No Dia da Árvore, Recife destaca uso da penetrografia para identificar problemas estruturais e prevenir riscos em exemplares da arborização urbana.
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| Árvores do Recife passam por avaliação com tecnologia. Foto: Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife |
Uma árvore pode apresentar aparência saudável mesmo quando possui problemas em seu interior. Cavidades, perda de densidade da madeira e processos de deterioração podem comprometer a estrutura sem necessariamente serem identificados em uma observação superficial.
Por isso, a Emlurb adota diferentes níveis de avaliação. O trabalho começa com uma inspeção visual e, quando necessário, avança para uma análise mais detalhada das raízes aparentes, do colo, do tronco e da copa.
Em situações que exigem investigação adicional, os técnicos podem utilizar equipamentos especializados. Uma dessas ferramentas é a penetrografia.
Penetrografia identifica problemas que não aparecem a olho nu
A penetrografia faz uma pequena perfuração na madeira e mede a resistência encontrada no interior do exemplar. A partir dos dados obtidos, os profissionais conseguem identificar alterações de densidade, cavidades, sinais de biodeterioração e áreas estruturalmente comprometidas.
O resultado não é analisado isoladamente. Segundo a Prefeitura do Recife, a avaliação instrumental é associada à inspeção visual, às características da espécie, ao histórico do exemplar e às condições existentes no entorno.
“Nosso trabalho é sempre avaliar tecnicamente cada exemplar antes de qualquer decisão. A tecnologia nos permite identificar problemas que muitas vezes não aparecem a olho nu e escolher o manejo mais adequado, buscando preservar a árvore sempre que houver condições para isso”, explica João Victor França, engenheiro florestal e gerente de Arborização da Emlurb.
Recife registra cerca de 270 mil serviços de poda
A avaliação preventiva faz parte de uma rotina de manutenção da arborização urbana. Entre 2021 e 2025, foram realizados 235.294 serviços de poda, segundo os dados divulgados pela Prefeitura.
Para 2026, a projeção apresentada pela administração municipal é de 34.555 serviços entre janeiro e setembro. Somados, os números representam aproximadamente 269,8 mil intervenções no período de 2021 até setembro deste ano.
A poda técnica pode retirar galhos secos ou danificados, adequar a copa das árvores e reduzir conflitos com equipamentos urbanos, além de melhorar a circulação e a visibilidade em determinados pontos da cidade.
Avaliação define se árvore precisa de intervenção
A identificação de um problema não significa, necessariamente, que a árvore será retirada. A decisão depende do diagnóstico técnico e das condições apresentadas pelo exemplar.
Inclinações, cavidades, raízes comprometidas, fissuras, galhos secos e sinais de deterioração estão entre os elementos que podem levar a uma avaliação mais detalhada.
A partir dos resultados, o manejo pode incluir poda ou outras medidas de conservação. A remoção é considerada quando a avaliação indica que o exemplar apresenta condições que exigem esse tipo de intervenção.
Moradores podem solicitar vistoria pelo Recife
A população também pode solicitar a avaliação de árvores localizadas em áreas públicas. O pedido pode ser feito pela Central 156 ou pelo Conecta Recife.
No serviço oficial, a Emlurb informa que, após a solicitação, técnicos são encaminhados ao local para verificar a necessidade de poda, corte ou outros procedimentos relacionados à arborização.
Para árvores situadas em áreas privadas, o procedimento é diferente. O Conecta Recife informa que a Prefeitura não executa a poda nesses locais; o proprietário deve solicitar a autorização ambiental correspondente.
Cajueiro é a árvore oficial do Recife
A relação do Recife com a arborização também está presente na legislação municipal. O cajueiro foi instituído como árvore oficial da cidade pela Lei Municipal nº 14.571, de 10 de agosto de 1983.
A informação consta no Manual de Arborização Urbana disponibilizado pela Prefeitura do Recife, que reúne a legislação relacionada à arborização municipal.
A presença das árvores também aparece na própria nomenclatura de bairros e localidades do Recife. Cajueiro, Coqueiral, Córrego do Jenipapo, Guabiraba, Jaqueira, Mangueira, Mangabeira, Pau-Ferro e Tamarineira são alguns dos nomes associados à vegetação.
