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Raquel Lyra enfrenta oposição em início do ano legislativo na Alepe

Raquel Lyra enfrenta oposição na Alepe em meio à análise de pedido de impeachment e discursos que acirram o clima político em Pernambuco.

Raquel Lyra
Raquel Lyra enfrenta oposição em meio a tensão política. Foto - Karol Matos

Recife, PE — A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), chega à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta sessão marcada por tensão política, levando consigo secretários estaduais e apoio de sua base, em um momento em que a Casa se prepara para analisar a admissibilidade de um pedido de impeachment apresentado pela oposição. O embate, que já começou antes da votação prevista para o dia 3 de fevereiro, tem dominado o início dos trabalhos legislativos e sinaliza um cenário de intensificação do confronto político neste início de ano.

O pedido de impeachment foi protocolado pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil) no dia 19 de janeiro de 2026 e tem como base denúncias envolvendo irregularidades na operação da Logo Caruaruense, empresa de transporte intermunicipal que pertence ao pai da governadora, o ex-governador João Lyra Neto.

Contexto e principais alegações

No documento apresentado à Alepe, Romero Albuquerque sustenta que a empresa de ônibus operou sem cumprir exigências legais por pelo menos três anos, período que coincide com o início do mandato de Raquel Lyra, em 2022. Segundo reportagens baseadas em relatórios internos, muitos ônibus da frota estavam com vistorias vencidas e sem o pagamento de taxas obrigatórias, contrariando normas do setor de transporte intermunicipal.

O deputado também aponta que a empresa continuou a receber recursos públicos, em alguns casos por meio de contratos sem licitação, o que, segundo ele, levanta suspeitas de favorecimento indevido e conflito de interesses.

Para a oposição, a omissão do Executivo em garantir fiscalização rigorosa da empresa configura crime de responsabilidade, justificando a abertura de um processo de impeachment.

Resposta do governo e defesas

Do lado governista, líderes políticos e deputados aliados de Raquel Lyra reagiram à iniciativa classificando o pedido de impeachment como uma estratégia de “cortina de fumaça” — termo usado por membros da base para sugerir que os opositores querem desviar a atenção de outras questões políticas que atingem seus próprios grupos.

Em eventos públicos, a governadora defendeu sua honra e a da família, sem citar diretamente os opositores, e criticou o que chamou de tentativas de atrasar a agenda administrativa do Estado. Em evento da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), ela afirmou que “não se mexe com a honra de pessoas honradas”, em reação à acusação.

O Governo de Pernambuco também destacou que a empresa ligada à família encerrou suas atividades e que, conforme divulgado, as linhas foram devolvidas à Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI).

A atuação da Alepe e próximos passos

O presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), afirmou que a Casa analisará o pedido de impeachment com base em pareceres jurídicos e regimentais, com a possibilidade de convocar autoridades para esclarecimentos. Entre os chamados estão o secretário de Mobilidade e Infraestrutura e o presidente da EPTI, como uma forma de ampliar as informações disponíveis e garantir transparência ao processo.

Caso o presidente da Alepe considere que o pedido preenche os requisitos legais, poderá ser formada uma Comissão Especial para dar andamento ao processo. Essa comissão teria mandato para examinar as denúncias mais a fundo, ouvir testemunhas e especialistas, antes de enviar um relatório ao plenário. A análise de admissibilidade é apenas o primeiro passo de um procedimento que pode se estender por semanas ou meses.

Panorama político e clima na Casa

A retomada dos trabalhos legislativos tem sido acompanhada por um ambiente de elevada tensão, com desentendimentos entre governo e oposição não apenas em relação ao pedido de impeachment, mas também sobre a condução de pautas administrativas e políticas. A oposição conseguiu dominar algumas comissões permanentes na Alepe, o que tem permitido maior controle sobre o ritmo de tramitação de matérias enviadas pelo Executivo.

Além disso, parlamentares de diferentes partidos expressam visões divergentes sobre o processo. Enquanto aliados do governo defendem que o impeachment representa uma tentativa de desgaste político, opositores reforçam que a gravidade das supostas irregularidades exige investigação minuciosa. Em meio a isso, setores da sociedade civil acompanham o desenrolar dos fatos com interesse, dada a relevância institucional de um processo de impeachment no Estado.

Implicações e reações externas

Ainda que o foco principal esteja no embate entre o Executivo estadual e a Assembleia Legislativa, analistas políticos e comentaristas ressaltam que casos como esse influenciam o clima político mais amplo no Estado e podem ter impacto nas alianças e disputas eleitorais futuras. O desgaste institucional pode refletir em percepções públicas sobre governabilidade e transparência na administração pública.

Com o início formal da análise do pedido de impeachment na Alepe, o cenário político em Pernambuco segue com alto grau de disputa entre governo e oposição. A governadora Raquel Lyra e o presidente da Casa, Álvaro Porto, procuraram marcar território por meio de discursos e mobilização interna, enquanto o deputado Romero Albuquerque e seus aliados pressionam por investigação rigorosa das denúncias. A próxima votação, para admitir ou não o pedido de impeachment, deverá ser um momento definidor para as relações entre os poderes estaduais e para o ambiente político nos próximos meses.

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