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Corridas de galgos: Chile aprova projeto de proibição

Câmara dos Deputados aprovou por 80 votos projeto que proíbe corridas de cães no Chile, mas texto ainda precisa passar por novas etapas antes de virar lei.

Corridas de galgos: projeto de proibição avança no Chile
Corridas de galgos: projeto é aprovado por 80 votos no Chile.Foto: Reprodução/T13


A Câmara dos Deputados do Chile aprovou nesta quarta-feira (19) o projeto que proíbe e estabelece punições para as corridas de galgos em todo o país. A proposta recebeu 80 votos favoráveis, 41 contrários e 7 abstenções e avançou no primeiro trâmite constitucional. O texto, entretanto, ainda não é lei: como recebeu indicações durante a discussão, voltará à Comissão de Meio Ambiente para análise e votação em particular.

A decisão representa um novo avanço para uma iniciativa que tenta encerrar a atividade no Chile. Ao mesmo tempo, os deputados rejeitaram, por 50 votos a favor, 68 contra e 10 abstenções, um segundo projeto que propunha regulamentar as corridas em vez de eliminá-las. Com a rejeição, essa proposta foi arquivada.

Câmara aprova proibição das corridas de galgos

O projeto aprovado em geral modifica a Lei nº 21.020, sobre Tenência Responsável de Mascotas e Animales de Compañía, e acrescenta o artigo 11 bis.

A redação estabelece a proibição de toda corrida de cães, independentemente da raça, em todo o território nacional. Apesar de o debate público estar concentrado nos galgos, o texto possui alcance mais amplo e não se restringe a essa raça.

A proposta também prevê punições para quem organizar ou participar das corridas. Segundo o texto citado por La Tercera, essas pessoas poderão ser submetidas a pena de presídio menor em seus graus médio e multa de 20 a 40 unidades tributárias mensais. Em agosto de 2026, a faixa da multa corresponde a aproximadamente 1.432.980 a 2.865.960 pesos chilenos.

Votação teve 80 votos favoráveis

A aprovação ocorreu durante a sessão desta quarta-feira. Foram 80 votos a favor da proposta, 41 contra e sete abstenções.

O resultado representa uma mudança em relação à votação realizada em 2024. Naquele ano, a Câmara havia rejeitado uma iniciativa que também pretendia proibir as corridas de cães. O projeto recebeu 58 votos favoráveis, 68 contrários e 13 abstenções.

A nova proposta, porém, utiliza outro caminho legislativo. Em vez de modificar a Lei nº 20.380 sobre proteção dos animais, o texto atual acrescenta uma disposição à Lei nº 21.020, que trata da tenência responsável de animais de companhia.

Projeto de regulamentação é rejeitado

A Câmara também analisou uma segunda iniciativa, que defendia a regulamentação das corridas de cães.

O projeto previa obrigações e limites para a realização das competições, além de controles veterinários, regras para as pistas, medidas de segurança e restrições a práticas que pudessem causar danos ou lesões aos animais.

A alternativa, contudo, foi rejeitada por 50 votos a favor, 68 contra e 10 abstenções. Com o resultado, o projeto foi arquivado.

Dessa forma, a Câmara chilena deu preferência ao caminho da proibição, enquanto descartou, nesta etapa, a proposta que buscava manter as corridas sob regras específicas.

Debate dividiu deputados

A votação foi marcada por posições divergentes entre os parlamentares.

Deputados favoráveis à proibição defenderam que as corridas submetem os cães a situações de sofrimento e que a regulamentação não seria suficiente para impedir os maus-tratos.

O deputado Juan Marcelo Valenzuela, por exemplo, afirmou durante o debate que as corridas não deveriam ser consideradas esporte e associou a atividade a práticas que, segundo ele, provocariam sofrimento aos animais.

Na direção oposta, parlamentares favoráveis à regulamentação argumentaram que a proibição não necessariamente eliminaria as corridas e poderia estimular a realização clandestina da atividade.

