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Glória Menezes: o adeus a um ícone da televisão

 Glória Menezes morreu aos 91 anos, no Rio, após mais de seis décadas dedicadas ao teatro, cinema e televisão, deixando personagens que atravessaram gerações.

Glória Menezes: uma vida dedicada à dramaturgia
Glória Menezes morre aos 91 anos e deixa legado. Foto: Globo/ Fábio Rocha.


A atriz morreu aos 91 anos em 18 de agosto de 2026. As informações divulgadas pela imprensa apontam causas naturais.Há artistas que fazem carreira. Há outros que, com o passar dos anos, tornam-se parte da própria história de uma arte.

Glória Menezes pertence a essa segunda categoria.

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Nilcedes Soares de Magalhães encontrou na arte o caminho para transformar personagens em experiências humanas. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo, onde cresceu e descobriu sua paixão pelo teatro.

Na juventude, ingressou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo. O teatro, porém, falou mais alto. Em 1959, sua primeira experiência profissional nos palcos já lhe rendeu o prêmio de Atriz Revelação em um festival de teatro amador.

Era apenas o começo.

Glória Menezes e o nascimento de uma grande atriz

Também em 1959, Glória estreou na televisão, na novela Um Lugar ao Sol, e iniciou uma caminhada que atravessaria décadas.

Pouco depois, o teatro a aproximaria de um dos maiores parceiros de sua vida e de sua carreira: Tarcísio Meira. Os dois se conheceram nos bastidores de Feiticeiras de Salém e construíram uma relação pessoal e artística que se tornou uma das mais conhecidas da televisão brasileira.

No cinema, Glória também deixou sua marca. Ela participou de O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte, filme que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962.

A trajetória que começara nos palcos ganhava, assim, outras telas.

Glória Menezes e a televisão brasileira

Em 1967, Glória chegou à Globo com Sangue e Areia. A partir daí, sua história se confundiria com a própria evolução da teledramaturgia brasileira.

Segundo o Memória Globo, ela participou de mais de 40 novelas na emissora. Entre os trabalhos estão Irmãos Coragem, Pai Herói, Guerra dos Sexos, Rainha da Sucata, A Próxima Vítima, Senhora do Destino, A Favorita e Totalmente Demais.

Mas números não conseguem explicar completamente uma trajetória como essa.

Glória não passou simplesmente por novelas. Ela habitou personagens. Mudou de registro, enfrentou diferentes gêneros e mostrou que uma atriz pode envelhecer diante das câmeras sem perder a capacidade de surpreender.

De heroínas a vilãs, Glória nunca foi uma só

Um dos traços mais importantes de sua carreira foi a versatilidade.

Em Irmãos Coragem, de 1970, interpretou personagens diferentes dentro da mesma história, vivendo Lara, Diana e Márcia. Anos depois, em Pai Herói, deu vida a Ana Preta, uma mulher popular, independente e dona de uma casa de samba.

Já em Rainha da Sucata, em 1990, apresentou ao público a inesquecível Laurinha Figueroa, uma vilã de humor ácido que entrou para a memória da televisão.

Depois vieram personagens como Baby Bueno, em Deus nos Acuda, Júlia, em A Próxima Vítima, Zoroastra, em O Beijo do Vampiro, e a Baronesa de Bonsucesso, em Senhora do Destino.

A diversidade desses papéis ajuda a explicar a permanência de Glória Menezes na memória do público.

O teatro como raiz

Antes de ser uma estrela da televisão, Glória foi uma mulher de teatro.

E ela própria reconhecia a importância dos palcos em sua formação. Em depoimento ao Memória Globo, destacou que o teatro lhe ensinou fundamentos que levou para a televisão e para o cinema.

Ao longo da carreira, participou de montagens como Tudo Bem no Ano Que Vem, Navalha na Carne e Um Dia Muito Especial.

Essa origem ajuda a compreender uma característica que acompanhou seu trabalho: a capacidade de construir personagens não apenas pela fala, mas também pelo gesto, pelo silêncio e pelo olhar.

Uma parceria que também entrou para a história

Falar de Glória Menezes também significa lembrar sua longa parceria com Tarcísio Meira.

Os dois foram companheiros de vida e de profissão durante décadas. Juntos, protagonizaram produções que ficaram marcadas na televisão brasileira, além de dividirem o palco e projetos especiais.

A relação profissional dos dois também atravessou diferentes momentos da dramaturgia, tornando o casal uma referência para o público.

Tarcísio morreu em 2021. Cinco anos depois, em agosto de 2026, Glória recebeu uma homenagem na Calçada da Fama dos Estúdios Globo. Ela não compareceu à cerimônia realizada em 12 de agosto; seu filho, Tarcísio Filho, a representou.

Poucos dias depois, veio a despedida definitiva.

Uma carreira que atravessou gerações

Glória Menezes começou quando a televisão brasileira ainda construía sua linguagem.

Viveu a transformação das transmissões ao vivo, o crescimento das telenovelas, a consolidação da televisão como fenômeno cultural e a chegada de novas formas de produção audiovisual.

Sua carreira também acompanhou mudanças profundas no Brasil e nos costumes do público.

Por isso, sua presença não pertence apenas a uma geração. Ela está nas lembranças de quem assistiu às primeiras novelas, mas também de quem conheceu seus personagens por reprises e novas exibições.

O que fica depois da despedida

A morte de Glória Menezes deixa um vazio impossível de medir apenas pela quantidade de trabalhos realizados.

Fica a atriz que começou no teatro e conquistou o cinema.

Fica a intérprete que atravessou a televisão brasileira por mais de seis décadas.

Ficam personagens como Ana Preta, Lara, Diana, Márcia, Laurinha Figueroa e tantos outros que ganharam vida por meio de sua interpretação.

E fica, sobretudo, uma maneira de fazer dramaturgia.

Uma arte em que o ator desaparece por alguns instantes dentro do personagem para que o público acredite naquela vida como se fosse real.

A trajetória de Glória Menezes começou no teatro em 1959 e rapidamente se expandiu para a televisão e o cinema. No mesmo ano de sua estreia nos palcos, ela chegou à televisão.

No cinema, sua participação em O Pagador de Promessas integrou um dos momentos mais importantes do cinema brasileiro, com a conquista da Palma de Ouro em Cannes.

Na televisão, sua passagem pela Globo começou em 1967 e incluiu mais de 40 novelas, segundo o acervo do Memória Globo. Seu último trabalho em uma novela foi Totalmente Demais, em 2015.

A morte de Glória Menezes encerra uma das trajetórias mais longas e importantes da dramaturgia brasileira.

Durante mais de seis décadas, ela atravessou teatro, cinema e televisão, criando personagens que permaneceram na memória coletiva.

Agora, quando as luzes se apagam para a atriz, permanece aquilo que nenhum adeus consegue levar: a memória de uma artista que fez do palco, da tela e da televisão lugares onde milhões de brasileiros puderam rir, chorar, refletir e reconhecer um pouco de si mesmos.

Glória Menezes parte, mas seus personagens continuam em cena.

E talvez seja essa a forma mais bonita de eternidade que a arte pode oferecer.



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