Prefeito do Recife João Campos não comparece à abertura dos trabalhos na Câmara Municipal em meio a crise política e pedido de impeachment por nomeação PCD.
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| A ausência de João Campos ocorre no contexto de críticas, oposição e decisão judicial recente. Foto: Edson Holanda / PCR |
Recife, PE — O prefeito do Recife, João Campos (PSB), optou por não participar da abertura dos trabalhos legislativos da Câmara Municipal do Recife nesta segunda-feira (2), em meio a uma crise política que se intensificou nos últimos dias. A ausência do chefe do Executivo municipal ocorre em um momento de forte debate político, judicial e institucional na capital pernambucana.
A cerimônia de reabertura do ano legislativo, realizada no plenário da Casa de José Mariano, é uma tradição que marca o início oficial das atividades legislativas e costuma contar com a presença do prefeito, vereadores e representantes dos poderes constituídos. Desta vez, entretanto, João Campos mandou um representante: o secretário de Planejamento e Gestão, Jorge Vieira, que leu a mensagem da administração municipal.
Contexto da crise política
A decisão de não comparecer à sessão ocorre em meio à repercussão de um episódio que gerou críticas e um pedido de impeachment contra o prefeito na Câmara Municipal. O pedido foi apresentado pelo vereador Eduardo Moura (Novo) e tem como base uma nomeação realizada no fim de 2025. A alegação é de que um candidato teria sido favorecido em detrimento de outro aprovado em primeiro lugar na lista de vagas reservadas a pessoas com deficiência (PCD) em um concurso para procurador municipal.
Segundo documentos e reportagens que circulam na imprensa, um dos nomeados teria sido reclassificado após apresentar laudo de deficiência, o que teria impactado a lista de classificação e levado à substituição de outro candidato que se encontrava em posição mais alta para a vaga reservada.
Reações e medidas judiciais
Além da repercussão política, o caso tomou dimensões judiciais e administrativas. A nomeação foi posteriormente anulada após pressão pública e interna, segundo veículos de imprensa, e houve repercussão sobre a forma como a vaga foi alterada.
João Campos, por sua vez, tem se defendido da acusação. Ele classificou a controvérsia como um “uso político” da causa das pessoas com deficiência para atacá-lo, afirmando que sua gestão respeita e amplia políticas públicas para esse público.
Enquanto isso, o pedido de impeachment segue tramitando e terá sua admissibilidade votada pelos vereadores na terça-feira (3). A votação é um rito interno que deverá ser cumprido antes de eventual prosseguimento ou arquivamento da denúncia na Casa.
Pontos de vista divergentes
A oposição tem utilizado o episódio para ampliar críticas à administração municipal, apontando possíveis irregularidades na nomeação e questionando procedimentos administrativos. Por outro lado, aliados do prefeito e membros do governo municipal defendem a legalidade do processo administrativo que resultou na nomeação, além de destacar que a gestão municipal possui maioria na Câmara, reduzindo probabilidades de sucesso do impeachment.
Representantes do governo também destacaram que João Campos cumpria agenda oficial em Brasília, com compromissos relacionados a ministérios e planejaram reforçar a visão de que a ausência ao ato legislativo não representaria um recuo institucional, mas sim uma estratégia diante de um contexto político tenso.
Outras controvérsias em curso
O ambiente político no Recife neste início de ano tem sido marcado por múltiplas frentes de debate. Além da questão do impeachment, episódios judiciais recentes envolvendo decisões de tribunais superiores relacionados a investigações que tangenciam figuras ligadas à Prefeitura também ganharam destaque na imprensa e nas redes sociais, ainda que não diretamente vinculados ao procedimento interno da Câmara Municipal.
O prefeito tem citado, em postagens públicas, a importância de que as investigações sigam os trâmites legais e defendido a atuação de órgãos como o Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir transparência e isonomia.
O que prevê o rito legislativo
Conforme o regimento interno da Câmara Municipal do Recife, após a leitura da mensagem do Executivo e abertura formal dos trabalhos, seguirá uma série de sessões ordinárias, audiências públicas e debates. A sessão de terça-feira (3), em particular, está prevista para tratar da admissibilidade do pedido de impeachment, com a participação de vereadores que poderão manifestar posição a favor ou contra a abertura do processo.
A ausência de João Campos na abertura dos trabalhos legislativos na Câmara do Recife ocorre em um contexto de forte debate político e institucional, marcado por um pedido de impeachment ainda em fase de admissibilidade e discussões sobre procedimentos administrativos. O episódio adiciona tensão à política local em um ano que precede eleições importantes, com repercussões tanto no cenário municipal quanto no estadual.

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