Agricultura na Mata Atlântica avançou 11 milhões de hectares entre 1985 e 2025, enquanto 9,7 milhões de hectares de vegetação madura foram perdidos.
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| Agricultura cresce enquanto Mata Atlântica perde vegetação. Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil |
O levantamento do MapBiomas mostra uma transformação significativa no uso da terra na Mata Atlântica entre 1985 e 2025. Nesse período, a área destinada à agricultura aumentou aproximadamente 11 milhões de hectares.
Ao mesmo tempo, o bioma perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura. O estudo considera como vegetação madura as áreas identificadas como vegetação nativa desde o início da série histórica.
A expansão agrícola ocorreu principalmente sobre áreas que anteriormente eram utilizadas como pastagens. Segundo o MapBiomas, as pastagens perderam cerca de 11 milhões de hectares no período analisado.
O que aconteceu com a vegetação da Mata Atlântica
Apesar da redução da vegetação madura, o levantamento também identificou crescimento de áreas de vegetação secundária. Mais de 8 milhões de hectares voltaram a apresentar vegetação após terem sido desmatados anteriormente.
Atualmente, aproximadamente um em cada quatro hectares de vegetação nativa existente na Mata Atlântica corresponde a áreas que passaram por regeneração desde 1985.
O dado, porém, não significa que a regeneração tenha compensado integralmente a perda de vegetação madura. O próprio levantamento mostra que áreas regeneradas também passaram a sofrer novas supressões nos anos mais recentes.
Entre 2021 e 2025, foram suprimidos 1,2 milhão de hectares no bioma. Desse total, cerca de 700 mil hectares correspondiam a vegetação secundária e 500 mil hectares a vegetação madura.
Agricultura na Mata Atlântica ocupa 19% do bioma
Em 2025, a agricultura ocupava aproximadamente 20,5 milhões de hectares da Mata Atlântica, o equivalente a 19% da área total do bioma.
A agropecuária, considerando as diferentes classes mapeadas pelo levantamento, respondia por 63% do território da Mata Atlântica. Já a vegetação nativa correspondia a 32%.
A expansão agrícola registrada nas últimas quatro décadas também foi acompanhada por mudanças na composição das culturas presentes no território.
Soja e cana-de-açúcar ampliaram presença
A soja está entre as culturas que mais aumentaram sua área na Mata Atlântica. Entre 1985 e 2025, a cultura ganhou 8,7 milhões de hectares.
Em 2025, a soja ocupava 11,11 milhões de hectares no bioma, área 4,6 vezes maior que a registrada no início da série histórica.
A cana-de-açúcar também apresentou forte expansão. A cultura ganhou aproximadamente 5 milhões de hectares e chegou a 6,15 milhões de hectares em 2025, 5,3 vezes a área registrada em 1985.
No mesmo ano, a Mata Atlântica concentrava 25% das áreas de soja, 50% das áreas de cana-de-açúcar, 68% das áreas de café e 34% das áreas de citrus mapeadas no país.
Regeneração não elimina a perda de vegetação madura
Um dos principais pontos apresentados pelo MapBiomas é a coexistência entre perda de vegetação madura e regeneração de áreas anteriormente desmatadas.
A recuperação de mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária demonstra que áreas alteradas podem voltar a apresentar cobertura vegetal. Entretanto, a vegetação regenerada possui histórico diferente das áreas que permaneceram com cobertura nativa madura.
Os dados mais recentes também indicam uma mudança na pressão sobre o território. Entre 2021 e 2025, a maior parte da supressão registrada na Mata Atlântica atingiu áreas de vegetação secundária.
O que diz a legislação sobre a Mata Atlântica
A proteção do bioma é regulamentada pela Lei nº 11.428, de 2006, conhecida como Lei da Mata Atlântica. A legislação estabelece regras específicas para a conservação, utilização e regeneração da vegetação nativa.
A lei diferencia a vegetação primária da vegetação secundária e estabelece regras de proteção de acordo com o estágio de regeneração. A legislação também prevê mecanismos voltados à conservação e à recuperação do bioma.
A supressão de vegetação, portanto, está sujeita às regras ambientais aplicáveis, incluindo exigências relacionadas à autorização e ao estágio de regeneração da área.
Por que os dados são relevantes
A série histórica do MapBiomas permite observar as mudanças no território ao longo de quatro décadas, em vez de analisar apenas um ano isoladamente.
No caso da Mata Atlântica, os dados mostram simultaneamente a expansão da agricultura, a perda de vegetação madura e a regeneração de áreas anteriormente desmatadas.
O conjunto dessas informações ajuda a dimensionar a transformação do bioma e a acompanhar como diferentes formas de uso da terra alteraram sua cobertura entre 1985 e 2025.
A série mais recente do MapBiomas termina em 2025. Por isso, os números apresentados no levantamento não representam alterações ocorridas depois desse período.
O acompanhamento das próximas edições será necessário para verificar como agricultura, regeneração, desmatamento e demais formas de ocupação do território irão evoluir na Mata Atlântica.
A legislação ambiental permanece como referência para a proteção e o uso da vegetação nativa, enquanto os dados de monitoramento permitem acompanhar as mudanças no território.
A agricultura na Mata Atlântica avançou cerca de 11 milhões de hectares entre 1985 e 2025, enquanto 9,7 milhões de hectares de vegetação madura foram perdidos. No mesmo período, mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária voltaram a crescer.
O levantamento mostra, portanto, um cenário marcado por expansão agrícola, perda de cobertura nativa madura e regeneração de áreas anteriormente desmatadas. Os próximos dados do monitoramento deverão indicar como essas tendências continuarão evoluindo.

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