Recife amplia infraestrutura cicloviária, cria novas conexões e prepara o Bike Recife, com 1.200 bicicletas e 240 elétricas em 120 estações.
| Recife prepara novo sistema de bicicletas compartilhadas. Foto: Josenildo Gomes/Arquivo PCR |
No Dia Nacional do Ciclista, celebrado nesta quarta-feira (19), o Recife reforça a estratégia de expansão da mobilidade por bicicleta com novas conexões cicloviárias, equipamentos de apoio e a preparação de um novo sistema de bicicletas compartilhadas. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, a cidade possui cerca de 206 quilômetros de malha cicloviária, enquanto projetos em execução e planejados ampliam a integração entre diferentes regiões. O Bike Recife prevê 1.200 bicicletas, sendo 240 elétricas, distribuídas em 120 estações.
Recife amplia infraestrutura para ciclistas
A expansão da infraestrutura cicloviária é uma das principais frentes da política de mobilidade ativa do Recife. De acordo com o balanço apresentado pela Prefeitura, aproximadamente 195 dos 206 quilômetros informados de malha cicloviária estão conectados entre diferentes regiões da cidade.
A gestão municipal destaca que a rede permite ligações entre as zonas Norte, Oeste, Centro e Sul. Entre as intervenções citadas estão a Ciclofaixa da Torre, a estrutura da Rua do Futuro e a ciclovia da Avenida Agamenon Magalhães.
A Rua do Futuro, por exemplo, passou a oferecer uma ligação mais direta para ciclistas entre a Zona Norte e o Centro, enquanto a estrutura da Agamenon Magalhães ampliou a conexão com a Zona Sul.
Há, porém, uma diferença de metodologia que merece registro. O Portal de Dados Abertos da Prefeitura apresenta atualmente uma base georreferenciada com 232,3 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, sendo 198,3 quilômetros classificados como conectados. A Prefeitura não esclarece, na informação utilizada para esta matéria, se a diferença decorre de atualização da base ou de critérios distintos de contabilização.
Novas ciclovias ampliam conexões em Recife
Uma das obras em andamento é a ciclovia da Avenida Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira. O projeto prevê conexão entre a região próxima à divisa com Jaboatão dos Guararapes, o aeroporto e a futura Ponte Júlia Santiago.
Informações oficiais mais recentes da Prefeitura apontam que o projeto da Mascarenhas de Moraes possui 6,7 quilômetros, divididos em etapas, com investimento total informado de R$ 10,6 milhões. A primeira fase, de 3,6 quilômetros, está sendo executada com recursos da Aena Brasil.
O projeto original divulgado pela Prefeitura previa 4,8 quilômetros de ciclovia, combinando trechos unidirecionais e bidirecionais, áreas de espera, ilhas e refúgios para ampliar a segurança dos usuários.
A intervenção é considerada estratégica porque conecta uma das principais portas de entrada da cidade a outros trechos da rede cicloviária, aproximando a bicicleta de deslocamentos cotidianos.
Ponte Cordeiro-Casa Forte terá ciclovia
Outra intervenção que deverá incorporar a bicicleta à infraestrutura de mobilidade é a Ponte Cordeiro-Casa Forte, atualmente em construção.
A obra terá 380 metros de extensão e aproximadamente 11 metros de altura. A nova ligação conectará a Avenida Caxangá à Avenida 17 de Agosto e contará com quatro faixas de rolamento, calçadas acessíveis e ciclovia. O investimento total anunciado para a ponte e o complexo viário supera R$ 218 milhões.
O projeto integra a requalificação do complexo viário da III Perimetral. A Prefeitura estima que a nova ligação poderá reduzir distâncias e tempos de deslocamento em determinados trajetos entre as zonas Oeste e Norte.
Para os ciclistas, a importância está na possibilidade de incorporar uma nova conexão transversal à rede existente, permitindo deslocamentos entre regiões que atualmente dependem de outros corredores viários.
Bike Recife terá 1.200 bicicletas
Outra novidade prevista para a mobilidade urbana é o Bike Recife, novo sistema municipal de bicicletas compartilhadas.
O projeto prevê 1.200 bicicletas, sendo 240 elétricas com pedal assistido, distribuídas em 120 estações. Os equipamentos deverão ser integrados à rede cicloviária e contar com monitoramento por GPS.
