Lula na ONU retoma trajetória iniciada em 2003 e destaca combate à fome, soberania, multilateralismo, democracia e reforma da governança global.
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| Lula na ONU destaca combate à fome e reforma da ONU. Foto: Ricardo Stuckert |
A participação de Lula na Assembleia Geral da ONU voltou a colocar no centro do discurso brasileiro temas presentes em diferentes momentos de sua atuação internacional. A trajetória começou em 2003, quando o presidente participou pela primeira vez da abertura do debate geral da organização.
Em publicação feita antes do discurso de 2026, Lula destacou que, entre 2003 e 2025, havia realizado dez pronunciamentos na Assembleia Geral. A retrospectiva apresentada pelo presidente relacionou suas falas ao combate à fome, à defesa da paz, à cooperação internacional e à participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais.
A análise da trajetória também mostra mudanças de ênfase ao longo dos anos. Questões sociais, desenvolvimento, meio ambiente, regulação econômica, mudanças climáticas, democracia e soberania passaram a integrar o conjunto de temas abordados pelo presidente.
Lula na ONU destaca combate à fome
O combate à fome permanece como uma das pautas associadas à atuação internacional de Lula. Em seus primeiros discursos na ONU, o presidente já defendia que o enfrentamento da pobreza e da insegurança alimentar deveria ocupar espaço central na agenda internacional.
A questão voltou a aparecer nos discursos dos últimos anos. Em 2023, Lula retomou a redução das desigualdades como uma das prioridades da política externa brasileira. Em 2024 e 2025, a fome continuou relacionada a temas como conflitos, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e cooperação entre países.
A defesa do combate à fome também está relacionada à criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada durante a presidência brasileira do G20 em 2024.
Soberania ganha destaque no discurso de 2026
Na abertura da Assembleia Geral de 2026, a soberania ocupou posição central na fala do presidente brasileiro. Lula afirmou que o Brasil não deveria se submeter à influência externa e defendeu o direito dos países de conduzirem seus próprios assuntos.
A Agência Brasil informou que o presidente associou a defesa da soberania à situação da América Latina e do Caribe e mencionou pressões decorrentes da proximidade da região com grandes potências.
O tema já vinha ganhando espaço nas manifestações internacionais de Lula. Em 2025, o presidente havia classificado a soberania brasileira como “inegociável” e relacionado o assunto à defesa da democracia e do multilateralismo.
Reforma da ONU volta ao centro da agenda
Outro ponto recorrente é a defesa de uma reforma da governança internacional. Lula vem cobrando mudanças na estrutura das Nações Unidas e, especialmente, no Conselho de Segurança.
A reivindicação brasileira inclui maior representação dos países em desenvolvimento nas instituições multilaterais. O governo brasileiro também defende a ampliação da participação de países da América Latina e da África nas estruturas decisórias internacionais.
A discussão não é nova. Em discurso oficial de 2024, Lula defendeu uma ampla revisão da governança global e apontou a necessidade de mudanças na composição, nos métodos de trabalho e no sistema de veto do Conselho de Segurança.
Multilateralismo é outro eixo da política externa
O multilateralismo também aparece como elemento constante da atuação internacional brasileira. A posição defendida pelo governo é de que questões que ultrapassam as fronteiras nacionais, como conflitos, mudanças climáticas, pobreza e segurança alimentar, exigem cooperação entre os países.
Na abertura da 81ª Assembleia Geral, Lula voltou a defender a atuação das instituições multilaterais e criticou mecanismos que, segundo ele, dificultam respostas coordenadas para crises internacionais.
A própria ONU definiu como tema do debate geral de 2026 a necessidade de “restaurar a confiança” e administrar transformações para construir uma organização que atenda às populações. O debate reúne representantes dos 193 Estados-membros entre 22 e 28 de setembro.
Discurso também abordou temas nacionais e internacionais
Além das pautas históricas, o pronunciamento de 2026 tratou de assuntos relacionados ao cenário brasileiro e à conjuntura internacional.
Segundo a cobertura da Agência Brasil e do UOL, Lula abordou temas como democracia, inteligência artificial, plataformas digitais, apostas online, geração de empregos, direitos das mulheres, mudanças climáticas e segurança internacional.
No campo internacional, o presidente também falou sobre conflitos armados, soberania e a necessidade de fortalecimento das instituições multilaterais.
O discurso ocorreu em um cenário internacional marcado por guerras prolongadas, disputas geopolíticas, mudanças climáticas e avanços acelerados da inteligência artificial.
O papel histórico do Brasil na abertura da Assembleia Geral
A participação brasileira na abertura da Assembleia Geral possui uma tradição que antecede a presidência de Lula. Desde 1955, o Brasil é tradicionalmente o primeiro país a discursar no Debate Geral da ONU.
De acordo com as Nações Unidas, essa tradição está relacionada à atuação do diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, que presidiu a Assembleia Geral em 1947. Embora seja uma tradição diplomática, ela não está formalmente estabelecida na Carta da ONU.
Em 2026, Lula abriu novamente o Debate Geral da 81ª sessão, seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A trajetória de Lula na ONU atravessa diferentes períodos da política internacional. O primeiro discurso ocorreu em 2003, em um contexto marcado pela Guerra do Iraque e por debates sobre a atuação das instituições multilaterais.
Nos pronunciamentos seguintes, o presidente incorporou questões como pobreza, desenvolvimento, comércio internacional, crise financeira, mudanças climáticas e reforma das instituições globais.
Após 14 anos sem participar presencialmente da Assembleia Geral como presidente, Lula retornou à tribuna em 2023. Desde então, a política externa brasileira voltou a enfatizar a redução das desigualdades, a preservação ambiental, o multilateralismo e a reforma da governança internacional.
A 81ª Assembleia Geral ocorre entre 22 e 28 de setembro de 2026. A ONU informa que 193 Estados-membros participam do Debate Geral, cujo tema é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
A participação de Lula na ONU em 2026 retomou temas que acompanham sua atuação internacional há mais de duas décadas, com destaque para o combate à fome, a soberania, o multilateralismo e a reforma da governança global.
Ao mesmo tempo, o discurso incorporou questões atuais, como inteligência artificial, conflitos internacionais, democracia, mudanças climáticas e regulação das plataformas digitais.
A agenda defendida pelo presidente será acompanhada ao longo da Assembleia Geral, que reúne representantes dos 193 países-membros até 28 de setembro.

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