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União Europeia confirma acordo histórico com o Mercosul

A União Europeia aprovou o acordo UE-Mercosul, que ainda depende do Parlamento Europeu e pode ampliar comércio entre os blocos.

Lula e Ursula
Acordo UE-Mercosul avança após aprovação no Conselho. Foto: Divulgação

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou a aprovação do acordo UE-Mercosul pelo Conselho da União Europeia, após votação favorável da maioria dos países que integram o bloco. A decisão representa um passo decisivo em um processo negociado ao longo de décadas entre a União Europeia e o Mercosul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Em publicação na rede social X, Ursula classificou a decisão como histórica. Segundo ela, o apoio do Conselho envia um sinal claro sobre a estratégia europeia em um cenário global marcado por tensões comerciais e disputas geopolíticas. A presidente ressaltou que o acordo busca estimular crescimento econômico, geração de empregos e garantir interesses de consumidores e empresas europeias.

Apesar do avanço, o acordo UE-Mercosul ainda não entra automaticamente em vigor. O texto precisará ser analisado e aprovado pelo Parlamento Europeu, etapa considerada essencial dentro do processo legislativo do bloco.

O que diz a Comissão Europeia

Em comunicado divulgado no site oficial da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen afirmou aguardar com expectativa a assinatura formal do acordo. Segundo ela, o pacto reforça a autonomia estratégica da União Europeia em um contexto internacional cada vez mais instável.

Para a presidente da Comissão, o acordo também consolida a UE como um parceiro confiável no comércio internacional. A declaração ocorre em meio a debates sobre protecionismo, cadeias globais de suprimentos e dependência econômica entre grandes blocos comerciais.

Ursula destacou ainda a cooperação política entre os países envolvidos e citou a liderança do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante o período em que o Brasil exerceu a presidência rotativa do Mercosul, entre julho e dezembro de 2025.

Próximos passos e papel do Paraguai

Com a aprovação no Conselho, a presidente da Comissão Europeia poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para ratificar o acordo com os países do Mercosul. O país assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa pro tempore do bloco sul-americano.

Essa etapa tem caráter político e simbólico, mas não substitui os trâmites institucionais dentro da União Europeia. O Parlamento Europeu ainda poderá aprovar, rejeitar ou propor ajustes ao texto, o que mantém o acordo em análise.

Países que votaram contra o acordo

Apesar da aprovação por ampla maioria, o acordo não foi consensual. O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, informou que cinco países votaram contra: Polônia, Áustria, França, Hungria e Irlanda.

As regras da União Europeia estabelecem que, para a aprovação, são necessários ao menos 15 dos 27 Estados-membros, representando pelo menos 65% da população total do bloco. O acordo atingiu esse critério, garantindo sua validação no Conselho.

As resistências refletem preocupações recorrentes, especialmente em setores agrícolas europeus, que temem aumento da concorrência e impactos sobre produtores locais. Questões ambientais e sanitárias também costumam aparecer nos debates internos sobre o acordo.

Repercussão no Brasil e no Mercosul

No Brasil, a aprovação do acordo UE-Mercosul foi recebida de forma positiva por representantes do setor produtivo e por autoridades ligadas ao comércio exterior. A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) destacou o potencial econômico do pacto.

Segundo a agência, o acordo cria um mercado integrado com população superior a 700 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto estimado em cerca de US$ 22 trilhões. A ApexBrasil projeta que as exportações brasileiras para a União Europeia possam crescer aproximadamente US$ 7 bilhões.

Em nota, o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressaltou que o PIB combinado dos blocos supera o da China e fica atrás apenas do dos Estados Unidos, reforçando a relevância estratégica do acordo.

Impactos na pauta exportadora brasileira

De acordo com dados apresentados pela ApexBrasil, mais de um terço das exportações brasileiras para a União Europeia é composto por produtos da indústria de processamento. Esse perfil é apontado como um diferencial competitivo para o Brasil no mercado europeu.

O acordo UE-Mercosul prevê a redução imediata de tarifas para máquinas, equipamentos de transporte, motores, geradores de energia elétrica, autopeças e aeronaves. Esses setores são considerados estratégicos para a inserção internacional da indústria brasileira.

Além disso, o texto estabelece reduções tarifárias graduais, até a eliminação total, para diversas commodities, respeitando sistemas de cotas. Produtos como couro, peles, pedras de cantaria, facas, lâminas e itens químicos também estão entre os beneficiados.

Pontos de atenção e debates em curso

Embora os dados econômicos indiquem potencial de crescimento, especialistas destacam que o acordo continuará sendo objeto de debates. Organizações ambientais e setores agrícolas europeus e sul-americanos acompanham com atenção os mecanismos de salvaguarda previstos no texto.

No Parlamento Europeu, é esperado um debate mais aprofundado sobre impactos ambientais, padrões sanitários e equilíbrio comercial. Esses pontos podem influenciar o ritmo e o formato final da ratificação.

A aprovação do acordo UE-Mercosul pelo Conselho da União Europeia representa um avanço significativo nas relações comerciais entre os dois blocos. O pacto ainda depende do aval do Parlamento Europeu, mas já provoca repercussões políticas e econômicas relevantes.

Enquanto governos e setores empresariais destacam oportunidades de crescimento e integração, países contrários e grupos críticos mantêm ressalvas sobre seus impactos. O desfecho final dependerá das próximas etapas institucionais e do debate político dentro da União Europeia.

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