande impacto para a configuração da eleição em Pernambuco. De um lado, existe a tentativa de concentrar forças na disputa entre os principais grupos políticos. Do outro, Ivan Moraes e Alice Gabino afirmam que permanecerão na corrida e defendem o direito de apresentar uma alternativa ao eleitor pernambucano. Por enquanto, a mensagem da chapa é direta: não recuar, manter a candidatura e deixar que o eleitor decida nas urnas. |
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