Árvores especiais podem receber proteção
O Recife possui mecanismos legais para proteger exemplares considerados relevantes por suas características ambientais, paisagísticas ou afetivas.
A Lei Municipal nº 15.072, de 1988, autoriza o município a declarar como patrimônio municipal e imunes de corte árvores consideradas necessárias à preservação por critérios como localização, raridade, beleza ou condição de porta-sementes.
A legislação municipal sobre arborização também inclui normas específicas para plantio, poda, supressão e compensação. A Lei nº 18.938/2022 estabelece regras para essas intervenções no município e prevê medidas relacionadas à proteção de espécies arbóreas.
Plantio e supressão fazem parte do manejo urbano
Em 2025, a Emlurb registrou o plantio de 1.963 mudas e 1.562 supressões. Os números divulgados pela Prefeitura consideram apenas as ações realizadas pela autarquia.
A administração municipal aponta que os dados fazem parte de uma política que combina preservação, manejo técnico e renovação da arborização urbana.
O desafio envolve equilibrar a presença das árvores com as características do ambiente urbano. Calçadas, vias, imóveis, redes elétricas e outros equipamentos precisam coexistir com a vegetação, o que torna a avaliação técnica uma etapa importante antes de intervenções.
9. Informações e números que ajudam a entender o manejo
Os dados divulgados pela Prefeitura mostram a dimensão do trabalho realizado pela Emlurb:
- 235.294 serviços de poda entre 2021 e 2025;
- 34.555 serviços de poda projetados entre janeiro e setembro de 2026;
- aproximadamente 269,8 mil serviços no período de 2021 a setembro de 2026;
- 1.963 mudas plantadas em 2025;
- 1.562 supressões realizadas em 2025;
- 21 de setembro é a data do Dia da Árvore.
Os números de 2026 são uma projeção apresentada pela Prefeitura, enquanto os dados de 2021 a 2025 correspondem aos serviços contabilizados pela Emlurb.
Proteção ambiental e segurança urbana caminham juntas
O uso de ferramentas de diagnóstico permite ampliar as informações disponíveis antes de uma intervenção. Isso é relevante porque uma árvore pode apresentar problemas internos que não sejam facilmente perceptíveis durante uma inspeção convencional.
Ao mesmo tempo, a avaliação técnica permite diferenciar situações que podem ser tratadas com poda ou conservação de casos que demandam medidas mais severas.
No Recife, esse trabalho é integrado a mecanismos de proteção ambiental e à participação dos moradores, que podem comunicar situações envolvendo árvores em áreas públicas pelos canais oficiais da Prefeitura.
O que muda para os moradores
Para quem circula pelas ruas do Recife, o manejo das árvores envolve dois aspectos diretamente relacionados ao cotidiano: a preservação da vegetação e a prevenção de riscos.
A tecnologia utilizada pela Emlurb ajuda a obter informações sobre a estrutura dos exemplares antes da definição do procedimento. Com isso, a decisão deixa de depender apenas da aparência externa da árvore.
A população também tem papel nesse processo ao comunicar problemas identificados em árvores de áreas públicas. A solicitação passa por avaliação técnica antes da definição do serviço necessário.
Manejo técnico orienta preservação das árvores do Recife
O uso da penetrografia mostra como a tecnologia pode complementar a avaliação visual das árvores do Recife, permitindo identificar alterações estruturais que não são facilmente percebidas externamente. A partir dessas informações, a Emlurb pode definir medidas de poda, conservação ou outras intervenções.
Os dados de aproximadamente 270 mil serviços de poda desde 2021 mostram a dimensão do trabalho de manutenção da arborização urbana. Ao mesmo tempo, as regras municipais de proteção e os mecanismos de tombamento estabelecem instrumentos para preservar exemplares considerados relevantes.
No Dia da Árvore, o cenário reforça a importância de combinar diagnóstico técnico, manutenção preventiva, proteção ambiental e participação da população no cuidado com a arborização da cidade.

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