Raquel Lyra é alvo de cartazes anônimos no Recife. Polícia Civil abriu investigação para identificar responsáveis pelos ataques durante a eleição.
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| Polícia Civil abre inquérito para investigar ataques a Raquel Lyra. Foto: Yacy Ribeiro |
A Polícia Civil de Pernambuco abriu investigação para identificar os responsáveis por cartazes anônimos com ataques contra Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição ao Governo de Pernambuco. O material começou a circular no Recife no domingo (30), e a governadora registrou boletins de ocorrência após tomar conhecimento das peças. Segundo a corporação, o caso foi registrado como calúnia e é apurado pela 1ª Delegacia Seccional de Santo Amaro.
Os cartazes fazem referências à morte do marido da governadora, Fernando Lucena, ocorrida em 2022, durante o período da eleição estadual. A autoria e eventual financiamento ou distribuição do material ainda não foram identificados publicamente.
O que aconteceu com Raquel Lyra
Os cartazes foram encontrados em pontos do Recife no domingo (30). Sem identificação de autoria, as peças apresentavam ataques pessoais contra Raquel Lyra, candidata à reeleição ao Governo de Pernambuco.
Entre os materiais que circularam estava uma peça com uma fotografia da governadora acompanhada de uma acusação relacionada à morte do marido. Outro cartaz fazia uma montagem de Raquel ao lado de mulheres condenadas por crimes relacionados à morte dos próprios maridos.
Diante da repercussão, Raquel publicou um vídeo nas redes sociais. A governadora pediu respeito à família, aos filhos e à memória de Fernando Lucena.
Polícia Civil abre investigação
A Polícia Civil de Pernambuco confirmou a abertura de um inquérito para apurar o episódio. Segundo a corporação, Raquel registrou boletins de ocorrência pela Delegacia pela Internet após tomar conhecimento da circulação das peças.
O caso foi registrado como calúnia e está sob coordenação da 1ª Delegacia Seccional de Santo Amaro, no Recife. A polícia informou que as diligências já foram iniciadas para identificar a autoria e esclarecer as circunstâncias da produção e distribuição do material.
Até o momento, não foi divulgada pela Polícia Civil a identidade de qualquer responsável pelos cartazes.
Campanha de Raquel também acionou a Polícia Federal
Além da ocorrência registrada na Polícia Civil, a campanha de Raquel informou que apresentou uma ocorrência à Polícia Federal.
A informação sobre o registro na PF partiu da campanha. A corporação, porém, não havia confirmado publicamente o registro, conforme apuração divulgada pela imprensa.
A coligação Pernambuco de Coração também informou que pretende levar o caso ao Ministério Público Eleitoral para que sejam investigadas a autoria, a produção e a distribuição do material.
Candidatos repudiam os ataques
O episódio provocou manifestações de diferentes grupos políticos. O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) negou qualquer envolvimento de sua campanha com os cartazes e afirmou que pretende recorrer à Justiça para identificar os responsáveis.
João também classificou o material como inaceitável e lembrou que perdeu o pai, o ex-governador Eduardo Campos, durante a campanha presidencial de 2014.
O candidato Ivan Moraes (PSOL) também condenou os ataques e defendeu a identificação e responsabilização dos responsáveis.
O senador e candidato à reeleição Humberto Costa (PT) criticou o que classificou como uma escalada de agressões durante a campanha eleitoral em Pernambuco. Para ele, a disputa deve ser baseada em propostas, e não em ataques à honra ou discursos de ódio.
Aliados também prestaram solidariedade
A vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause, publicou uma manifestação de apoio à governadora e destacou a relação entre as duas.
Outros integrantes da disputa eleitoral também se posicionaram. O candidato ao Senado Túlio Gadêlha prestou solidariedade a Raquel e criticou a utilização de ataques anônimos no processo eleitoral.
A reação dos candidatos de diferentes campos políticos ampliou a pressão pela identificação dos responsáveis pelos cartazes.
O que diz a legislação eleitoral
O episódio ocorre durante uma campanha eleitoral em que a legislação estabelece regras específicas para manifestações e propaganda política.
A Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral, atualizada para as Eleições 2026, determina que é livre a manifestação do pensamento, mas veda o anonimato durante a campanha eleitoral na internet. A norma também prevê limitações para conteúdos que ofendam a honra ou a imagem de candidatas e candidatos.
A legislação eleitoral também proíbe conteúdo fabricado ou manipulado para divulgar fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados com potencial de causar danos ao equilíbrio da disputa eleitoral.
No âmbito penal, o artigo 138 do Código Penal define calúnia como a imputação falsa de fato definido como crime. A legislação prevê pena de detenção e multa, além de estabelecer que a calúnia contra mortos também é punível.
A caracterização jurídica definitiva do caso, entretanto, dependerá da investigação e das decisões das autoridades competentes.
Ataques pessoais entram no centro da disputa
O caso acontece em meio ao acirramento da disputa pelo Governo de Pernambuco nas eleições de 2026. Nas últimas semanas, candidatos e grupos políticos passaram a trocar acusações relacionadas à atuação de estruturas digitais e à disseminação de conteúdos contra adversários.
Em outro episódio recente, o TRE-PE determinou a remoção de publicações que associavam Raquel Lyra a um suposto “gabinete do ódio”, por considerar que suspeitas não comprovadas estavam sendo apresentadas como fatos. A decisão também determinou o fornecimento de dados de perfis à Justiça Eleitoral.
O cenário reforça a preocupação das autoridades eleitorais com conteúdos capazes de atingir a honra dos candidatos e interferir na disputa.
Investigação ainda está no início
Apesar da repercussão política, não há, até o momento, identificação pública dos responsáveis pelos cartazes.
A Polícia Civil informou que as diligências estão em andamento. Portanto, qualquer atribuição de autoria a candidatos, partidos, coligações ou grupos políticos, sem comprovação oficial, deve ser tratada como hipótese ou acusação, e não como fato.
A apuração poderá esclarecer quem produziu o material, quem financiou sua confecção e quem participou da instalação e distribuição das peças.
A investigação sobre os cartazes contra Raquel Lyra coloca mais um episódio de ataques pessoais no centro da campanha eleitoral de Pernambuco. A Polícia Civil abriu inquérito para identificar os responsáveis e registrou o caso como calúnia.
Até agora, a autoria permanece desconhecida. Candidatos de diferentes campos políticos repudiaram o material e defenderam a investigação.
Os próximos passos dependem das diligências policiais e das eventuais medidas adotadas pelo Ministério Público Eleitoral e pela Justiça Eleitoral. Enquanto isso, não há base oficial para atribuir a produção dos cartazes a qualquer candidatura.

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