A Câmara do Cabo rejeitou as contas de Keko do Armazém de 2022, e o ex-prefeito divulgou uma nota contestando a decisão.
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| Ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho Kéko do Armazém. Foto - Divulgação |
A Câmara Municipal do Cabo de Santo Agostinho rejeitou, em sessão realizada nesta terça-feira (25), as contas de Keko do Armazém referentes ao exercício financeiro de 2022. A votação contou com 18 votos pela rejeição e 3 votos contrários, após análise do parecer técnico que foi enviado previamente aos gabinetes dos parlamentares.
O debate movimentou a Casa Vicente Mendes e trouxe posicionamentos divergentes entre os vereadores, tanto sobre o parecer quanto sobre o papel do Legislativo na fiscalização do uso dos recursos públicos.
Durante a sessão, vereadores que votaram pela rejeição defenderam que a supervisão legislativa é uma atribuição essencial da Câmara Municipal e que o parecer técnico ofereceu elementos suficientes para embasar a decisão. Eles afirmaram que eventuais inconsistências na execução orçamentária justificariam a posição adotada.
Alguns parlamentares reforçaram que a análise não se baseou em critérios políticos, mas em parâmetros legais e técnicos, como determina a legislação que regulamenta a apreciação de contas do Poder Executivo.
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| Com 18 votos, vereadores rejeitam contas e ex-prefeito anuncia recurso. Foto: Divulgação |
Como votaram os vereadores
Votaram pela rejeição das contas:
Aziel Almeida, Bruno Villar, Nia Vicar, Zeu da Gvnet, Vevel, Ezequiel, Gisele de Dudinha, Cianinho, Rodrigo Neto, Karol Barros, Marcelo Macarrão, Marcos Mão Amiga, Tereza da Bomboniere, Anderson Bocão, Naelson Valério, Paulo Farias, Pedrinho da Galinha e Robinho.
Votaram contra a rejeição:
Gabi Jerônimo, Sargento Almeida e Ricardinho.
Os vereadores contrários à rejeição afirmaram que discordaram de pontos específicos do parecer e defenderam que a decisão seria “polêmica” e “abrupta”, sugerindo que inconsistências poderiam ser esclarecidas em instâncias superiores.
Ex-prefeito reage e divulga nota afirmando perseguição política
Após a decisão, o ex-prefeito Keko do Armazém divulgou uma nota pública nas redes sociais. No texto, ele classificou a rejeição como “perseguição política” e afirmou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) teria emitido parecer pela aprovação das contas, argumento que, segundo ele, teria sido ignorado pelos vereadores.
Keko também afirmou que irá recorrer à Justiça para tentar anular a decisão legislativa.
A seguir, a nota na íntegra, conforme enviada pelo ex-prefeito:
NOTA DE KEKO DO ARMAZÉM (NA ÍNTEGRA)
A PERSEGUIÇÃO NÃO VAI VENCER A VERDADE!
Com a consciência limpa e a certeza de que cumpri a lei, venho me manifestar sobre a atitude da Câmara de Vereadores, que no dia de hoje rejeitou minhas Contas de Governo de 2022. É fundamental que vocês saibam a verdade: Esta rejeição é uma manobra política de perseguição descarada! Agiram contra o que manda o órgão técnico, a única voz isenta que deveria ser ouvida. O fato incontestável (que eles não conseguem esconder): o Tribunal de Contas do Estado, órgão técnico fiscalizador, analisou cada centavo e DEU PARECER PELA APROVAÇÃO DAS CONTAS!
Por pressão política e interesses escusos, a Câmara Municipal está simplesmente rasgando o parecer técnico do TCE. Um desrespeito à lei e à inteligência do nosso povo. Mas a verdade é uma só — o dinheiro foi usado onde importa; nossa gestão cumpriu e passou os limites que a Constituição exige para investir na Saúde e na Educação. Nossas prioridades sempre foram cuidar das pessoas e garantir o futuro do Cabo, diferente do que vemos acontecer hoje no município. Por isso, vamos buscar a justiça. Não vou me curvar diante dessa farsa!
Vamos recorrer, com a certeza de que a lei será cumprida e que a Justiça vai anular este julgamento político. A verdade será restabelecida e será confirmado o que o órgão técnico já atestou: a minha gestão foi séria, correta e aprovada! Sei o que fiz, e a perseguição não vai nos parar. A luta continua!
Cabo de Santo Agostinho, 25 de novembro de 2025KEKO
Pontos divergentes entre Legislativo e ex-prefeito
Enquanto o ex-prefeito argumenta que houve desrespeito ao parecer técnico do Tribunal de Contas, vereadores que votaram pela rejeição defendem que a análise legislativa envolve outros critérios além do parecer, como cumprimento de metas fiscais, gestão orçamentária e responsabilidade administrativa.
O Tribunal de Contas é um órgão técnico, mas a decisão final sobre aprovação ou rejeição das contas cabe exclusivamente ao Legislativo municipal, conforme previsto na Constituição.
A divergência entre TCE e Câmara, portanto, não é incomum em processos de análise de contas públicas, especialmente em municípios de maior complexidade administrativa.
Com a rejeição votada, o processo seguirá para registro institucional. Caso Keko apresente recurso na Justiça, caberá ao Judiciário ou ao próprio Tribunal de Contas avaliar eventuais questionamentos sobre o rito e os fundamentos da decisão.
Se a rejeição for mantida, o ex-prefeito poderá enfrentar restrições eleitorais futuras, dependendo das interpretações judiciais e dos prazos legais aplicáveis.
A rejeição das contas de Keko do Armazém pela Câmara do Cabo de Santo Agostinho e a forte reação do ex-prefeito evidenciam um cenário de tensão política no município. De um lado, vereadores defendem que cumpriram seu papel fiscalizador; de outro, Keko sustenta que foi alvo de perseguição e promete recorrer.
O debate agora segue para outras instâncias, que deverão analisar os argumentos apresentados por ambas as partes, garantindo a lisura do processo e a transparência para a população.


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