Glória Menezes morreu aos 91 anos, no Rio, após mais de seis décadas dedicadas ao teatro, cinema e televisão, deixando personagens que atravessaram gerações.
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| Glória Menezes morre aos 91 anos e deixa legado. Foto: Globo/ Fábio Rocha. |
Glória Menezes pertence a essa segunda categoria.
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Nilcedes Soares de Magalhães encontrou na arte o caminho para transformar personagens em experiências humanas. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo, onde cresceu e descobriu sua paixão pelo teatro.
Na juventude, ingressou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo. O teatro, porém, falou mais alto. Em 1959, sua primeira experiência profissional nos palcos já lhe rendeu o prêmio de Atriz Revelação em um festival de teatro amador.
Era apenas o começo.
Glória Menezes e o nascimento de uma grande atriz
Também em 1959, Glória estreou na televisão, na novela Um Lugar ao Sol, e iniciou uma caminhada que atravessaria décadas.
Pouco depois, o teatro a aproximaria de um dos maiores parceiros de sua vida e de sua carreira: Tarcísio Meira. Os dois se conheceram nos bastidores de Feiticeiras de Salém e construíram uma relação pessoal e artística que se tornou uma das mais conhecidas da televisão brasileira.
No cinema, Glória também deixou sua marca. Ela participou de O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte, filme que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962.
A trajetória que começara nos palcos ganhava, assim, outras telas.
Glória Menezes e a televisão brasileira
Em 1967, Glória chegou à Globo com Sangue e Areia. A partir daí, sua história se confundiria com a própria evolução da teledramaturgia brasileira.
Segundo o Memória Globo, ela participou de mais de 40 novelas na emissora. Entre os trabalhos estão Irmãos Coragem, Pai Herói, Guerra dos Sexos, Rainha da Sucata, A Próxima Vítima, Senhora do Destino, A Favorita e Totalmente Demais.
Mas números não conseguem explicar completamente uma trajetória como essa.
Glória não passou simplesmente por novelas. Ela habitou personagens. Mudou de registro, enfrentou diferentes gêneros e mostrou que uma atriz pode envelhecer diante das câmeras sem perder a capacidade de surpreender.
De heroínas a vilãs, Glória nunca foi uma só
Um dos traços mais importantes de sua carreira foi a versatilidade.
Em Irmãos Coragem, de 1970, interpretou personagens diferentes dentro da mesma história, vivendo Lara, Diana e Márcia. Anos depois, em Pai Herói, deu vida a Ana Preta, uma mulher popular, independente e dona de uma casa de samba.
Já em Rainha da Sucata, em 1990, apresentou ao público a inesquecível Laurinha Figueroa, uma vilã de humor ácido que entrou para a memória da televisão.
Depois vieram personagens como Baby Bueno, em Deus nos Acuda, Júlia, em A Próxima Vítima, Zoroastra, em O Beijo do Vampiro, e a Baronesa de Bonsucesso, em Senhora do Destino.
A diversidade desses papéis ajuda a explicar a permanência de Glória Menezes na memória do público.
O teatro como raiz
Antes de ser uma estrela da televisão, Glória foi uma mulher de teatro.
E ela própria reconhecia a importância dos palcos em sua formação. Em depoimento ao Memória Globo, destacou que o teatro lhe ensinou fundamentos que levou para a televisão e para o cinema.
Ao longo da carreira, participou de montagens como Tudo Bem no Ano Que Vem, Navalha na Carne e Um Dia Muito Especial.
Essa origem ajuda a compreender uma característica que acompanhou seu trabalho: a capacidade de construir personagens não apenas pela fala, mas também pelo gesto, pelo silêncio e pelo olhar.
Uma parceria que também entrou para a história
Falar de Glória Menezes também significa lembrar sua longa parceria com Tarcísio Meira.
Os dois foram companheiros de vida e de profissão durante décadas. Juntos, protagonizaram produções que ficaram marcadas na televisão brasileira, além de dividirem o palco e projetos especiais.
A relação profissional dos dois também atravessou diferentes momentos da dramaturgia, tornando o casal uma referência para o público.
Tarcísio morreu em 2021. Cinco anos depois, em agosto de 2026, Glória recebeu uma homenagem na Calçada da Fama dos Estúdios Globo. Ela não compareceu à cerimônia realizada em 12 de agosto; seu filho, Tarcísio Filho, a representou.
Poucos dias depois, veio a despedida definitiva.
Uma carreira que atravessou gerações
Glória Menezes começou quando a televisão brasileira ainda construía sua linguagem.
Viveu a transformação das transmissões ao vivo, o crescimento das telenovelas, a consolidação da televisão como fenômeno cultural e a chegada de novas formas de produção audiovisual.
Sua carreira também acompanhou mudanças profundas no Brasil e nos costumes do público.
Por isso, sua presença não pertence apenas a uma geração. Ela está nas lembranças de quem assistiu às primeiras novelas, mas também de quem conheceu seus personagens por reprises e novas exibições.
O que fica depois da despedida
A morte de Glória Menezes deixa um vazio impossível de medir apenas pela quantidade de trabalhos realizados.
Fica a atriz que começou no teatro e conquistou o cinema.
Fica a intérprete que atravessou a televisão brasileira por mais de seis décadas.
Ficam personagens como Ana Preta, Lara, Diana, Márcia, Laurinha Figueroa e tantos outros que ganharam vida por meio de sua interpretação.
E fica, sobretudo, uma maneira de fazer dramaturgia.
Uma arte em que o ator desaparece por alguns instantes dentro do personagem para que o público acredite naquela vida como se fosse real.
A trajetória de Glória Menezes começou no teatro em 1959 e rapidamente se expandiu para a televisão e o cinema. No mesmo ano de sua estreia nos palcos, ela chegou à televisão.
No cinema, sua participação em O Pagador de Promessas integrou um dos momentos mais importantes do cinema brasileiro, com a conquista da Palma de Ouro em Cannes.
Na televisão, sua passagem pela Globo começou em 1967 e incluiu mais de 40 novelas, segundo o acervo do Memória Globo. Seu último trabalho em uma novela foi Totalmente Demais, em 2015.
A morte de Glória Menezes encerra uma das trajetórias mais longas e importantes da dramaturgia brasileira.
Durante mais de seis décadas, ela atravessou teatro, cinema e televisão, criando personagens que permaneceram na memória coletiva.
Agora, quando as luzes se apagam para a atriz, permanece aquilo que nenhum adeus consegue levar: a memória de uma artista que fez do palco, da tela e da televisão lugares onde milhões de brasileiros puderam rir, chorar, refletir e reconhecer um pouco de si mesmos.
Glória Menezes parte, mas seus personagens continuam em cena.
E talvez seja essa a forma mais bonita de eternidade que a arte pode oferecer.

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