O sistema substituirá, na capital, o modelo atualmente associado ao Bike PE. A Tembici continuará como operadora após vencer a licitação realizada no fim de 2025, segundo informações divulgadas sobre o projeto. O contrato terá duração de dez anos e o investimento estimado chega a aproximadamente R$ 101,9 milhões.
A proposta também amplia o número de estações e introduz bicicletas elétricas de pedal assistido. A expectativa é facilitar deslocamentos em áreas com maior circulação de veículos e ampliar o uso da bicicleta como alternativa de transporte cotidiano.
A implantação ainda estava em fase final de ajustes, incluindo a definição dos locais das estações e procedimentos previstos no contrato.
Equipamentos de apoio e áreas de trânsito calmo
Além das ciclovias, a Prefeitura afirma ter ampliado a infraestrutura de apoio aos usuários. Desde 2021, foram instaladas mais de 5 mil vagas públicas para bicicletas em paraciclos distribuídos por diferentes áreas da cidade, segundo o balanço fornecido pela gestão.
Outra frente envolve as chamadas áreas de trânsito calmo, com velocidade máxima de 30 km/h. Esses espaços combinam redução de velocidade com intervenções urbanas destinadas a melhorar a convivência entre pedestres, ciclistas e veículos.
A estratégia segue uma lógica de mobilidade que não depende apenas da construção de ciclovias. A segurança também passa por desenho urbano, fiscalização, sinalização, redução de velocidades e integração entre diferentes meios de transporte.
O que muda para quem usa bicicleta
Para quem utiliza a bicicleta diariamente, a ampliação das conexões pode representar mais opções de deslocamento e menor dependência de corredores compartilhados com veículos motorizados.
A integração é especialmente importante para quem usa a bicicleta para trabalhar, estudar ou realizar atividades cotidianas. Também pode beneficiar entregadores que utilizam o modal profissionalmente.
O novo sistema de bicicletas compartilhadas acrescenta outro elemento à estratégia. Com bicicletas elétricas e maior número de estações, a proposta é facilitar o acesso ao modal inclusive para pessoas que não possuem bicicleta própria.
Por que o Dia Nacional do Ciclista é celebrado em 19 de agosto
O Dia Nacional do Ciclista é celebrado em 19 de agosto desde a criação da Lei nº 13.508/2017. A legislação estabeleceu oficialmente a data em todo o território nacional.
A escolha do dia é uma homenagem ao ciclista Pedro Davison, morto em 19 de agosto de 2006, após ser atropelado enquanto pedalava em Brasília. A data passou a representar também um momento de reflexão sobre segurança viária, respeito aos ciclistas e mobilidade sustentável.
No Recife, o debate ocorre em meio à expansão da infraestrutura destinada à bicicleta. O desafio é fazer com que o crescimento da rede seja acompanhado pela integração entre bairros e pela segurança de todos os usuários das ruas.
A bicicleta passou a ocupar espaço mais relevante nas políticas de mobilidade urbana do Recife ao longo dos últimos anos. A expansão da rede cicloviária busca não apenas oferecer espaço exclusivo para bicicletas, mas criar conexões capazes de formar uma rede contínua.
O Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana do Recife foi elaborado para orientar a expansão da infraestrutura cicloviária em municípios da região. O planejamento considera diferentes tipos de estruturas, como ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas.
A experiência do Recife também está inserida em uma discussão mais ampla sobre mobilidade ativa. A redução de velocidades, a melhoria das calçadas e a integração com o transporte coletivo são elementos importantes para criar condições mais seguras para deslocamentos não motorizados.
O avanço, entretanto, precisa ser acompanhado pela atualização permanente dos dados públicos. A diferença encontrada entre o balanço de 206 quilômetros apresentado pela Prefeitura e os 232,3 quilômetros atualmente registrados no Portal de Dados Abertos reforça a importância de critérios claros e atualizados para medir a evolução da infraestrutura.
O Recife chega ao Dia Nacional do Ciclista com novos projetos de infraestrutura e a preparação de um sistema municipal de bicicletas compartilhadas. A expansão inclui novas conexões cicloviárias, equipamentos de apoio e intervenções que incorporam a bicicleta a grandes obras viárias.
O Bike Recife, com previsão de 1.200 bicicletas, incluindo 240 elétricas, e 120 estações, será uma das principais novidades da política de mobilidade por bicicleta da cidade.
Agora, o desafio é transformar a expansão da infraestrutura em uma rede cada vez mais integrada e segura. A conclusão das obras e a implantação do novo sistema deverão definir os próximos avanços para quem escolhe a bicicleta como meio de transporte no Recife.
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