STF forma maioria contra revisão da vida toda do INSS, negando recurso. Julgamento segue até 11 de maio com votos pendentes.
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| Placar parcial de 4 a 1 mantém decisão contra revisão da vida toda no INSS. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil |
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (5) para negar um novo recurso que buscava garantir o direito à revisão da vida toda das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Até o momento, o placar está em 4 votos a 1 contra os aposentados.
O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte e analisa um recurso apresentado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM). A entidade pede que a revisão seja assegurada ao menos para beneficiários que ingressaram com ações judiciais até 21 de março de 2024, data em que o STF decidiu vetar o direito.
Maioria dos ministros mantém decisão anterior
Os ministros Nunes Marques, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram para manter a decisão que rejeitou a revisão da vida toda. Segundo esse entendimento, os aposentados não podem escolher a regra mais vantajosa para recalcular seus benefícios.
Por outro lado, o ministro Dias Toffoli apresentou voto divergente. Ele defendeu a chamada “modulação dos efeitos”, propondo que a revisão fosse garantida aos segurados que ajuizaram ações entre dezembro de 2019 e abril de 2024.
Apesar disso, a maioria formada até agora indica tendência de manutenção da decisão anterior do STF. Ainda faltam os votos de cinco ministros, e o julgamento segue aberto até a próxima segunda-feira (11).
Entenda o que está em jogo
A revisão da vida toda é uma tese jurídica que permite ao aposentado incluir no cálculo do benefício todas as contribuições feitas ao longo da vida, inclusive aquelas anteriores a julho de 1994. Em alguns casos, isso poderia aumentar o valor da aposentadoria.
Inicialmente, o direito foi reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2019. Posteriormente, o próprio STF também chegou a validar essa possibilidade em um julgamento anterior. No entanto, em março de 2024, a Corte reverteu o entendimento.
Mudança de entendimento do STF
A reviravolta ocorreu quando o STF analisou ações de inconstitucionalidade relacionadas à Lei 8.213/1991. Ao considerar constitucionais as regras previdenciárias estabelecidas em 1999, a maioria dos ministros concluiu que a regra de transição deve ser obrigatória, sem possibilidade de escolha pelo segurado.
Com isso, foi afastada a possibilidade de o aposentado optar pelo cálculo mais vantajoso. Antes da decisão, cabia ao beneficiário avaliar se a inclusão de toda a vida contributiva poderia resultar em aumento no valor mensal.
Posições em disputa
De um lado, entidades representativas dos trabalhadores argumentam que a revisão da vida toda garante maior justiça ao sistema previdenciário, ao considerar todas as contribuições realizadas pelo segurado.
Por outro, o entendimento majoritário do STF ressalta a necessidade de segurança jurídica e equilíbrio financeiro da Previdência Social, evitando impactos fiscais significativos.
O STF formou maioria para rejeitar mais um recurso sobre a revisão da vida toda do INSS, mantendo o entendimento de que aposentados não podem escolher a regra mais vantajosa. O julgamento segue até 11 de maio, com possibilidade de novos votos, mas o cenário atual indica a consolidação da decisão contrária à revisão.

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