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Projeto Mestra Ritinha é rejeitado no Recife

 Projeto de Jô Cavalcanti buscava criar o Dia da Mestra Ritinha no calendário do Recife; vereadora relatou ataques racistas e racismo religioso durante a discussão.

Mestra Ritinha: projeto de Jô Cavalcanti é rejeitado
Jô Cavalcanti denuncia racismo em projeto sobre Jurema. Foto: Divulgação


Projeto Mestra Ritinha buscava reconhecer a Jurema Sagrada

O Projeto de Lei Ordinária nº 147/2026, de autoria da vereadora Jô Cavalcanti, propunha instituir o Dia da Mestra Ritinha no Calendário Oficial de Eventos do Município do Recife.

A justificativa apresentada pela parlamentar afirma que a iniciativa tinha como objetivo reconhecer uma das entidades espirituais reverenciadas na tradição da Jurema Sagrada, manifestação religiosa associada a elementos indígenas, africanos e populares e presente na cultura nordestina.

O texto também previa ações voltadas à valorização da Jurema, ao diálogo entre o poder público e povos tradicionais de terreiro e de Jurema e ao reconhecimento de lideranças religiosas e praticantes dessa tradição.

Mestra Ritinha é ligada à história do Recife

A homenagem proposta por Jô Cavalcanti está relacionada à memória da chamada Mestra Ritinha da Rua da Guia, personagem presente na tradição juremeira e associada historicamente ao Recife Antigo.

Material produzido pela Prefeitura do Recife sobre a história da cidade registra a Mestra Ritinha entre as referências ligadas à Jurema e à Rua da Guia. O documento também relaciona o local à presença histórica de diferentes mestres e mestras da tradição.

A relevância cultural da personagem também aparece em registros do Museu do Homem do Nordeste, da Fundação Joaquim Nabuco. A instituição mantém em seu acervo uma representação da Mestra Ritinha da Rua da Guia classificada como objeto de culto.

Em junho de 2026, uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco discutiu justamente o reconhecimento e a preservação da Rua da Guia como território de memória histórica, cultural e espiritual da Jurema.

Projeto Mestra Ritinha previa ações de valorização da Jurema

O PLO 147/2026 não se limitava à criação de uma data comemorativa.

A proposta previa o fortalecimento do diálogo entre o poder público e os povos tradicionais de terreiro e de Jurema, além do reconhecimento público de lideranças religiosas e praticantes da Jurema Sagrada.

Também estavam previstas ações de valorização de expressões culturais relacionadas à tradição, incluindo cantos, rezas, práticas de cura, oralidade e ancestralidade.

A justificativa apresentada pela vereadora sustentava ainda que o reconhecimento poderia contribuir para o enfrentamento da intolerância religiosa e para a valorização da Jurema como expressão cultural e espiritual.

Jô Cavalcanti relata racismo religioso durante discussão

       Vereadora Jõ Cavalcanti denuncia Racismo Religioso  junto com juremeiros.Credito:vídeo extraído do Instagran da vereadora.

Segundo relato atribuído à vereadora Jô Cavalcanti e fornecido ao Portal Fala News, a proposta teria sido alvo de ataques considerados por ela como racismo religioso.

A parlamentar relacionou os episódios à discriminação histórica enfrentada por religiões de matriz africana e afro-indígena.

O Portal Fala News não identificou, nas fontes oficiais consultadas para esta matéria, a íntegra das manifestações feitas durante a votação que permita reproduzir individualmente as falas apontadas pela vereadora. Por isso, a acusação é apresentada nesta reportagem como relato da parlamentar, e não como fato judicialmente comprovado.

Jô Cavalcanti já possui histórico público de atuação contra o racismo religioso. Quando exercia mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco, ela participou de debates sobre ataques a religiões de matriz africana e alertou para episódios de violência contra terreiros.

Rejeição do projeto gera debate sobre liberdade religiosa

A rejeição da proposta amplia o debate sobre a presença das tradições afro-indígenas nos espaços institucionais e sobre o reconhecimento da diversidade religiosa do Recife.

A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de crença e protege os locais de culto e suas liturgias. A discussão sobre intolerância religiosa também ganhou espaço em Pernambuco diante de episódios de ataques e conflitos envolvendo comunidades tradicionais de terreiro.

Nesse cenário, iniciativas legislativas relacionadas à memória, cultura e religião podem provocar debates políticos distintos. A existência de divergência sobre um projeto, entretanto, não permite concluir, por si só, que todos os votos contrários tenham sido motivados por preconceito religioso.

Jurema Sagrada tem presença histórica no Recife

A Jurema Sagrada possui forte relação com a história cultural do Recife e de Pernambuco.

A documentação oficial do projeto de Jô Cavalcanti descreve a tradição como um sistema de crenças, práticas e saberes que reúne influências indígenas, africanas e populares. O texto também destaca o papel de mestres e mestras na transmissão de conhecimentos e na vida espiritual das comunidades.

Além disso, iniciativas recentes mostram que o reconhecimento dessa memória permanece em debate. Em junho, representantes de comunidades juremeiras, pesquisadores e parlamentares participaram de audiência pública na Alepe sobre a preservação da Rua da Guia.

O que acontece agora

Com a rejeição informada da proposta, o Dia da Mestra Ritinha não será instituído no calendário oficial do Recife por meio do PLO 147/2026.

Até o momento, não foi localizada nas fontes oficiais consultadas uma decisão posterior que indique nova tramitação da mesma proposta ou uma eventual reapresentação do projeto.

Também não foram identificadas, nas fontes consultadas, manifestações públicas dos vereadores que eventualmente tenham votado contra a proposta explicando individualmente seus motivos. Por isso, não é possível atribuir uma motivação específica aos votos sem documentação ou declaração correspondente.

A proposta de Jô Cavalcanti foi protocolada como Projeto de Lei Ordinária nº 147/2026 e apresentada oficialmente em abril de 2026.

Em junho, o PLO 147/2026 aparece entre as proposições de autoria de Jô Cavalcanti que receberam aprovação na Comissão de Educação, Cultura, Turismo e Esportes da Câmara do Recife. A Câmara informou, em 25 de junho, que o projeto estava entre os PLOs aprovados pelo colegiado.

A aprovação em comissão, porém, não significa aprovação definitiva da lei. Projetos de lei ainda precisam cumprir as demais etapas de tramitação legislativa antes de eventualmente serem transformados em norma.

No caso da Mestra Ritinha, a discussão envolve também memória cultural, liberdade religiosa e reconhecimento das tradições juremeiras.

O projeto que criaria o Dia da Mestra Ritinha no Recife foi rejeitado, segundo a informação sobre a votação fornecida ao Portal Fala News. A proposta de Jô Cavalcanti buscava reconhecer uma referência da Jurema Sagrada e fortalecer políticas de valorização dos povos tradicionais de Jurema.

Durante a discussão, a vereadora relatou racismo religioso e ataques à iniciativa. A acusação, contudo, deve ser atribuída à parlamentar, já que não foram localizados nas fontes consultadas elementos independentes suficientes para afirmar que os episódios constituam fato comprovado.

O resultado coloca novamente no centro do debate público do Recife o reconhecimento da Jurema Sagrada, a preservação da memória da Rua da Guia e o enfrentamento da intolerância religiosa.

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