Mudança no IR inclui desconto para rendas até R$ 7.350 e nova tributação sobre lucros enviados ao exterior.
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| Lei que amplia isenção do Imposto de Renda será sancionada por Lula. Foto - Marcelo Casal Jr |
A palavra-chave principal será utilizada de forma estratégica ao longo deste texto: Imposto de Renda.
Contexto e base legal da mudança
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda era uma das promessas de campanha do presidente Lula. O texto que chegou agora ao estágio de sanção presidencial foi enviado ao Congresso Nacional em março deste ano, dentro de um pacote de medidas de reorganização tributária e reequilíbrio fiscal.
A proposta passou pela Câmara dos Deputados em outubro e foi aprovada pelo Senado no início de novembro. A sanção presidencial é a etapa final para que o novo modelo entre em vigor já a partir de janeiro do próximo ano.
Como funcionará a nova isenção
Com a nova lei, todos os contribuintes que recebem até R$ 5 mil por mês estarão automaticamente isentos do pagamento do Imposto de Renda. Esse grupo, projetado em aproximadamente 15 milhões de pessoas, deixará de ter o imposto descontado na fonte ou recolhido via declaração anual.
Para rendimentos situados entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o governo estabeleceu uma política de redução parcial. Isso significa que, quanto menor for a renda dentro dessa faixa, maior será o abatimento no valor final devido. A medida, segundo o Ministério da Fazenda, pretende evitar um “degrau tributário” — situação em que pequenas diferenças de renda geram grandes mudanças no valor pago.
Já os contribuintes que recebem acima de R$ 7.350 não sofrerão alteração na carga tributária por meio desta lei, mantendo a tributação nos moldes atuais.
Compensação: aumento da taxação sobre altas rendas
Para equilibrar o impacto fiscal da ampliação da isenção, o projeto aprovado pelo Congresso prevê uma série de mecanismos de compensação, com destaque para a criação de uma alíquota extra progressiva de até 10% sobre rendimentos considerados de alta renda.
A taxação será aplicada a contribuintes que ganham acima de R$ 600 mil por ano, o equivalente a R$ 50 mil mensais. De acordo com a justificativa enviada pelo Ministério da Fazenda, a medida busca promover mais justiça fiscal e redistribuição da carga tributária, fazendo com que contribuintes de maior renda contribuam proporcionalmente mais para o financiamento das políticas públicas.
A legislação também estabelece uma alíquota de 10% sobre lucros e dividendos remetidos ao exterior, ampliando a base de arrecadação e fechando brechas utilizadas historicamente para reduzir o recolhimento de tributos por grandes corporações.
Para especialistas consultados por veículos econômicos, como o Valor Econômico e a Folha de S.Paulo (links externos recomendados), a taxação ampliada segue uma tendência internacional de tributação mais robusta sobre grandes fortunas e altas rendas — prática já adotada em países como Alemanha, França e Canadá.
Impactos esperados na economia
Por outro lado, analistas de mercado apontam que o governo precisará monitorar de perto o impacto fiscal da renúncia de receita. A compensação via taxação de altas rendas, embora relevante, ainda dependerá de regulamentações complementares, estimativas de arrecadação e da eficácia no combate à sonegação.
Pontos de vista divergentes
A medida recebeu apoio de segmentos ligados à classe trabalhadora, centrais sindicais e entidades de defesa do consumidor, que consideram a ampliação da isenção uma correção necessária após anos de defasagem. Representantes desses grupos argumentam que a atualização da tabela promove maior justiça tributária e alívio financeiro em um momento de retomada econômica.
Já opositores afirmam que a mudança pode pressionar o equilíbrio fiscal, aumentando o desafio de cumprir metas estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal. Parlamentares contrários ao projeto defendem que o governo deveria focar em cortes de gastos e revisão de incentivos antes de ampliar desonerações.
O Ministério da Fazenda, no entanto, argumenta que o aumento da taxação de altas rendas compensa adequadamente a isenção, mantendo a medida dentro dos limites de responsabilidade fiscal. A pasta deve detalhar a projeção de arrecadação durante o evento de sanção no Palácio do Planalto.
O que acontece a partir de agora
Com a sanção presidencial prevista para esta quarta-feira, a lei entrará em vigor no início de janeiro. A Receita Federal deve publicar, nas próximas semanas, notas técnicas e orientações sobre a aplicação prática das novas faixas e da alíquota adicional para altas rendas.
A ampliação da isenção do Imposto de Renda também deve impactar a declaração anual de 2026, referente ao ano-base 2025, o que exigirá atualização dos sistemas da Receita e das plataformas de contabilidade.

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