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PSOL, Rede e PDT ficam fora da cláusula de barreira e enfrentam novo desafio político

Federação PSOL-Rede e PDT elegeram deputados, mas não atingiram os critérios de desempenho exigidos para garantir acesso ao Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita

PSOL, REDE, PDT
Cláusula de barreira ameaça futuro de PSOL, Rede e PDT. Fotos: Felipe Barreto - Divulgação REDE - Reprodução

A eleição para a Câmara dos Deputados em 2026 produziu um resultado que vai além da distribuição das cadeiras no Congresso. A federação PSOL-Rede e o PDT não conseguiram atingir a chamada cláusula de barreira, regra que condiciona o acesso das legendas a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão.

O resultado não significa que os partidos deixem de existir ou que os parlamentares eleitos percam seus mandatos. O impacto é principalmente financeiro, institucional e político, em um cenário no qual as legendas menores terão mais dificuldades para manter estruturas nacionais e disputar eleições futuras.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a cláusula de desempenho foi criada para reduzir a fragmentação partidária e estabelece critérios mínimos de votação ou representação parlamentar para que as siglas tenham acesso integral a determinados recursos e espaços de propaganda.

PSOL e Rede chegaram perto, mas ficaram de fora

O caso da federação PSOL-Rede chama atenção porque a votação nacional ficou muito acima do percentual mínimo exigido.

A federação somou aproximadamente 4,9% dos votos válidos para deputado federal, quase o dobro dos 2,5% necessários. O problema esteve na distribuição regional dessa votação.

Para cumprir a cláusula em 2026 pelo critério proporcional, era necessário alcançar pelo menos 2,5% dos votos válidos nacionais e, simultaneamente, atingir no mínimo 1,5% em pelo menos nove unidades da Federação.

PSOL e Rede chegaram ao percentual mínimo em oito estados. No Espírito Santo, por exemplo, ficaram a apenas 185 votos do número necessário para atingir o patamar exigido e completar a distribuição nacional.

A federação também elegeu 15 deputados federais, acima do mínimo de 13 previsto na legislação. Porém, os parlamentares eleitos ficaram concentrados em apenas seis unidades da Federação, quando a regra exige presença em pelo menos nove.

PDT também não alcançou o desempenho mínimo

O PDT teve uma situação diferente. O partido não conseguiu atingir sequer o percentual nacional de 2,5% dos votos válidos para deputado federal.

A legenda obteve aproximadamente 1,6% da votação nacional e elegeu seis deputados federais, números insuficientes para cumprir qualquer uma das duas alternativas previstas na cláusula de desempenho.

O resultado coloca o PDT diante de um desafio semelhante ao enfrentado por outras legendas de menor porte: encontrar mecanismos políticos e eleitorais para ampliar sua presença nacional antes que as exigências se tornem ainda mais rígidas.

O que muda para os partidos?

O principal efeito da cláusula de barreira está no acesso aos recursos e à estrutura partidária.

As legendas que não alcançam os requisitos deixam de ter acesso aos recursos do Fundo Partidário nos termos previstos para os partidos que cumprem a cláusula e também ficam sem o tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão.

O Fundo Partidário é diferente do Fundo Eleitoral. Enquanto o primeiro financia atividades permanentes das organizações partidárias, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha é destinado especificamente às campanhas eleitorais.

Isso significa que PSOL, Rede e PDT continuarão existindo e poderão exercer suas atividades políticas, mas terão uma estrutura financeira e de comunicação mais limitada.

Deputados eleitos não perdem o mandato

Um ponto importante é que o resultado eleitoral dos parlamentares permanece válido.

Os deputados eleitos por partidos ou federações que não atingiram a cláusula de barreira não perdem seus mandatos simplesmente por causa do desempenho da legenda.

A consequência pode ser outra: parlamentares dessas siglas passam a ter maior incentivo para avaliar mudanças partidárias.

O cenário pós-eleitoral já abriu uma discussão sobre a migração de deputados para partidos que cumpriram os requisitos da cláusula de desempenho. A mudança pode alterar significativamente a composição das bancadas durante a próxima legislatura.

PSOL enfrenta debate interno sobre estratégia eleitoral

Dentro do PSOL, o resultado também provocou críticas à estratégia utilizada durante a campanha.

A deputada Erika Hilton, reeleita por São Paulo com mais de 1,58 milhão de votos, criticou a distribuição dos recursos eleitorais do partido e afirmou que houve concentração de investimentos em candidaturas com baixo potencial eleitoral.

A avaliação da deputada é que o partido poderia ter utilizado os recursos de maneira mais estratégica para garantir votos suficientes em diferentes estados e superar a cláusula de barreira.

O episódio expõe um problema característico da regra: não basta acumular muitos votos nacionalmente. É necessário que a votação esteja distribuída pelo território.

A força de um voto concentrado

O resultado do PSOL ajuda a demonstrar como funciona essa lógica.

Erika Hilton obteve uma votação histórica em São Paulo, enquanto outras candidaturas também tiveram desempenho expressivo. Entretanto, uma votação muito concentrada em poucos estados não resolve o requisito territorial da cláusula.

Na prática, o sistema passou a incentivar os partidos a construir candidaturas competitivas em diferentes regiões do país, em vez de depender exclusivamente de alguns grandes puxadores de votos.

O TSE afirma que a regra busca justamente estimular uma atuação nacional das legendas e reduzir a fragmentação partidária.

Regra ficará ainda mais rígida em 2030

O resultado de 2026 também serve como alerta para os próximos ciclos eleitorais.

A cláusula de desempenho continuará aumentando gradualmente. Para as eleições de 2030, a exigência chegará a pelo menos 3% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos em pelo menos nove estados, com mínimo de 2% em cada um deles.

A alternativa pelo número de deputados também será ampliada: serão necessários pelo menos 15 deputados federais eleitos em nove estados.

Isso aumenta a pressão para que partidos menores ampliem sua presença nacional ou adotem estratégias como federações, fusões e incorporações.

Um novo mapa partidário para 2027

A eleição de 2026 deve provocar uma nova reorganização do sistema partidário brasileiro.

De acordo com levantamento divulgado após a eleição, 16 das 30 legendas não atingiram a cláusula de barreira. Entre elas estão o PDT e a federação PSOL-Rede.

Ao mesmo tempo, o PL terminou a eleição com 121 deputados, enquanto PT e União Brasil aparecem com 70 e 46 cadeiras, respectivamente.

O resultado tende a aumentar a concentração de poder nas maiores bancadas e pode estimular novas movimentações partidárias antes mesmo do início da próxima legislatura.

Para PSOL, Rede e PDT, o desafio agora não é apenas manter seus mandatos. É reconstruir uma presença nacional capaz de garantir sobrevivência financeira, espaço de comunicação e competitividade eleitoral em um sistema que ficará progressivamente mais exigente.

O que é a cláusula de barreira?

A cláusula de desempenho é uma regra que estabelece um desempenho eleitoral mínimo para que partidos tenham acesso a recursos do Fundo Partidário e à propaganda partidária gratuita.

Em 2026, havia duas possibilidades para cumprir a exigência: atingir pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos em nove estados com mínimo de 1,5% em cada um, ou eleger ao menos 13 deputados federais distribuídos por nove estados.

A regra não extingue partidos que ficam abaixo do desempenho mínimo e também não anula os mandatos dos parlamentares eleitos.

O efeito, portanto, é principalmente sobre financiamento, comunicação e capacidade de organização política, criando uma pressão adicional para que as legendas ampliem sua votação e sua presença territorial.

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