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Ataque à Venezuela expõe o velho imperialismo dos EUA

A ofensiva dos EUA contra a Venezuela reacende práticas imperialistas e acende alerta em toda a América Latina.

Trump e Maduro
Ação de Trump ignora o direito internacional e ameaça a soberania dos povos latino-americanos. Imagens: Reprodução

Por décadas, a América Latina convive com uma sombra persistente: a intervenção direta ou indireta dos Estados Unidos em seus processos políticos, econômicos e sociais. Os recentes ataques militares dos EUA à Venezuela, anunciados sob a liderança de Donald Trump, reacendem uma lógica antiga, perigosa e profundamente antidemocrática: a do imperialismo travestido de “defesa da democracia”.

A ofensiva contra Caracas e a captura do presidente Nicolás Maduro, independentemente das críticas legítimas que se possam fazer ao governo venezuelano, representam uma ruptura grave com o direito internacional, com a soberania dos povos e com os princípios básicos da convivência entre nações. Trata-se de uma ação unilateral, realizada sem respaldo claro de organismos multilaterais e sem qualquer autorização da comunidade internacional.

Não é um fato isolado. Ao contrário, insere-se em uma tradição histórica de intervenções norte-americanas na América Latina: Guatemala (1954), República Dominicana (1965), Chile (1973), Nicarágua, Panamá (1989) e tantas outras. Em todos esses episódios, o discurso foi semelhante — combater o “inimigo”, salvar a “liberdade” — e os resultados, quase sempre, foram devastadores para os povos locais.

A Venezuela como peça geopolítica

A Venezuela não é alvo por acaso. O país possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, além de localização estratégica e alianças políticas que desagradam Washington, especialmente com China, Rússia e Irã. A retórica moral utilizada pelos Estados Unidos não resiste a uma análise mais profunda: o que está em jogo é poder, influência e controle de recursos, não a defesa dos direitos humanos.

Acusações contra Nicolás Maduro, como a suposta liderança de um cartel internacional de drogas, são reiteradas há anos sem apresentação de provas conclusivas reconhecidas por tribunais internacionais independentes. Ainda assim, servem como justificativa política para sanções, bloqueios econômicos e, agora, uma ação militar direta.

O problema central não é defender ou absolver governos, mas defender princípios. Quando uma potência decide, sozinha, quem governa e quem cai em países soberanos, o precedente aberto é extremamente perigoso — sobretudo para regiões historicamente vulneráveis como a América Latina.

Trump e a lógica do “manda quem pode”

Donald Trump representa a face mais explícita de um imperialismo sem verniz diplomático. Diferente de administrações anteriores, que operavam nos bastidores, Trump age com espetáculo, anúncio público e desprezo aberto pelas normas internacionais. Seu discurso reforça a ideia de que os Estados Unidos podem agir como xerife global, escolhendo alvos e métodos conforme seus interesses estratégicos.

Essa postura não fortalece a democracia. Pelo contrário: fragiliza instituições internacionais, enfraquece a ONU, despreza a diplomacia e normaliza a violência como instrumento político.

O alerta para a América Latina

O ataque à Venezuela deve soar como um alerta vermelho para toda a América Latina. Nenhum país está imune quando se aceita, em silêncio, a violação da soberania de um vizinho. Hoje é a Venezuela; amanhã pode ser qualquer outro país que ouse contrariar interesses econômicos, energéticos ou geopolíticos de grandes potências.

Para países como o Brasil, que compartilham longas fronteiras e laços históricos com nações vizinhas, a escalada de conflitos representa riscos reais: crises humanitárias, instabilidade regional, aumento de fluxos migratórios forçados e ameaças à segurança regional.

Mais do que nunca, a América Latina precisa reafirmar sua autonomia, fortalecer mecanismos regionais de diálogo e rejeitar qualquer forma de tutela externa. Divergências políticas internas devem ser resolvidas pelos próprios povos, por meios democráticos, e não por mísseis, bombardeios ou prisões impostas de fora para dentro.

Soberania não é negociável

Condenar o imperialismo dos Estados Unidos sob Donald Trump não é defender governos autoritários, nem ignorar violações internas que possam existir. É, acima de tudo, defender um princípio fundamental do direito internacional: a soberania dos povos.

A história já mostrou — repetidas vezes — que intervenções externas não trazem democracia, prosperidade ou paz. Trazem caos, dependência e sofrimento. A América Latina precisa aprender com seu passado para não revivê-lo como tragédia anunciada.

Diante do que ocorre na Venezuela, o silêncio não é neutralidade. É conivência.

A pergunta que não quer calar: Se a soberania da Venezuela pode ser violada em nome de interesses estratégicos, qual país da América Latina será o próximo?

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