Senadora Damares expõe nomes de igrejas e líderes religiosos na CPI do INSS em meio a debate político sobre fraudes em benefícios de aposentados e pensionistas.
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| Pastor André Valadão é um dos citados na lista divulgada pela senadora Damaraes. Foto: Divulgação |
Brasília (DF) — A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) divulgou nesta quarta-feira uma lista de igrejas e líderes religiosos citados em requerimentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura irregularidades em benefícios previdenciários, incluindo descontos indevidos e supostas fraudes envolvendo aposentados e pensionistas.
A divulgação ocorreu após críticas públicas feitas pelo pastor Silas Malafaia, que exigiu clareza sobre as afirmações da parlamentar, feitas em entrevista, de que “grandes igrejas” e “líderes renomados” teriam sido identificados no âmbito das investigações.
A divulgação dos nomes — que inclui instituições e pastores — foi descrita por Damares como um esclarecimento formal, com base em documentos oficiais da CPMI, segundo ela.
Contexto da investigação
A CPMI do INSS, instalada no Congress Nacional em 2025, tem como objetivo investigar denúncias de fraudes em benefícios previdenciários, como empréstimos consignados e descontos indevidos feitos sem autorização de aposentados e pensionistas. A comissão foi instalada após pedidos de parlamentares e tem prazo inicialmente definido para concluir os trabalhos em 2026.
Segundo os responsáveis pela comissão, parte das investigações inclui análise de relatos de órgãos de controle, relatórios de inteligência financeira e indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas. Esses documentos embasam pedidos de convocação, convite ou quebra de sigilo — todos em fase de análise e sem conclusão definitiva.
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| Senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado |
A lista de igrejas e líderes religiosos
Em nota oficial, Damares Alves informou que os requerimentos apresentados à CPI mencionam as seguintes instituições e líderes:
Igrejas citadas em pedidos de transferência de sigilo
Adoração Church
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Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo
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Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch)
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Igreja Evangélica Campo de Anatote
Líderes religiosos citados em pedidos de depoimentos ou convites
André Machado Valadão
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César Bellucci do Nascimento
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Péricles Albino Gonçalves
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Fabiano Campos Zettel
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André Fernandes
A senadora destacou que os requerimentos foram apresentados e aprovados no âmbito da CPMI e que não implicam, por si só, em culpa ou condenação, ressaltando o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
Debate político e reação dos líderes religiosos
As declarações de Damares sobre a presença de líderes e igrejas em supostos esquemas envolvendo benefícios do INSS motivaram forte reação no meio religioso e político. O pastor Silas Malafaia publicou vídeos e mensagens nas redes sociais desafiando a parlamentar a apresentar nomes específicos e provas concretas que sustentem as alegações.
Malafaia afirmou que a acusação de “grandes igrejas” e “líderes renomados” sem identificação nominal pode prejudicar a imagem de instituições religiosas e ainda contribuir para a disseminação de desinformação.
Em resposta, Damares ressaltou que os dados citados na nota oficial já constavam nos autos dos requerimentos aprovados pela CPMI e que a divulgação atende à exigência de transparência diante de questionamentos públicos.
Outros líderes religiosos consultados por veículos de imprensa preferiram não comentar publicamente a lista, citando a necessidade de aguardar os resultados oficiais da CPMI antes de tecer avaliações conclusivas.
Aspectos legais e cuidados na investigação
Especialistas em direito público e processual destacam que o fato de um nome constar em requerimentos parlamentares não configura acusação formal ou culpa estabelecida. Todo investigado tem direito à ampla defesa e presunção de inocência até que haja julgamento definitivo. O trabalho da CPMI deve observar esses princípios jurídicos.
Documentos oficiais — como Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e informações da Receita Federal — são utilizados pelas comissões parlamentares para subsidiar exigências de esclarecimento ou análise de movimentações consideradas atípicas, mas não equivalem a provas de crime.
O papel da CPI e próximos passos
A CPI do INSS segue em andamento, com reuniões programadas e análise de requerimentos que envolvem indivíduos, empresas e entidades diversas. A comissão também investiga outras frentes, como possíveis ligações com instituições financeiras e práticas consideradas irregulares em aposentadorias e pensões.
Relatórios preliminares devem ser apresentados nos próximos meses, com a possibilidade de prorrogação dos trabalhos para aprofundar as apurações.
A divulgação dos nomes de igrejas e líderes religiosos pela senadora Damares Alves no contexto da CPI do INSS marca um capítulo importante em uma investigação que combina elementos de política, religião e proteção aos direitos de aposentados e pensionistas. Embora a lista tenha gerado debate público e críticas de setores evangélicos, ela se baseia em requerimentos formais aprovados pela comissão, que segue em processo de apuração técnica e documental. A transparência e o respeito aos direitos legais dos citados continuam sendo pilares essenciais em todo o processo investigativo.


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