O deputado Ricardo Neumann defendeu uma regulamentação rigorosa e afirmou que não seria adequado presumir que todos os participantes da atividade fossem responsáveis por maus-tratos.

Parlamentares apontam problemas de fiscalização

Um dos argumentos utilizados pelos defensores da proibição foi a dificuldade de fiscalização.

A deputada Claudia Mora afirmou, antes da votação, que as corridas apresentariam situações de sofrimento animal e que haveria fiscalização insuficiente. Segundo a parlamentar, esse cenário dificultaria a garantia de condições adequadas de bem-estar para os cães.

O deputado Andrés Celis também se posicionou contra a regulamentação. Para ele, criar regras poderia dar aparência de legalidade a uma atividade que deveria ser eliminada.

Já os defensores da regulamentação sustentaram que a atividade poderia ser submetida a controles veterinários, regras de segurança e fiscalização.

Galgos estão no centro de uma disputa legislativa

As corridas de galgos são realizadas utilizando cães selecionados por sua velocidade. A atividade tornou-se alvo de organizações de proteção animal e passou a ser discutida de forma recorrente no Congresso chileno.

Reportagens de La Tercera apontaram que o tema voltou ao centro da agenda legislativa depois da rejeição de 2024. Naquele ano, a Câmara havia derrubado uma proposta de proibição, mas duas novas iniciativas voltaram a colocar em debate os caminhos possíveis: acabar com as corridas ou regulamentá-las.

A nova votação ocorreu, portanto, após uma tentativa anterior frustrada de proibir a atividade.

Projeto prevê alcance nacional

Embora a discussão seja frequentemente chamada de projeto de proibição das corridas de galgos, o texto aprovado pela Câmara possui uma abrangência maior.

A redação determina a proibição de toda corrida de cães, qualquer que seja a raça, em todo o território chileno.

Isso significa que, caso a proposta seja aprovada definitivamente com essa redação, a medida não ficará limitada aos galgos.

A previsão também diferencia a proposta atual de medidas direcionadas especificamente a uma determinada raça.

Aprovação ainda não significa proibição imediata

Apesar da aprovação desta quarta-feira, as corridas de galgos ainda não podem ser consideradas proibidas por uma lei já vigente.

O projeto foi aprovado em geral, dentro do primeiro trámite constitucional. Como recebeu indicações, deverá retornar à Comissão de Meio Ambiente para que os dispositivos sejam analisados e votados em particular.

Essa etapa é importante porque o texto poderá ser discutido, aperfeiçoado e eventualmente alterado antes de continuar sua tramitação.

Portanto, o resultado desta quarta-feira representa um avanço legislativo, mas não encerra o processo.

O que muda após a votação

Com a aprovação em geral e a rejeição da proposta de regulamentação, o debate parlamentar chileno passa a ter como principal referência o projeto que pretende proibir as corridas.

A Comissão de Meio Ambiente deverá analisar novamente o texto por causa das indicações apresentadas durante a tramitação.

Depois dessa etapa, o projeto seguirá o caminho legislativo correspondente, ainda sujeito às votações e procedimentos previstos no Congresso chileno.

O resultado final dependerá da aprovação das próximas etapas. Até que isso ocorra, não é correto afirmar que o Chile já tenha estabelecido uma proibição definitiva das corridas de galgos.

Chile se aproxima de uma decisão sobre as corridas

A votação desta quarta-feira representa uma mudança importante na tramitação. Pela primeira vez nesta nova tentativa, a Câmara aprovou em geral o projeto que pretende acabar com as corridas de cães no país.

Ao mesmo tempo, a rejeição da proposta de regulamentação elimina, neste momento, a alternativa legislativa que buscava manter a atividade sob regras específicas.

O projeto agora retorna à Comissão de Meio Ambiente para análise em particular. A partir dessa etapa, os parlamentares deverão definir o texto que continuará avançando no processo legislativo.

Assim, o Chile deu um passo significativo em direção à proibição das corridas de galgos, mas a transformação da proposta em lei ainda depende da conclusão da tramitação no Congresso.

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