Confusão na Câmara do Recife marcou a abertura do ano legislativo após questionamentos de vereador ao secretário que representou o prefeito João Campos.
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| Abertura dos trabalhos legislativos na Câmara do Recife. Foto - Anthony Santana |
A abertura dos trabalhos da Câmara Municipal do Recife, realizada nesta segunda-feira (2), foi marcada por um princípio de confusão envolvendo o secretário de Planejamento do Recife, Jorge Vieira, representante do prefeito João Campos (PSB), e o vereador de oposição Eduardo Moura (NOVO). O episódio ocorreu logo no início da sessão solene, que tradicionalmente marca o começo do ano legislativo.
O momento gerou interrupções nos trabalhos, reação de parlamentares e pronunciamentos públicos tanto da presidência da Casa quanto do vereador envolvido.
Representante do Executivo é conduzido ao plenário
Durante a sessão, o presidente da Câmara, Romerinho Jatobá (PSB), solicitou que uma comissão formada por vereadores da base governista conduzisse o secretário Jorge Vieira até o plenário para compor a mesa da solenidade, representando o Executivo municipal.
A ausência do prefeito João Campos na abertura do ano legislativo foi um dos pontos levantados posteriormente pelo vereador de oposição. Segundo Eduardo Moura, esta teria sido a primeira vez que um prefeito do Recife não participou presencialmente da sessão inaugural.
Questionamentos e contenção no plenário
Enquanto o secretário era conduzido ao local, o vereador Eduardo Moura ligou a câmera do celular e passou a fazer questionamentos ao representante da Prefeitura, permanecendo inicialmente na porta do plenário.
Em seguida, o parlamentar chegou a subir ao espaço principal da sessão, mas foi contido por colegas vereadores, inclusive pelo próprio presidente da Casa. A movimentação gerou tensão momentânea, com a necessidade de intervenção para restabelecer a ordem dos trabalhos.
Presidente pede desculpas em plenário
Após o ocorrido, Romerinho Jatobá retomou a palavra e se desculpou publicamente com o secretário Jorge Vieira.
“Me antecipo e peço desculpas ao secretário Jorge Vieira, pela forma como foi abordado, deselegante, por algum colega nosso”, afirmou o presidente da Câmara.
A fala buscou sinalizar institucionalmente que a Casa não compactua com abordagens consideradas inadequadas durante sessões oficiais.
Vereador critica ausência do prefeito e relata abordagem
Em declaração posterior, o vereador Eduardo Moura apresentou sua versão dos fatos. Ele criticou a ausência do prefeito João Campos e afirmou que sua intenção era exercer o papel fiscalizador do mandato.
“João Campos correu. Fugiu. Pela primeira vez um prefeito não comparece e participa da abertura do ano legislativo na Câmara do Recife”, disse.
O parlamentar também afirmou que houve uma tentativa organizada de impedir sua aproximação do secretário.
“O que mais chamou atenção foi a ‘blitz’ montada por vereadores da situação para evitar que eu chegasse perto do secretário, como se eu fosse um invasor”, declarou.
Relato de agressão e debate sobre prerrogativas
Eduardo Moura afirmou ainda que, durante a contenção, sofreu empurrões, puxões e arranhões, embora tenha minimizado a lesão física.
“O arranhão na mão é pequeno, ínfimo. Mas o arranhão no respeito ao trabalho do vereador de questionar foi gigante”, afirmou.
O episódio reacende o debate sobre os limites da atuação parlamentar, o direito de questionamento por parte da oposição e os protocolos de segurança e condução de autoridades dentro do Legislativo municipal.
Clima político e repercussões
Até o momento, a Prefeitura do Recife não se pronunciou oficialmente sobre o episódio. O secretário Jorge Vieira não comentou publicamente a abordagem sofrida durante a sessão.
O caso deve repercutir nos próximos dias nos bastidores políticos da Casa José Mariano, sobretudo em um contexto de acirramento entre base governista e oposição no Legislativo municipal.
A confusão na Câmara do Recife durante a abertura do ano legislativo expôs divergências políticas, levantou questionamentos sobre a ausência do prefeito e trouxe à tona discussões sobre o exercício do mandato parlamentar. Apesar do episódio, a sessão foi concluída, e a presidência da Casa buscou recompor o ambiente institucional com um pedido público de desculpas.

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