Corte confirma legalidade das prisões dos condenados da trama golpista durante audiência por videoconferência.
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| STF reafirma prisão de Bolsonaro e de militares condenados. Foto: Divulgação |
O STF mantém a prisão de Bolsonaro e dos outros cinco condenados no processo que investigou a chamada “trama golpista”, após a realização de audiências de custódia nesta quarta-feira. Os procedimentos, conduzidos por juízes auxiliares da Corte, ocorreram por videoconferência ao longo da tarde e serviram para avaliar a legalidade das prisões executadas na terça-feira, quando a Primeira Turma declarou o encerramento do processo para os investigados considerados parte do “núcleo crucial” da articulação.
As audiências confirmaram que as detenções seguiram os ritos legais, não apresentaram irregularidades e devem ser mantidas. Com isso, o ex-presidente Jair Bolsonaro permanece na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. Os demais condenados também continuam nos locais onde já estavam detidos.
Contexto da decisão do STF
A manutenção das prisões ocorre após a Primeira Turma do STF concluir o julgamento que condenou Bolsonaro e outros militares e ex-integrantes do governo por participação em ações antidemocráticas que buscavam, segundo a Corte, subverter o Estado democrático de direito. O julgamento se estendeu por semanas e reuniu uma série de documentos, depoimentos e informações fornecidas pela PF e pela PGR.
A audiência de custódia é uma etapa obrigatória após qualquer prisão, conforme estabelece a legislação brasileira e tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Nela, o Judiciário avalia se houve abuso, violência, irregularidades ou violação de garantias legais no momento da detenção.
Quem são os condenados que permanecem presos
Além do fato de que o STF mantém a prisão de Bolsonaro, outros cinco condenados também tiveram suas detenções confirmadas:
Jair Bolsonaro
Segue custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O ex-presidente foi condenado por integrar o núcleo estratégico da trama e por incitar medidas consideradas antidemocráticas pela Corte.
Almir Garnier
O ex-comandante da Marinha continua detido na Estação Rádio da Marinha, no Rio de Janeiro. Sua participação, segundo o STF, teria sido central na estrutura militar de apoio ao plano golpista.
Augusto Heleno
Ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), permanece no Comando Militar do Planalto, em Brasília.
Paulo Sérgio Nogueira
O ex-ministro da Defesa também segue detido no Comando Militar do Planalto. Ele foi apontado pela denúncia como um dos articuladores das medidas estratégicas que sustentariam a tentativa de ruptura institucional.
Anderson Torres
O ex-ministro da Justiça continua no Batalhão da Polícia Militar do DF conhecido como "Papudinha". Torres já respondia a outros processos relacionados aos acontecimentos de 8 de janeiro.
Braga Netto
Ex-ministro da Defesa e candidato a vice-presidente em 2022, permanece em uma instalação militar no Rio de Janeiro.
O que dizem as defesas dos condenados
As defesas dos réus contestaram as condenações e afirmaram que vão recorrer. Advogados argumentam que o julgamento não apresentou provas suficientes para justificar as condenações e que as prisões teriam caráter político, tese rejeitada pela Procuradoria-Geral da República e pelo próprio STF.
No caso de Bolsonaro, sua defesa reiterou que ele não teria participado de qualquer articulação golpista e que suas declarações públicas foram “distorcidas”. Já os advogados dos militares defendem que as ações atribuídas aos clientes faziam parte de análises técnicas ou debates internos, e não de uma tentativa real de ruptura institucional.
Posicionamento de especialistas
Juristas ouvidos por veículos de imprensa afirmam que a decisão do STF se sustenta no entendimento de que houve uma organização estruturada com potencial para abalar a normalidade democrática. Outros especialistas destacam que o caso representa um marco judicial e político no país, por envolver um ex-presidente e altas patentes das Forças Armadas.
No entanto, também há vozes na comunidade jurídica que avaliam que o STF tem avançado sobre competências de outras instâncias, o que poderia gerar questionamentos a médio e longo prazos. Esses especialistas defendem que eventuais excessos devem ser corrigidos pelo próprio sistema de freios e contrapesos existente no Estado brasileiro.
Repercussões políticas
A decisão de manter Bolsonaro preso repercutiu imediatamente no cenário político nacional. Aliados criticaram a medida e alegaram que o processo teria viés político. Por outro lado, setores governistas e partidos de centro defenderam a necessidade de responsabilização no âmbito do Estado democrático de direito.
Analistas avaliam que o caso deve impactar o ambiente eleitoral para 2026, uma vez que a condenação de Bolsonaro o mantém inelegível e coloca o futuro do bolsonarismo em debate dentro de partidos e movimentos ligados ao ex-presidente.
O que acontece daqui para frente
Com a decisão que confirma que o STF mantém a prisão de Bolsonaro, os próximos passos envolverão a análise de recursos que podem ser apresentados pelas defesas. Esses recursos, no entanto, não têm efeito suspensivo automático.
Paralelamente, o STF deve prosseguir com os demais desdobramentos da investigação, que envolve ainda outras frentes relacionadas às tentativas de interferência militar e atos preparatórios observados pela Polícia Federal.
A manutenção da prisão dos seis condenados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, consolida a posição do Supremo Tribunal Federal sobre a gravidade da trama golpista investigada. Ao confirmar a legalidade das detenções, a Corte reforça sua interpretação de que houve uma articulação organizada para romper a ordem democrática.
Ainda assim, o caso permanece aberto a recursos e revisões judiciais, mantendo o debate aceso no campo jurídico, político e institucional do país.

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